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Trânsito continua sendo problema
Estacionamentos e semáforos geram as maiores polêmicas
Muito se discutiu nos últimos anos sobre o caos que se tornou o trânsito de São Miguel do Oeste, mas apesar de muitas sugestões para solucionar o problema, a impressão da população é de que a cada dia o trânsito está pior. Encontrar uma vaga para estacionar é praticamente impossível em ruas como a Sete de Setembro, Santos Dumont, Almirante Tamandaré, 15 de Novembro, entre outras. Circular, principalmente em horários de pico, em locais como no acesso à Unoesc ou em toda na Marcílio Dias exige muita paciência dos motoristas e também dos pedestres. Nesta semana, um morador de São Miguel do Oeste encaminhou ao Jornal Folha do Oeste e também à Câmara de Vereadores uma reclamação, onde são citadas muitas das recomendações feitas pelo Poder Legislativo em 2008 e 2009 sobre o trânsito do município, mas nenhuma delas foi executada pela prefeitura. Na nota, o morador conta que enviou essa reclamação à prefeitura e que obteve como resposta do chefe de gabinete do prefeito Nelson Foss da Silva essa resposta: "A fixação das rótulas não influencia no fluxo do trânsito e nem causará melhora no mesmo. Quanto às sinaleiras quem decide é o Cotrasmo, um Conselho que não é escolhido pela Administração e é soberano, e ao município cabe executar suas decisões", consta na nota. O que continua preocupando muito, segundo cita o morador Marcos Oliveira, é que não se sabe de quem é a responsabilidade pela execução das obras necessárias. Segundo o presidente da Câmara de Vereadores de São Miguel do Oeste, Nini Scharnoski, a Câmara tem feito inúmeras sugestões, aprovado moções - quase sempre por unanimidade dos vereadores, o Cotrasmo tem deliberado as propostas e o que falta é a execução da prefeitura. "A impressão que dá é que a Câmara de Vereadores não tem poder, porque a Câmara faz indicações e não é atendida, mas não são os vereadores que têm que ser atendidos e sim a população, a qual nós representamos. Na minha opinião, a resposta do Poder Executivo tem que ser com ações práticas. A Câmara cobra, o Cotrasmo delibera, o município executa e se resolve o problema", destaca. Entre as reivindicações da Câmara nos últimos anos, o presidente enfatiza a instalação de semáforos em esquinas como da Oiapoc com a Salgado Filho, da Marcílio Dias com a Sete de Setembro e da Avenida Getúlio Vargas com a Willy Barth, além de soluções para os estacionamentos, como a retirada de canteiros, pintura das faixas e poda das árvores. Sobre o orçamento da prefeitura destinado a essas mudanças, Scharnoski destaca que o orçamento de cada secretaria pode ser remanejado com a aprovação da Câmara, além do que, dinheiro o município tem. "No meu ponto de vista, dinheiro não é o problema. O município tem condições e os recursos também têm que ser buscados. O que estamos vendo é cobrança da sociedade, pedidos dos vereadores, trabalho do Cotrasmo, falta somente a tomada de atitudes da prefeitura, porque é de responsabilidade total e exclusiva do município, onde se criam o Conselho de Trânsito e as secretarias para resolver o problema. Em algumas coisas nós temos que ter paciência e esperar, mas outras têm que ser em regime de urgência, porque quando se trata de qualidade de vida e de segurança para o cidadão, tem que se trabalhar 24 horas por dia para resolver. Como vereador, eu fico indignado com a falta de atitude da Administração nas providências com o trânsito. Alguma coisa tem que ser feita, porque eu não gostaria que alguém morresse no trânsito de SMOeste para que as providências fossem tomadas", enaltece o presidente. Já para o presidente do Cotrasmo (Conselho de Trânsito de São Miguel do Oeste), Marcelo de Wallau da Silva, todas as ações para mudanças podem ser iniciativas do Conselho, mas em algumas situações o Conselho não tem atuado por questões de pautas das reuniões e também devido ao estudo de trânsito, principalmente sobre a implantação de semáforos. Conforme ele, a resposta do chefe de gabinete em parte é verdade, apesar de discordar de que as rotatórias influenciam, sim, no trânsito. Sobre os semáforos, no estudo de trânsito também consta um orçamento para a implantação dos equipamentos, que na época custaria em torno de R$ 30 mil. "Se for tomada a decisão de implantação de sinaleira, é preciso fazer uma licitação e isso demanda mais tempo para ser implementado. A maior dificuldade é fazer essa análise de necessidade que para depois de ser implantado, não se tenha algum problema que gere prejuízo para a Administração Pública", explica. Wallau também destaca que o Plano Diretor do município irá contemplar muitos pontos do trânsito de SMOeste, principalmente na execução de grandes obras sem a análise do impacto que isso terá no trânsito, como ocorreu com a própria Unoesc e que tem agora com o impacto de três mil alunos se deslocando todas as noites para a universidade. Na alegação da prefeitura de o Cotrasmo ser um órgão independente da prefeitura, Wallau destaca como é formado o Conselho. Segundo ele, tomam parte representantes da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, do Cidetran, da Polícia Militar, da Delegacia Regional da Polícia Civil, da Acismo, do CDL, do Sindicato dos Condutores Autônomos de Transporte de Carga, da Secretaria de Educação, do Setor de Engenharia da Prefeitura, do Departamento Municipal de Trânsito e da Coordenadoria de Educação. "Existe uma lei que regulamenta a atuação do Cotrasmo, assim como a competência da Administração", destaca. ESTUDO DE TRÂNSITO Segundo Wallau, um estudo de trânsito feito pelo engenheiro de trânsito Rui Pires durante a administração passada trouxe algumas sugestões de melhorias no trânsito. Algumas destas sugestões já foram implementadas, principalmente as questões sobre a sinalização, a definição de roteiros de ônibus e a implantação dos pontos de carga e descarga. Conforme o presidente, algumas mudanças demandam estudos maiores dos efeitos, como por exemplo a implantação de uma rotatória na Rua Oiapoc, no acesso à Unoesc, o que iria dificultar a circulação dos ônibus e então seria preciso a mudança da rota dos coletivos. "Temos que ter uma visão mais ampla, porque não se pode resolver um problema e acabar ocasionando outro", explica. Entre medidas urgentes, o presidente, assim como Scharnoski, cita a poda das árvores e a pintura das faixas. Sobre a possibilidade da implantação de estacionamento rotativo no município, é preciso analisar se ele vai ser pago ou não, porque se não for, pode não surtir o efeito desejado. "Se for pago, necessita de um Projeto de Lei, que teria que partir de um vereador ou do prefeito. O Conselho não tem uma opinião formada a esse respeito, mas na minha opinião deveria ser feito", destaca. Wallau também conta um fato curioso sobre o estacionamento em SMOeste. Segundo ele, certo dia, uma gerente de uma loja ligou para o Conselho pedindo autorização para estacionar um caminhão fora do ponto de carga e descarga para descarregar os produtos. Como resposta, o presidente falou que não, porque ela teria que parar sobre a via e então venho a resposta da proprietária de que o estacionamento defronte à loja estava ocupado pelos veículos dos funcionários da loja e que eles iriam tirar todos para o caminhão parar. "Essas são situações que têm mudar e o estacionamento rotativo seria uma das soluções", explica. AÇÕES Diante desse assunto, o secretário de Desenvolvimento Urbano de São Miguel do Oeste, Jaime Pretto, enfatiza que a Administração não está ignorando essas indicações, e que os trabalhos vêm sendo realizados na medida do possível. Quanto ao estacionamento rotativo e à colocação de sinaleiras, Pretto destaca que quem define se é necessária a implantação é o Cotrasmo. "Todo assunto relacionado ao trânsito passa pelo Cotrasmo, então mesmo tendo a indicação dos vereadores, o Cotrasmo vai analisar o assunto e tomar uma posição se vai haver a implantação de sinaleiras ou não. Houve indicações das pessoas, independente de indicação na Câmara, relativo a lombadas e rótulas, e essas já foram aprovadas pelo Conselho e nos próximos dias iremos executar. Se aprovado pelo Cotrasmo, a administração executa, e se não tiver verbas vamos conseguir. Mas a princípio existem verbas para a colocação dessas sinaleiras", evidencia. Pretto ressalta que a realização do Plano Diretor no município de São Miguel do Oeste é uma oportunidade para que a população discuta o futuro do trânsito do município. "Eu vejo a possibilidade de as decisões relativas à Engenharia de Trânsito serem discutidas nas audiências do Plano Diretor, com a equipe técnica da prefeitura e da Unoesc. Na medida em que houver a comprovação de que é necessário a contratação de um engenheiro de trânsito, de repente para um determinado período para se fazer um estudo, podemos contratar. Mas vamos aguardar as próximas reuniões do Plano Diretor para ver como vai ser desenvolvido esse assunto", finaliza.
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