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Com a mão na massa

  • Folha do Oeste -

Mão de obra delicada e detalhista da mulher ganha espaço na construção civil

Elas trocaram a colher da cozinha pela colher de pedreiro. Pode parecer algo fora dos padrões, mas o público feminino está ganhando espaço no setor da construção civil. Até então, este mercado na região era predominantemente masculino. Mas, com o setor aquecido, as construtoras já enfrentam o problema de falta de mão de obra especializada. E isso acontece principalmente na fase de acabamento. E é aí que as mulheres entram, com delicadeza, já que elas executam com perfeição tal função.
Com pai e irmão pedreiros, o interesse pela área despertou cedo na vida de Márcia Langner, que hoje, aos 23 anos, atua na construção civil como servente de pedreiro. “Sempre achei a profissão interessante. No entanto, o ingresso nessa área foi repentino. Meu pai me falou da vaga na empresa, e que haveria contratação de mulheres”, conta a profissional, que atua no ramo há cerca de quatro meses.

De acordo com Márcia, que também é mãe, e mora com os pais, sua profissão não gerou preconceito por parte dos colegas homens; no entanto, eles se surpreenderam quando ela iniciou as atividades na construção civil. “As pessoas que me veem na rua de uniforme também ficam admiradas de eu trabalhar nesta área, acham estranho e às vezes até ficam apavoradas. Já os colegas duvidavam que eu fosse ficar e aguentar neste ramo. Hoje, eles já acostumaram com a nossa presença nas obras. Trabalho principalmente na fase de acabamentos, como colocação de rejuntes. Mas quando a tarefa é finalizada, auxilio em outras atividades”, afirma.

Para ela, não foi difícil se adaptar neste setor, pois já tinha noção de como era o trabalho na área. Com o Ensino Médio incompleto, Márcia destaca que pretende continuar na área de construção. “Eu gosto disso e quero aprender cada vez mais. Pretendo dar continuidade aos meus estudos e fazer uma faculdade de Engenharia Civil”, declara. Na avaliação da profissional, atualmente a mulher não possui mais dificuldades, ela é totalmente independente e vai em busca do que quer. O que o homem faz, a mulher também está mostrando que pode fazer. “Não existe mais a questão de que mulher não pode, ela pode tudo”, considera a servente Márcia.

MUDANÇA

Roselaine Rodrigues, de 33 anos, que já atuou como costureira e também em uma pastelaria, trocou a massa do pastel para trabalhar com a massa do cimento. “Eu estava procurando emprego e quando soube que havia vaga nesta área, procurei saber mais. Nunca achei que atuaria como servente de pedreiro. Minha ideia mudou, e hoje penso em continuar neste ramo”, aposta.

Conforme a também servente de pedreiro, não há preconceito por parte dos colegas homens e nem da família. No entanto, no início eles estranharam a ideia. “Tenho dois filhos, e no começo minha filha dizia para eu procurar outro emprego. Ela achou meio estranho, mas é um serviço como os outros, por isso pretendo continuar na empresa”, avalia Roselaine, que revela já ter conhecimento na área antes mesmo de iniciar esta função.

MERCADO AQUECIDO

De acordo com a administradora Gissele Hermes Merlin, a Empreiteira de Mão de Obra Hermes atua há mais de 30 anos na locação de mão de obra de construção civil em SMOeste, e em algumas situações a intenção de contratação de mão de obra feminina já havia sido pensada. Porém, foi em 2011 com a construção civil aquecida e com a necessidade de mão de obra dedicada a acabamentos que a ideia de contratar mulheres para trabalhar nos canteiros de obras foi repensada.

“Apostamos e contratamos mulheres, pois elas geralmente apresentam uma visão mais minuciosa nos trabalhos que desenvolvem, são detalhistas e exigentes, o que é necessário para que o trabalho seja bem feito, ainda mais em se tratando de acabamentos na instalação de pisos e na limpeza da obra para a boa execução dos trabalhos”, explica a profissional.

Gissele ressalta, ainda, que há funcionários homens que são muito exigentes e detalhistas e que executam muito bem esse trabalho. No entanto, hoje, a mão de obra que se apresenta para contratação não tem essas características, e é por isso que a aposta nas mulheres vem dando certo. De acordo com ela, se o setor continuar aquecido, há possibilidade de contratação de mais mulheres para atuar no setor.

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