Vigília da PM ganha força em todo o Estado

Ontem o deputado sargento Soares esteve em São Miguel do Oeste para apoiar a manifestação

A vigília de esposas e familiares de policiais e bombeiros militares vem ganhando força em todo o Estado, onde os manifestantes protestam pelo cumprimento da Lei 254, que previa reajuste salarial em janeiro de 2003, e contra as represálias sofridas pelos PMs dentro dos quartéis. A vigília era realizada em dois pontos do Estado ? em Florianópolis e em SMOeste. Hoje iniciam os protestos nos municípios de Lajes e Chapecó.

Na terça-feira, dia 13, o deputado estadual sargento Amauri Soares, um dos lideres do movimento comandado pela Aprasc (Associação dos Praças de Santa Catarina), esteve em São Miguel do Oeste. Segundo ele o movimento tem tido um apoio massivo da sociedade e as vigílias devem continuar pelo menos até o inicio de fevereiro. \"Pretendemos fazer outras atividades em lugares de grande concentração de pessoas e temos a certeza de que se a segurança pública está ruim a culpa não é nossa, já que o nosso movimento é tranqüilo, sem interferência no trabalhos dos quartéis\",

A presidente estadual do PT, Luci Choinacki, também esteve no local onde estão concentrados os manifestantes, em uma sala comercial na esquina das ruas Duque de Caxias e Almirante Tamandaré, no centro de São Miguel do Oeste. Conforme ela é preciso apoiar a causa. \"Tenho acompanhado do movimento e já recebi muitas denúncias de possíveis punições e intimidações, só que isso já está fora de moda, vivemos em outro processo e a ditadura já acabou a muito tempo. Enquanto isso continuar, o movimento só tende a crescer, pelo menos até que se chegue a conclusão de que vivemos em uma sociedade democrática já que todos sabem que quem mais trabalha e cuida do povo é o praça, aquele que vive na comunidade e que precisamos respeitar. Por todos estes motivos apoiamos o movimento, como uma questão política, mas muito mais como uma questão humanitária\", enaltece.

Depois que os militantes da Aprasc trancaram as entradas de vários quartéis do Estado em dezembro, os militares anunciaram possíveis perseguições e represálias dentro dos Batalhões para quem teria participado da paralisação. O cabo da reserva remunerada, Josué de Toledo, diz ter sido um dos que já sofreram com as represálias. Toledo estava na reserva a cerca de um ano quando voltou a trabalhar no 11º Batalhão, como contratado. \"Eu não faltei nenhum dia ao trabalho e depois o comando da 9ª Região pediu a rescisão do meu contrato, só por que nos horários de folga eu acompanhei a minha esposa na manifestação. Outro colega meu de São José do Cedro também foi dispensado e essa é uma forma de intimidar os nossos colegas, já que eu fui dispensado em uma reunião na frente de cerca de 20 PMs. O regime dentro do quartel é de uma verdadeira ditadura\", considera.

Toledo também confirmou boatos de que o comandante da 9ª Região de Polícia Militar de São Miguel do Oeste, Luiz Guerini, teria atropelado três pessoas com uma viatura da PM quando mulheres de militares se concentraram em frente ao posto da 9ª Região para conversar com ele. Segundo o cabo da reserva, o coronel teria mandado o motorista da viatura seguir com o carro mesmo com os manifestantes na frente, sendo que uma das pessoas, filho de um militar, ficou agarrado em cima da viatura até nas proximidades do Hotel San Willas, onde reside o coronel. \"Essa foi uma atitude de uma pessoa despreparada para exercer a função de comando, que não teve a postura de conversar com os manifestantes\", conta.

O deputado Soares destacou que quem sofre com essas represálias é a própria comunidade. Ele cita como exemplo a extinção do Pelotão de Patrulhamento Tático no 11º Batalhão de São Miguel do Oeste. Anteriormente o comando da PM já havia informado que a dissolução do PPT nada teria a ver com represálias, sendo que sua extinção já estava prevista.

Para que o movimento não se disperse, foram organizados diretorias que se revezam. Uma das integrantes do movimento, a esposa de militar Lia Rauber da Silva, destacou que o objetivo é mostrar que ninguém está de braços cruzados e para que não existam punições contra os militares que paralisaram as atividades no mês de dezembro. \"Não temos previsão para encerrar essa vigília. Nossa luta é por tempo indeterminado, mas não queremos que ninguém pague por essas ações que são realizadas por familiares destes militares. Essa é uma luta justa, não temos o que temer e não estamos fazendo nada de errado. Participamos de um movimento pacífico\", enfatiza.

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