Projeto de pesquisa viabiliza o cultivo de oliveiras

Projeto de pesquisa viabiliza o cultivo de oliveiras
Folha do Oeste

Apresentando resultados promissores, a pesquisa busca meios para o desenvolvimento da olivicultura na região

Iniciado em 2005, o Projeto Oliveiras realizado em várias partes do Estado, é uma parceria entre a Epagri e o Governo de Santa Catarina. Em Campo Erê, o projeto conta com o apoio do Cedup (Centro de Educação Profissionalizante). Lá, mais de 300 oliveiras de 33 cultivares diferentes estão dispostas em uma área de aproximadamente três hectares. De acordo com o professor de fruticultura Jones Maschio, o intuito é estudar e analisar as plantas e constatar quais delas melhor se adaptam à região e a partir disso difundir para os agricultores. ?Dessas 33 cultivares, umas 27 são para extração de óleo (azeite de oliva) e as demais são para conserva?, comenta. No Cedup, conforme Maschio, as oliveiras têm de cinco a seis anos. Enquanto se  verifica quais cultivares melhor se desenvolvem na região, os alunos do Cedup recebem orientações, por meio de aulas práticas, e garantem o bom desenvolvimento das oliveiras. Por intermédio do professor, os estudantes é que são os responsáveis pelas podas, pelos tratamentos e coramentos das plantas.

O horto vai para o terceiro ano de produção, sendo que no primeiro ano chegou a produzir cerca de 100 quilos de azeitonas. O professor de fruticultura diz que o azeite procedente dos campos demonstrativos de Campo Erê, São Lourenço do Oeste e Chapecó atingiram a classificação denominada extra virgem, comparável aos melhores do mundo, com índices de acidez entre 0,3 e 0,7. ?Isso é uma garantia e uma comprovação de que há a possibilidade de os agricultores produzirem oliveiras na região, já que cerca de 95% do azeite consumido no país vêm de fora, principalmente da Itália, Argentina, Chile e Uruguai, que são grandes produtores?, comenta.
 
AMEAÇAS
As maiores ameaças para o cultivo de oliveiras na região, segundo o professor, são os excessos de chuvas, o vento constante, a geada e as doenças fúngicas. No oeste, a chuva, quando cai, pode perdurar por até 15 dias, e se isso ocorrer durante a florada, poderão advir problemas no desenvolvimento da planta. O vento constante também se torna um empecilho. ?Campo Erê sofre muito com ventos constantes, de seis a dez quilômetros por hora, principalmente no período que antecede às chuvas?, diz. As geadas também são fatores que podem acarretar perdas. Apesar de serem propensas a climas frios, as oliveiras podem não se desenvolver sob fortes geadas; esse fenômeno para a planta é muito mais prejudicial que a neve, comum nos países que mais produzem azeitonas. ?Na região, algumas plantas acabaram perdendo todas as folhas devido as fortes geadas?, relata Maschio. Outro problema a ser combatido são as doenças fúngicas, com destaque para a antracnose, uma doença que incide principalmente nas brotações e nos ramos jovens, ápices e nas folhas. Os principais sintomas são: manchas escuras irregulares, incidindo principalmente nas bordas, causando deformações nas folhas novas. As condições favoráveis ao desenvolvimento dessa doença são sombreamento e umidade excessiva. Danos causados por insetos e geadas também favorecem a instalação do fungo. ?Na primeira safra, a antracnose foi o grande problema, já que quase 70% da nossa produção foi atacada por essa doença causada por fungos. Para combater isso, usamos fungicidas?, conta.
 
ESTAQUIAS 
No horto em Campo Erê, as plantas foram desenvolvidas por meio do método denominado estaquias, essa técnica é usada como meio de reprodução assexuada e é muito utilizada nas produções de mudas de plantas, principalmente as ornamentais e frutíferas. O método consiste no plantio de um ramo ou folha da planta, desenvolvendo-se uma nova planta a partir do enraizamento das mesmas. ?Toda a planta que é propagada por estaquias tem como principal característica possuir raízes fasciculadas e não profundas?, diz Maschio. Isso pode se tornar um problema em regiões de ventos constantes. Para isso, é importante realizar o tutoramento, que tem como principal objetivo impedir que os ventos mais fortes movimentem bruscamente a planta, podendo gerar lesões na raiz. ?Com o passar do tempo, quando a planta tiver cerca de 15 anos, já não vai mais se fazer necessário o tutoramento, porque o sistema radicular, que constitui as raízes, já vai estar bem estruturado?, ressalta. Em Campo Erê o sistema de estaquias foi empregado em todas as plantas. 
 
PRODUÇÃO
Do quarto para o quinto ano de vida é que a oliveira começa a produzir; a partir daí pode gerar frutos por até mil anos. ?Existem oliveiras na Itália com mais de mil anos e que ainda produzem. Lá, é muito comum cultivar a planta de forma ornamental?, revela. Uma planta milenar, conforme Maschio, pode chegar a valer até US$ 100 mil. 
Quanto à viabilidade e produção, o especialista acredita que será possível cultivar oliveiras na região e consequentemente no Estado, mas isso ainda deve ser mais bem estudado, pois ainda é um pouco cedo para se chegar a uma conclusão. ?Ainda estamos em fase de pesquisas e esse foi o propósito, verificar quais melhor se adaptam e apresentam produtividade gradativa sem intercalações?, diz, acrescentando que, dentre as 33 cultivares, pelos menos três poderão ser utilizadas e dispostas aos agricultores. ?Temos cultivares que mostraram boa adaptação, no entanto ainda é muito cedo pra dizer qual delas se adaptará melhor à nossa região, ainda estão sendo testadas?. Para o professor Maschio, com mais cinco anos de pesquisa dará para se chegar a uma conclusão. Em Campo Erê, as oliveiras que mais se destacaram até o momento são as que produzem frutos para extração de óleo. Já as usadas para a conserva precisam ser mais bem analisadas e estudadas.
 
RENTABILIDADE
Maschio destaca que a rentabilidade em se produzir oliveiras pode superar os lucros provenientes de pomares como os de laranja, de uva, de pêssego e até de plantações, como milho, por exemplo. A rentabilidade também está ligada aos bons preços pagos pelos produtos, além do mercado ser muito amplo. ?Enquanto na produção de laranja somos autossuficientes, compramos 95% do óleo que é consumido no Brasil. O mercado ainda está engatinhando e tudo indica que esse é um segmento promissor?, destaca Maschio, enfatizando que inicialmente estão sendo feitas as pesquisas, mas que também são importantes ?os incentivos governamentais para que o agricultor tenha dinheiro para bancar uma produção?. Para se ter ideia, uma muda igual àquela disponibilizada no horto, em Campo Erê, custa em torno de US$ 250.
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