Dejetos humanos passarão por um processo de compostagem, com a
eliminação de todo o líquido, e a matéria seca poderá ser utilizada como adubo
A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Dionísio Cerqueira realizou na manhã desta quinta-feira (9) o ato de inauguração do Sistema de Tratamento de Dejetos Humanos do município de Palma Sola. O evento foi organizado em parceria com a prefeitura de Palma Sola,na linha São Roque, local onde está construído o Sistema de Tratamento. O Sistema de Compostagem de Dejetos Humanos de Palma Sola é um projeto-piloto no Brasil e tem aproximadamente 310 m² de área construída na linha São Roque, distante 1 km do perímetro urbano. O projeto é uma parceria do Governo de Santa Catarina, via SDR Dionísio Cerqueira e prefeitura de Palma Sola. A obra teve um custo de R$ 289.625,78, sendo que o Governo do Estado auxiliou com R$ 163.949,96.
O prefeito de Palma Sola, Claudiomar Crestani, destacou a importância do projeto para o meio ambiente, sendo que a idéia de construir um sistema de tratamento de dejetos humanos em Palma Sola foi iniciada há quatro anos e hoje, depois de muito trabalho, ela se tornou realidade. Conforme Crestani, a parceria com o Governo do Estado, via SDR Dionísio Cerqueira, marca um novo passo para a busca de soluções ambientais em todos os municípios catarinenses.
O secretário Regional, Flávio Berté, representou no ato o governador Leonel Pavan e destacou o pioneirismo do projeto em Santa Catarina e no Brasil, pois ele tem por objetivo principal buscar uma alternativa que amenize a falta de uma rede coletora para o esgoto, além de dar aos dejetos humanos domiciliares coletados pelo município uma destinação final que não cause danos ao meio ambiente e ainda possibilite a sua utilização na forma de composto orgânico.
COMO FUNCIONA
Em entrevista anterior ao Folha do Oeste, o engenheiro agrônomo da prefeitura, Edenilso Zuanazzi, destacou que o projeto foi aprovado em forma de pesquisa, haja vista que é o único no país de que se tem relato. Segundo ele, o município de Palma Sola não possuiu nenhum sistema de coleta e tratamento de esgoto domiciliar, proveniente de fossas e por isso a necessidade do novo projeto. ?Esses dejetos eram coletados e depositados no meio ambiente, em locais impróprios para esse resíduo. Sem tratamento algum, estávamos apenas transportando o problema de um local para o outro. Então, surgiu a ideia de fazer um sistema simples de tratamento, resolvendo o problema. Esse é um problema antigo, que já contaminou redes de água. Antigamente, até poços de água desativados eram utilizados como fossas, causando um problema ainda maior ?, destaca.
De acordo com Zuanazzi, os dejetos serão coletados normalmente pelas empresas, mas em vez de serem despejados no meio ambiente, passarão por um processo de compostagem, sendo eliminado todo o líquido. ?No equipamento é colocado uma camada de serragem sobre um piso e sobre essa serragem é posto o dejeto coletado na cidade. Depois, o composto será mexido pelo equipamento instalado, provocando a fermentação. Essa fermentação provoca o aquecimento, fazendo com que a água evapore e fique apenas a matéria seca contaminada por coliformes fecais. Estes coliformes, devido à frequente fermentação, propiciam a eliminação dos contaminantes, transformando a matéria orgânica em adubo para diversas culturas agrícolas?, explica.
Esse produto, oriundo da compostagem, segundo o agrônomo, poderá ser utilizado como adubo em plantações. ?Depois do produto pronto, no prazo de um ano ele pode ficar amontoado, ainda fermentando, ou, conforme resultado das análises, já ser utilizado nas lavouras e produção de mudas. Nas mudas de hortaliças, ainda temos um pouco de receio com relação a isso, mas pode ser utilizado na produção de árvores e flores tranquilamente?, enfatiza.
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