SAÚDE MENTAL

Psicologia atua no combate à violência

Psicologia atua no combate à violência
Divulgação

O Curso de Psicologia da Unoesc de São Miguel do Oeste promove diversas ações cotidianas voltadas aos direitos das mulheres e igualdade de direitos. Em conjunto com o judiciário e a DPCAMI (Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso) promove o Programa Basta, que tem resultados positivos desde 2018.

A coordenadora do Curso de Psicologia, Lisandra Antunes de Oliveira, explica que esse programa tem como objetivo prestar atendimento psicológico à homens que cometem violências contra mulheres e que necessitam de um tratamento além do jurídico, para entender a sua condição de agressor e não voltar a cometer esse tipo de crime. "A pessoa que comete agressão pode mudar de relacionamento mas vai continuar com a mesma atitude. Através do grupo as pessoas podem ter conhecimento e modificar as suas atitudes", explica a professora.

Lisandra conta também que os infratores são direcionados pela DPCAMI que encaminha para o judiciário, onde se decide se ele receberá o auxílio psicológico prestado pela Unoesc. O atendimento psicológico do projeto acontece em grupos de sete a oito pessoas na clínica da universidade, com a colaboração de quatro estagiários. No ano passado foram 60 homens atendidos e destes apenas dois tiveram "recaída", segundo a coordenadora. Ela também informa que neste ano o número de participantes já é maior do que no ano passado, e que geralmente depois dos 15 encontros obrigatórios muitos homens solicitam continuar no grupo ou procuram o atendimento psicológico individual.

Lisandra justifica que esse tipo de programa é necessário enquanto acontecer esse tipo de crime. "Estamos vivendo em uma sociedade que é machista, então isso já é estrutural por si só, e cultural também. Ela já vai se construindo dessa forma, o ambiente já vai sendo construído desse jeito. Isso pode explicar, mas não justifica. Não é uma questão de aceitar, não podemos ter esse entendimento, até por que os direitos estão sendo violados. Tudo isso está contribuindo para que continue existindo violência", afirma. De acordo com a professora, também é essencial que a sociedade se manifeste sobre o assunto, para não naturalizar determinadas atitudes e brincadeiras que não são normais.

O Curso de Psicologia atua há 15 anos na região e promove diversas ações em relação ao racismo, capacitações em relação ao atendimento dos funcionários para com as pessoas LGBTQI+, ações para mulheres, entre outros. "Trabalha em prol da não violação dos direitos, até porque o princípio fundamental do nosso código é a garantia de direitos humanos", diz. Além disso a Psicologia está em todas a região, por meio de estagiários que atuam no fórum, no hospital regional, nas unidades de saúde, na assistência social, no Cras (Centro de Referência de Assistência Social), no Caps (Centro de Atenção Psicossocial), e nas escolas.

A delegada responsável pela DPCAMI de São Miguel do Oeste, Lisiane Junges, afirma que o número de ocorrências de violência contra a mulher representa uma parcela muito significativa dos atendimentos da Polícia Civil no estado, o que pode dar a dimensão da questão. Só neste ano foram 52 casos de feminicídio registrados em Santa Catarina.

Lisiane comenta também que a sociedade pode tomar partido nessa questão, e que existem muitas coisas que podem ser feitas. "O machismo existe, e existe nas mais diferentes áreas, então várias iniciativas podem ser tomadas. O primeiro passo é expor o problema, de forma responsável e técnica, para que as pessoas reconheçam que efetivamente ele existe", informa.

Ela também recomenda que mulheres que sofram qualquer tipo de violência, por mais que ela aconteça há muitos anos, devem procurar ajuda. Conforme Lisiane, por causa da democratização da internet este debate tem sido mais recorrente e dessa forma os resultados estão começando a ser vistos, mesmo em se tratando de um avanço lento. "Hoje nós já temos a Lei Maria da Penha e as medidas protetivas, então o amadurecimento do debate vai trazendo resultados gradativos", afirma. Esses avanços têm promovido conforto para mulheres que atualmente encontram-se nessa situação e não tinham coragem para falar. Lisiane afirma que se elas percebem que podem receber ajuda, tem mais chances de procurá-la.

Ela também reforça que a DPCAMI de São Miguel do Oeste passou a atuar em novo endereço, na Rua Marques do Herval, nº 188, Centro. O telefone permanece o mesmo, (49) 3622-6546. Além da polícia, mulheres ainda podem procurar ajuda por meio da Delegacia da Mulher On-line, telefonar para a Central de Atendimento à Mulher no número 180 ou ainda, em casos extremos, quando o companheiro não deixa a mulher sozinha, assinalar um X vermelho na mão e ir até uma farmácia, onde será acolhida.

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