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Uma ponte que o Oeste espera há décadas
Por Marlene Fengler
Secretária-geral da Alesc
A aprovação do Projeto Básico de Engenharia da ponte sobre o Rio Uruguai, ligando Itapiranga a Barra do Guarita, no Rio Grande do Sul, é uma daquelas notícias que merecem ser comemoradas pelo Extremo Oeste catarinense.
Ao longo da minha trajetória pública, perdi a conta de quantas vezes ouvi essa reivindicação em reuniões pelo Oeste catarinense. A ponte sempre aparecia entre as prioridades da região e, por isso, ver o projeto avançar tem um significado especial para quem acompanha essa luta há tantos anos.
Ainda existem etapas importantes pela frente, como o licenciamento ambiental, que precisa ser concluído, e os recursos que precisam ser garantidos para que a licitação aconteça. Entretanto, a aprovação do projeto pelo DNIT representa um passo decisivo para transformar uma reivindicação histórica em realidade.
A estrutura com aproximadamente 1,2 quilômetro de extensão e mais de 11 quilômetros de acessos viários, tem um investimento estimado em cerca de R$ 379 milhões, um valor expressivo, mas que precisa ser analisado pela importância estratégica que essa ligação terá para Santa Catarina e para o Rio Grande do Sul.
Muitas vezes, quando falamos de uma ponte, a discussão fica restrita à obra em si, mas basta olhar para a realidade do Extremo Oeste e entender que estamos falando de algo muito maior. Quando coordenei a Bancada do Oeste durante meu mandato como deputada estadual, entre 2019 e 2022, ouvi inúmeras vezes essa reivindicação. Em reuniões com prefeitos, vereadores, empresários, cooperativas e lideranças regionais, a ponte aparecia como uma necessidade para toda a região, não era uma demanda apenas de Itapiranga, minha terra natal.
Talvez porque quem vive no Oeste conheça bem as dificuldades impostas pela distância e sabe o que significa depender de uma balsa para atravessar o rio ou percorrer trajetos mais longos para chegar ao destino. E sabe ainda mais que, para uma região que produz tanto, tempo e logística fazem diferença.
Estudos apontam que a nova ligação poderá reduzir significativamente o percurso entre diversas cidades catarinenses e gaúchas, eliminando a necessidade da travessia por balsa e encurtando rotas utilizadas diariamente para transporte de mercadorias, deslocamento de trabalhadores e circulação de serviços e isso interessa diretamente ao Extremo Oeste.
São Miguel do Oeste, por exemplo, é referência regional em comércio, saúde, educação e prestação de serviços e todos os dias, pessoas de dezenas de municípios circulam pela cidade em busca de atendimento, negócios e oportunidades. Uma ligação mais eficiente entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul fortalece essa dinâmica regional e amplia as possibilidades de crescimento econômico de toda a região, aliás, uma região que trabalha muito e que espera há tempos por investimentos estruturantes.
Também não podemos esquecer a força do agronegócio e das cooperativas que movimentam a economia do Oeste. A região responde por uma parcela significativa da produção catarinense de proteína animal, leite e grãos e melhorar as condições de transporte significa reduzir custos, aumentar a eficiência logística e criar condições mais favoráveis para quem produz, gera empregos e riquezas para nosso estado e país.
As grandes obras de infraestrutura costumam ser lembradas pelos números que movimentam, mas eu prefiro olhar também para aquilo que elas representam: uma ponte aproxima pessoas, facilita a circulação de conhecimento, estimula novos negócios e cria conexões que muitas vezes vão além da economia.
O Extremo Oeste aprendeu, ao longo da sua história, que as conquistas não acontecem por acaso, mas são resultado de mobilização, persistência e da capacidade de unir diferentes lideranças em torno de objetivos comuns e a ponte sobre o Rio Uruguai é um desses objetivos. Depois de tantas décadas de espera, a região tem motivos para acreditar que está mais perto de atravessar essa ponte do que nunca, mas é preciso que sigamos mobilizados para que a obra continue avançando e vire realidade.
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