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UTI do Regional está bloqueada
O motivo do bloqueio, que deve seguir até terça-feira, se refere ao fato da identificação de uma bactéria mais resistente chamada KPC. Os pacientes já internados na UTI não serão transferidos, apenas deslocados para higienização do espaço
Após identificação de uma bactéria mais resistente aos antibióticos, chamada KPC, na sexta-feira, dia 19, a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Regional Terezinha Gaio Basso de São Miguel do Oeste, foi bloqueada para a entrada de novos pacientes. A informação é da médica infectologista do Hospital, Priscila Garrido. De acordo com ela, a medida foi adotada por precaução e o espaço ficará bloqueado até amanhã, dia 23.
Segundo a médica, dos 10 leitos disponíveis na UTI do Hospital Regional, oito deles estavam sendo utilizados por pacientes até esta sexta-feira. Porém, conforme ela, as pessoas já internadas não serão transferidas para outra unidade hospitalar, apenas serão deslocadas para outro ambiente, dentro do próprio hospital, para que a equipe possa fazer a higienização e limpeza do local. Priscila destaca que este processo de limpeza deverá ser feito nesta segunda e terça-feira. Após a conclusão do trabalho, o espaço será reaberto para internações. Até lá, caso algum paciente necessite de atendimento em UTI, deverá ser deslocado para Unidades de Terapias Intensivas de outras cidades.
Priscila reforça que a higienização e bloqueio acontece por precaução e será feita em duas etapas. "Estamos percebendo aumento de bactérias multirresistentes há cerca de um mês. Isso foi percebido através de uma avaliação diária dos pacientes. Ela pode causar infecção ou não. Têm pacientes que não tem problema, já para outros ela pode se manifestar. Quando situações como essa ocorrem, são necessárias algumas precauções. A UTI não está sendo bloqueada pelo risco que os pacientes correm de estarem ali internados, mas sim, para facilitar a logística de deslocamento deles dentro do hospital durante o processo de higienização do espaço", explica.
Conforme a profissional, as famílias já estão cientes deste processo, e esse bloqueio não trará nenhum prejuízo aos pacientes que estão na unidade, e nem para as famílias. A infectologista também ressalta que a presença desta bactéria identificada não representa riscos as pessoas que transitam no hospital. "Todos são orientados quanto a higienização das mãos na chegada e na saída. As famílias que visitam as pessoas na UTI também vestem um avental apropriado. Essa rotina e cuidado acontece desde que o hospital existe. Então, para quem vai fazer visitas esta situação não apresenta problema, mas sempre reforçamos sobre esses cuidados independente de existir bactéria ou não. Para os pacientes que já estão internados, o risco é como para qualquer outra bactéria a nível hospitalar. Os pacientes que estão internados sempre estão mais expostos. Não existe um hospital em que esse risco não vai existir. O risco que existe hoje é mesmo risco que corriam antes, e que vão continuar em decorrência dos procedimentos aos quais eles são submetidos e da imunidade que fica mais baixa neste período", aponta.
A médica acrescenta que a equipe ainda não sabe se esta bactéria se desenvolveu dentro do hospital ou se ela veio trazida de algum outro estabelecimento, pois a unidade também recebe pacientes de outros lugares. "As pessoas transportam bactérias e é por isso que se lava as mãos, então não sabemos se algum paciente veio portando essa bactéria ou se pelo uso dos antibióticos ela se desenvolveu a nível hospitalar. Mas, estamos adotando todas as medidas cabíveis e necessárias desde que ela foi identificada. Estamos fazendo o possível para resolver isso", afirma.
A situação deixa a equipe em alerta, pois a bactéria pode se instalar em pacientes já debilitados e ocasionar a infecção, como qualquer outra bactéria hospitalar. E o problema, segundo a médica, é que há uma dificuldade maior em tratar essa bactéria, justamente pela resistência aos antibióticos.
PREVENÇÃO
"É preciso chamar a atenção para a prevenção de tudo isso que está acontecendo. Enquanto profissionais de saúde é algo que já se tem por rotina, que é a higienização das mãos, os cuidados e precauções que é preciso tomar enquanto profissionais de saúde, e isso é uma rotina que já acontece dentro do hospital. Não houve nenhum problema identificado neste sentido e é algo que pode acontecer", comenta.
Da parte da população em geral, o pedido conforme a infectologista é para que se evite o uso de antibiótico, que é também uma questão trabalhada com os médicos. "Essas bactérias ocorrem pelo uso do antibiótico, e esse uso torna as bactérias mais resistentes. O uso inapropriado de antibiótico, em horários e dosagens erradas, favorece para a evolução dessas bactérias tanto dentro do hospital, como fora. Já temos identificado há algum tempo bactérias mais resistentes, que são mais difíceis de tratar, em pacientes que nunca estiveram no hospital. Isso é um problema que precisa da atenção da população.
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