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Histórias da nossa gente

Histórias da nossa gente
Folha do Oeste

Conhecer a história do nosso povo é resgatar lembranças que até hoje fazem brilhar os olhos daqueles que lutaram e permaneceram no município, defendendo suas famílias, suas origens e reivindicando dias melhores.

Com 73 anos e um dos primeiros homens nascidos em São Miguel do Oeste, Albino Mingori relata a experiência vivida na pequena Vila Oeste.

Filho de Pacifico João Mingori e Angela Mingori, ele conta que as dificuldades enfrentadas não se comparam aos dias atuais. "Enfrentávamos muitos insetos, feras do mato, as casas eram muito pobres, com frestas largas e por isso os mosquitos atacavam  e para conseguir medicamentos era muito difícil. Lembro que iam de cavalo pelo rio Uruguai, atravessavam o Rio das Antas com os cavalos para irem até Chapecó, isso levava uns quatro dias", explica.

A falta de médicos, estradas, carros e a distância das demais cidades, era um agravante preocupante, principalmente quando alguém adoecia.

Mingori relata que precisou ser operado aos cinco anos de idade, durante uma crise intensa de apendicite.  Naquela época, o Padre Aurélio Canzi comunicou o médico Maximino Rezende, que estava em Caxias do Sul. "O doutor falou que viria até a Vila Oeste na próxima semana, então o Padre Aurélio disse que se ele não viesse ele iria me operar sem anestesia, porque eu ia morrer se não fosse feito a cirurgia logo. O doutor Rezende adiantou a viagem e conseguiu me operar", detalha.

Mingori explica que  até os nove anos andava descalço. "Podia ser frio, chuva, barro, que meus pés estavam descalços. Consegui comprar calçado trabalhando na roça, colhendo milho. Eu ganhava pouco, mas fui juntando o dinheirinho e  consegui comprar", relembra.

Ele ainda recorda a época das balsas, onde era realizado o transporte da madeira. Outro fato marcante foi a Febre do Tifo. A epidemia surgiu e a transmissão foi muito rápida, com grande número de pessoas infectadas. "Muita gente morreu. Foi um episódio  terrível e triste que presenciei", comenta Mingori.

 

EXPERIÊNCIAS

 

Com muitas histórias para contar, Mingori descreve a sensação em que dirigiu um caminhão pela primeira vez, aos 13 anos.

"Eu tinha muita vontade de trabalhar e aprender a dirigir, então, era um sonho. A vontade de ser alguém na vida era tanta que ser caminhoneiro me fazia sentir mais importante que o presidente da República", conta sorrindo.

Em 1963, Mingori  incorporou e foi fundador do Batalhão da Polícia do Exército de Brasília, onde permaneceu por um ano, quando houve a renúncia do então presidente João Goulart, o Jango, em 1964.

"Goulart era um homem muito simples, que se sentava à mesa junto dos militares na hora das refeições. Conversei muitas e muitas vezes no Palácio do Planalto, assim como estou conversando com vocês", relata.

O comando do país nas mãos de Jango marcou o início de um período de profundas modificações na organização política do país, bem como na vida econômica e social.

FAMÍLIA

 

Quando o assunto é família, Mingori se emociona. A união e o respeito sempre estiveram presentes  no cotidiano da família.

"Eu vivo por eles, meus filhos e netos são tudo para

mim. Possuem um valor incalculável"

 

Ele  conta que  antigamente não aceitava a morte, era muito briguento e apavorado. "Hoje, o dia que a morte chegar aceito ela, não  quero  que ela venha, mas estou preparado. Estou com meu coração feliz e muito tranquilo", descreve.  

Albino Mingori e a  esposa,  além de companheiros de vida, são parceiros também na pescaria e no jogo de baralho.

"Temos amigos e nos reunimos com frequência para jogar baralho. Fizemos almoços e intercalamos as visitas. As vezes a gente até dorme lá na casa deles para poder jogar mais",  conta.

Ele ainda revela que o hobby é a pescaria.  "As vezes saímos cedinho, assamos uma carne e ficamos pescando  o dia todo", complementa esbanjando um sorriso e afirmando ser um bom pescador.

Já me despedindo da família, fiquei de marcar uma pescaria com o Sr. Albino Mingori, para ele me ensinar a pescar. Tenho a certeza que terei muitas histórias para ouvir e espero viver com a mesma intensidade, gentileza, bondade e humildade. Muito mais que uma fonte, ganhei um parceiro e vô de coração. Gratidão é a palavra.  

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