Desenvolvimento de sistemas: é preciso segmentar

  • Folha do Oeste -

Uma atividade, dois segmentos e o mesmo raciocínio: 'para alcançar o sucesso é preciso querer muito'

 A região Extremo-Oeste de Santa Catarina tem sido destaque no mercado de desenvolvimento de sistemas. Cerca de 1.300 empresas sediadas em praticamente todos os estados do país atuam com softwares (programas) migueloestinos. Dentre os segmentos adotados pelas empresas de São Miguel do Oeste estão os ramos de supermercados, atacados, distribuidoras, postos de combustíveis e também o setor imobiliário.
 Há 21 anos no mercado de desenvolvimento de sistemas, a Sysmo Sistemas conta hoje com aproximadamente 1.200 clientes, 90 funcionários e duas especializações: postos de combustíveis e o setor de supermercados, atacados e distribuidoras. Bem mais jovem, prestes a completar cinco anos de fundação em 2011, a FlexPro Sistemas, composta por uma equipe enxuta de sete funcionários, atua especificamente no segmento imobiliário.

INÍCIO
 Conforme um dos proprietários da Sysmo Sistemas, Miguel Bocalon, os primeiros trabalhos prestados pela Sysmo Informática (começou com este nome) eram basicamente na área de processamento de dados. "Para se ter uma ideia, fazíamos até serviços de digitação para outras empresas", exemplifica. De acordo com Bocalon, o começo foi difícil pelo fato de que muitas empresas nem computador possuíam. "Computador era raríssimo. Internet então, nem se imaginava", relata.
 Segundo ele, além de existirem poucos computadores, o desenvolvimento de software era tido como uma área de risco, com pequena probabilidade de o negócio dar certo. "Na época, o que valia era o hardware (parte física). Por volta dos anos de 1990, computador era um produto ruim e caro", conta. "Diziam para me tornar um grande revendedor de computadores. Mas sempre acreditei no software, e o que ocorre hoje é o software. Então, naquele tempo, desenvolvi um programa que contribuía com essas poucas empresas que possuíam computador e o negócio ganhou corpo", relembra. "A gente tem que querer muito", afirma.
 Há quase cinco anos no mercado de desenvolvimento de programas para o setor de imóveis, a FlexPro Sistemas surgiu da necessidade de informatização de uma imobiliária de São Miguel do Oeste. Segundo um dos proprietários, Belvoir Theisen, "a ideia de formar a a empresa veio da necessidade dessa imobiliária ter um programa para fazer todo o gerenciamento deles", conta. De acordo com ele,  acreditaram que seria apenas um trabalho. "Logo no primeiro momento, não pensamos que teríamos um mercado a explorar. Só depois de um bom tempo percebemos isso", comenta. "Foi aí que resolvemos arriscar. Começamos pelo Oeste e agora temos clientes em vários estados", arremata.

SEGMENTAÇÃO
 Na opinião dos especialistas, o ramo de desenvolvimento de sistemas não suporta mais a ampla abrangência de atividades. Para eles, o caminho é a segmentação, a especialização em determinada área.
 Segundo Bocalon, até 1996 a Sysmo desenvolvia programas para qualquer área comercial. "Nunca trabalhamos para indústrias", complementa. "A partir de 1997, focamos em atender somente supermercados, atacados e distribuidoras. E, no ano seguinte, em 1998, optamos por agregar serviços para o setor de postos de combustíveis também", ressalta. Segundo ele, cerca de 80% dos sistemas desenvolvidos atualmente são comprados por supermercados. "A especialização é necessária. Isso fez da gente uma referência no setor", diz. "O reconhecimento veio com a conquista de alguns prêmios", revela.
 De acordo com Theisen, dentro de um determinado segmento, há a possibilidade de segmentá-lo ainda mais. "No setor imobiliário, existem outros caminhos a serem explorados, como o gerenciamento de condomínios. Outro foco pode ser o setor específico de aluguéis de temporadas", exemplifica. Para ele, os subsegmentos podem trazer grandes resultados para as empresas. "O mercado tem várias possibilidades, é questão de querer", entende.

MÃO DE OBRA
 Conforme os empresários, outra dificuldade para quem atua com desenvolvimento de sistemas, é a falta de mão de obra especializada. Na visão deles, trata-se de um trabalho minucioso, que exige concentração, conhecimento e dedicação. Para Bocalon, a região Extremo-Oeste é carente de incentivos à formação de profissionais. "Estamos envolvidos em tudo com a programação, mas ainda muito isolados. Temos que contratar mão de obra fora de São Miguel do Oeste", salienta.
 Segundo ele, a T.I. (Tecnologia de Informação) precisa receber mais atenção por parte dos governos e das instituições de ensino. "Neste momento, colaboramos com com o custeio de 50% da mensalidade de uma turma composta por 35 estudantes em uma instituição de ensino aqui de São Miguel do Oeste", aponta. "A proposta é capacitar profissionais para atuar na região. Destes 35, queremos contratar uns quatro ou cinco", conta.
 De acordo com Belvoir, os profissionais contratados na FlexPro recebem capacitação na própria empresa. "A capacitação é feita por nós. Eles aprendem o que é necessário para desenvolver nossos produtos", conta. No entender de Belvoir, a região é, de fato, carente de profissionais.

MERCADO
 Desenvolver sistemas tem, segundo os empresários, amplo mercado a ser conquistado. Conforme Bocalon, é preciso trabalhar com o desenvolvimento segmentado e especializado. Segundo ele, mais cedo ou mais tarde, todas as empresas terão de se informatizar. "O governo tem exigido cada vez mais que as empresas forneçam o maior número de informações possíveis", frisa. "Vai chegar o momento em que elas vão se sentir 'pressionadas' a se informatizar, pois o governo precisa das informações delas", reforça. "Sem contar que há também uma certa exigência por parte de agentes externos ao governos, como os consumidores", conclui. Para Bocalon, toda empresa pode se informatizar. "Há também as ferramentas gratuitas. Tudo depende do objetivo dela", conclui.
 De acordo com Belvoir, embora exista essa 'exigência' pela informatização, ainda há os que discordam de tal necessidade. "A pior coisa é a mudança da mentalidade, dos pontos de vista", opina. Segundo ele, a resistência tem sido cada vez menor. "Mas há sempre quem não queira se atualizar", finaliza.

Lixo para alguns... oportunidade para outros Anterior

Lixo para alguns... oportunidade para outros

Colocando a mão na massa Próximo

Colocando a mão na massa

Deixe seu comentário

Nossas Redes

Impresso