Seminários buscaram trazer qualificação e informação
Durante a Expo São Miguel, seminários debateram a piscicultura e bovinocultura de leite
Durante a Expo São Miguel 2011, dois grandes seminários trataram de atividades que, quando bem conduzidas, se tornam altamente rentáveis nas propriedades rurais da região. Uma delas é a piscicultura, que, apesar de ter dado uma desacelerada nos últimos meses, está em plena expansão e a outra é a bovinocultura de leite, atividade que não necessita de adjetivos para traduzir sua importância no Grande Oeste.
Ambos os seminários atraíram um bom público, especialmente agricultores, na segunda-feira, dia 14, junto ao Pavilhão de Remates. Pela parte da manhã, foi realizado o Seminário Regional de Piscicultura, cujo palestrante foi o ex-ministro da Pesca, Altemir Gregolin. Segundo ele, que trouxe as últimas informações relacionadas ao mercado, atualidade e perspectivas para o futuro, o Brasil possui um potencial muito grande e um mercado forte.
“No governo do presidente Lula e agora com a Dilma, criamos uma política de apoio ao agricultor familiar para desenvolver a atividade. Hoje, está se agilizando uma legislação em Santa Catarina, na área de licenciamento, para serem reduzidos os problemas. O grande entrave são as Áreas de Proteção Permanentes e as novas licenças para a produção”, explicou.
Gregolin relatou que duas medidas já estão em discussão. Uma é o projeto de lei encaminhado pelo governador tendo em conta os atuais açudes como áreas já consolidadas. Outra regra prevê considerar a piscicultura uma atividade de baixo impacto, permitindo assim a sua produção em áreas de proteção permanente”, comenta.
O ex-ministro salientou, ainda, que a piscicultura não exige muito trabalho.Ao mesmo tempo que atua em outras atividades, o agricultor cria uma nova fonte de renda. Aumentou o consumo na região e no país e estamos importando muito peixe. Precisamos aumentar a produção com um trabalho de assistência técnica. A estruturação da cadeia produtiva é fundamental”, afirmou.
Para o médico veterinário da Epagri e presidente do Núcleo Regional de Piscicultura, Benício Erbes, os produtores obtiveram novos conhecimentos, principalmente sobre a expectativa da atividade. A produção está aumentando cerca de 6% ao ano, atingindo bons volumes aqui na região. Muita gente está ainda decidindo se vai apostar na piscicultura. Acreditamos que cada vez mais teremos pessoas investindo na atividade”, encerrou Erbes.
SETOR LEITEIRO
Já pela parte da tarde, as atenções se voltaram para a bovinocultura de leite. O seminário foi conduzido por um dos mais respeitados conhecedores da atividade no sul do Brasil, o professor, engenheiro agrônomo e doutor, Mikael Neumann. O tema de sua palestra foi relacionado à nutrição e ao manejo alimentar de vacas em lactação.
Ele disse que seu objetivo não foi defender um único sistema de produção, seja de leite a pasto ou confinado. “Discutimos a fisiologia da vaca de leite, exatamente do que ela precisa em seu dia a dia para produzir bem, com saúde, dando maior rentabilidade ao produtor”.
Neumann, que é oriundo da região centro-sul do Paraná, relatou que lá a realidade não é diferente do oeste catarinense. Em pesquisas realizadas no Paraná, ele afirmou que a prioridade número um da sustentabilidade das famílias rurais é a bovinocultura de leite.
“É uma atividade em plena expansão em vários estados brasileiros e observamos o aumento dos índices produtivos e, por isso, dentro deste contexto, a nutrição passa a ser importante, no sentido de garantir saúde aos animais e também alimentos de qualidade na mesa do consumidor”, diz.
Questionado sobre o grande aumento de agricultores investindo na atividade e se isso logo acarretará um excesso de produção e uma consequente queda no preço, o professor salientou que essencialmente o sul do Brasil despertou o interesse das grandes empresas em função das características geográficas, climáticas e o sistema fundiário.
“O resultado disso é que as empresas instalaram grandes plantas, que antigamente eram transportados para beneficiamento em São Paulo. Hoje, o leite fica na região e é transformado em UHT, queijo, leite condensado, leite em pó e demais derivados.
Essas empresas estão ainda muito aquém da capacidade e por isso se prevê uma atividade muito segura pelos próximos 10 anos, contemplando esse aumento de produção.Certamente teremos percalços no futuro no quesito qualidade e diferenciação do produto. Esse talvez seja o maior desafio da região”, prevê Neumann.
Um dos coordenadores do seminário, Valmir Kretschmer, comentou que o seminário nada mais foi que uma oportunidade de serem repassadas mais informações para os produtores de leite da região, buscando aumentar ainda mais o crescimento desta atividade.
“Todos temos conhecimento, mas há uma necessidade de ampliá-los, devido ao melhoramento genético, que está crescendo muito rápido. Enfrentamos grandes dificuldades em acompanhar estes animais, pelas suas necessidades nutricionais”, resumiu.
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