Um transtorno chamado anorexia nervosa

O primeiro transtorno alimentar foi identificado no Século XVII (a anorexia histérica) e na época era raro encon

O primeiro transtorno alimentar foi identificado no Século XVII (a anorexia histérica) e na época era raro encontrar um caso da doença. Hoje, com a valorização excessiva da aparência pelas modernas culturas ocidentais, que impõem a magreza como padrão de beleza, os casos têm aumentado.

Um grande número de homens e mulheres estão preocupados com a aparência e trabalham para melhorá-la. Essa influência social, associada à fragilidades biológicas e emocionais e a um histórico familiar de transtornos psicológicos, faz com que as pessoas mais vulneráveis passem a achar impossível ser feliz com um corpo \"feio\" e desenvolvem uma relação doentia com a comida.

Desejar ardentemente ter um corpo perfeito não causa um problema emocional, mas aumenta a possibilidade de que ele apareça, especialmente na adolescência, quando a personalidade ainda não está plenamente formada. Os jovens sentem-se na obrigação de ter uma aparência perfeita e saudável, ainda que para isso tenham que sacrificar a saúde e o bem-estar.

As vítimas preferidas da anorexia nervosa são as garotas na faixa dos 17 anos. Completamente obcecadas pelo peso e aparência, param de se alimentar, e quanto mais emagrecem mais se acham obesas. Muitas provocam vômito ou usam laxantes, diuréticos e/ou exageram nos exercícios para emagrecer; não conseguem enxergar a sua magreza e, mesmo sentindo as conseqüências da inanição, raramente percebem que o problema é a perda de peso.

Os principais sintomas da anorexia nervosa são: depressão, fobia social, insônia, queda de cabelo, anemia, desidratação, intestino preso, intolerância ao frio, osteoporose, temperatura e pressão baixas, pele pálida e ressecada e problemas cardiovasculares; e as mulheres param de menstruar.

Muitas pessoas se recuperam da anorexia, mas a maioria tem recaídas por longo tempo. Para outras, a doença se torna crônica e cerca de 10% delas morrem, um índice de mortalidade 12 vezes maior do que todas as outras doenças que ocorrem em mulheres entre 15 e 24 anos de idade. As causas das mortes podem ser inanição, infecções ou desequilíbrio de substâncias no sangue, ou todas essas juntas, ou ainda suicídio.

O tratamento dos transtornos alimentares busca restabelecer o equilíbrio do funcionamento do corpo, o peso considerado normal para a pessoa e, o mais difícil, a saúde mental e o comportamento alimentar adequado.

Como esses transtornos são produtos de uma complexa interação entre aspectos biológicos, psicológicos, familiares e socioculturais, devem ser tratados por uma equipe composta por endocrinologista, psiquiatra, psicoterapeuta e nutricionista, todos em estreita cooperação.

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