Estado entrega 31 ambulâncias e motolâncias do Samu aos municípios |
Tornado arrasa Guaraciaba e quatro morrem
Ainda não se sabe quantas pessoas foram atingidas, mas pelo menos 80 ficaram feridas
A noite de 7 de setembro de 2009 nunca será esquecida por milhares de pessoas de Guaraciaba e de toda a região Extremo Oeste, quando foi registrada uma das maiores tragédias da natureza em todo o País. A chuva forte e o granizo, que tiveram início por volta das 21h eram só o prenúncio do que estava por vir na madrugada de terça-feira, dia 8. Durante toda a noite, um vendaval jamais visto na região arrasou o município de Guaraciaba, onde várias comunidades do interior foram destruídas. Casas, galpões, salões comunitários, ginásios e igrejas foram aniquiladas pela força do vento.
Quatro pessoas não resistiram e morreram antes mesmo de serem atendidas no Hospital São Lucas. Morreram Odalice Schwaab e Edevino Schwaab, residentes na linha 24, e Judite Lazari e Ana Paula Térsi, de 9 anos, residentes na linha Sede Flores. Ao todo mais de 80 pessoas sofreram ferimentos, e até a tarde de ontem pelos menos 10 continuavam internados. Em Guaraciaba foram atendidos 70 feridos e outros 19 foram socorridos no Hospital Missen, de SMOeste. Conforme a chefe de enfermagem do hospital São Lucas, Tânia Regina Procknou, foram inúmeros os atendimentos durante a madrugada e a manhã de terça-feira, e a maioria permaneceu em observação e foi avaliada por médicos. Muitos sofreram ferimentos mais graves e precisaram ser transferidos para São Miguel do Oeste e até mesmo Chapecó. Já no Hospital São Lucas, o maior número de atendimentos foi para suturas, escoriações e fraturas. Segundo a enfermeira, atender os feridos foi uma situação muito difícil e muito complicada, pela dor da perda e pelo drama de todas as famílias.
Equipes de Corpos de Bombeiros de toda a região, do Samu de SMOeste, Dionísio Cerqueira e Xanxêre auxiliaram no socorro às vítimas. Defesa Civil, Polícia Militar, Ambiental, Rodoviária e Civil também auxiliaram os desabrigados.
Para quem saiu de São Miguel do Oeste em direção à Guaraciaba na manhã de ontem, o choque foi inevitável ao ver o rastro de destruição. Em toda a extensão da BR-163 e no interior dos municípios centenas de árvores foram arrancadas pela força do vento e interditaram a pista em vários pontos. Às margens da rodovia e também no centro de Guaraciaba casas e ginásios foram destelhados, mas as cenas mais impressionantes estavam mesmo nas comunidades do interior. Na linha Guataparema, nenhuma propriedade passou intacta pelo temporal. Tudo foi destruído, com aviários que desabaram, postes e árvores partidos ao meio e milhares de pessoas desabrigadas e que perderam todo o patrimônio construído durante a vida. Um levantamento preliminar do Corpo de Bombeiros na tarde de ontem aponta que pelo menos 57 casas tenham sido completamente destruídas.
A maior parte das pessoas que viam o cenário da tragédia definiam o acontecido como um verdadeiro bombardeio, mas ainda assim muitas pessoas saíram às ruas para ajudar e procurar notícias de familiares e amigos. Contabilizar os estragos ainda é uma tarefa difícil, já que poucas residências e galpões restaram de pé.
Na linha Sede Flores, os moradores continuam em estado de choque, principalmente com a morte da pequena Ana Paula Térsi, que morreu instantaneamente quando a residência da família desabou. Segundo os vizinhos, a mãe da menina sofreu fratura na coluna e o pai foi transferido para Chapecó com fraturas no maxilar. O socorro da família foi feito pelos vizinhos, que também perderam tudo, mas agradecem por estarem vivos. Muitos deles choravam ao lembrar da trágica noite e principalmente do dramático socorro da pequena menina depois que seu pai começou a gritar pedindo socorro. A menina e a mãe ficaram presas nos escombros, e depois de retiradas ainda levaram quase duas horas para chegar ao hospital, já que todas as estradas estavam intransitáveis. Na propriedade vizinha à da família de Ana Paula, três grandes chiqueiros com cerca de 500 porcos foram destelhados, onde muitos animais morreram e outros ficaram na chuva.
Já na linha Tigre, algumas casas que permaneceram em pé ameaçaram cair o tempo todo e muitos animais ficaram presos sob os escombros de chiqueiros, estrebarias e galpões. Telhados inteiros foram arrancados, casas foram arrastadas e muitas pessoas ficaram feridas.
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