Edição 1266 (publicado em 13/12/07)-Design Social: uma contribuição no projeto

O projeto possui uma contribuição social superior à da indústria do consumo

A expressão Design Social manifesta uma nova tendência de projetos em design com cunho social. Essa tendência surgiu para atender a coletividade, os menos favorecidos e excluídos do sistema capitalista. Normalmente, o projeto de design que se enquadra nessa caracterização possui uma contribuição social superior e contrária à da indústria do consumo. Alguns estudiosos defendem que o Design Social costuma ser mais honesto que o Design para o Consumo, pois está mais atento às necessidades reais da maioria da população, exatamente a que não tem condições de usufruir dos principais serviços necessários ao desenvolvimento da sociedade.

Após a Segunda Guerra Mundial, o aumento do uso dos plásticos em diversos segmentos industriais já preocupava alguns países quanto à questão dos problemas ambientais que os plásticos poderiam causar no futuro. Entre as décadas de 70 e 80, o foco da preocupação migrou para os países conhecidos por \"terceiro mundo\", quando projetistas desencadearam o discurso para minimizar os problemas sociais presentes nos países tidos como \"periféricos\", dentre eles o Brasil, a Argentina e o México. No final da década de 80 a abordagem em Design Social ganhou respaldo com a inserção do desenvolvimento de produtos para atender pessoas com algum tipo de deficiência física, visual ou auditiva. Nos anos 90, a detecção dos problemas ambientais estimulou o desenvolvimento de produtos ecológicos e de sustentabilidade ambiental. Nos últimos tempos, tem-se estimulado também o desenvolvimento de produtos que atendam às necessidades de comunidades carentes.

Conforme o coordenador do Curso de Tecnologia em Design de Produto, Danilo Émmerson Nascimento Silva, o Design Social, pela sua essência, necessita de parcerias, apoios e incentivos de órgãos e setores sem fins lucrativos. As políticas públicas municipais, estaduais e federais servem de suporte para ações e desdobramentos em Design Social. Por exemplo, as organizações não-governamentais, os sindicatos, as cooperativas e as associações podem se enquadrar como clientes de projetos dessa natureza. Ele destaca que estas entidades, por sua vez, distribuem ou repassam os produtos desenvolvidos para os usuários finais. O coordenador ressalta que o Design Social pode desencadear soluções de problemas de projeto em diversas áreas da sociedade tais como: educação, habitação, segurança, saúde, agricultura, pecuária, transporte, meio ambiente e artesanato, entre outras.

Ele cita que as empresas que desenvolvem produtos nestes setores podem dedicar uma linha de produtos com ênfase em Design Social, pois essa é uma estratégia que, certamente, refletirá na melhoria da imagem corporativa e no papel social que a empresa presta à sociedade.

Portanto, as ações do Design Social visam a melhoria na qualidade de vida e do trabalho de milhões de brasileiros, vítimas de um regime capitalista excludente, onde se prega que \"somente podem ter as coisas aqueles que podem pagar\". Para Silva, o Design Social tenta amenizar as diferenças de qualquer ordem na sociedade, no sentido de que se tornem mais suaves e sutis, além de contribuir no papel de inclusão social.

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