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Revenda da Casa Paroquial gera polêmica em SMOeste
Paróquia vendeu o imóvel por R$ 500 mil e em 20 dias a casa foi revendida por mais de R$ 1 milhão
Muitas dúvidas ainda cercam o caso da revenda da Casa Paroquial da Igreja Católica de São Miguel do Oeste. A maior delas é como que, em torno de 20 dias, o mesmo imóvel, construído há cerca de 25 anos, pode valer R$ 550 mil a mais do que o avaliado na primeira venda.
Durante a primeira negociação nenhuma dúvida restava. A Paróquia demonstrou interesse na venda, procurou corretores de imóveis para avaliações e vendeu o terreno e a casa para AEPAC (Associação Estadual de Pequenos Agricultores) por R$ 500 mil. Pouco mais de duas semanas depois da transação, a AEPAC revendeu o imóvel, com um lucro de mais de meio milhão de reais, para a Crehnor (Cooperativa de Crédito Rural de Pequenos Agricultores).
O padre Domingos Costa Curta disse que a idéia de vender o imóvel surgiu ainda em 2005, quando os padres e pessoas ligadas ao Conselho de Pastoral pensavam em um local mais novo, melhor arejado e mais calmo para instalar a Casa Paroquial. Por um tempo a idéia permaneceu , mas somente em novembro de 2007 os representates da Igreja Católica e das comunidades pertencentes a ela voltaram a pensar na possibilidade. Foi nesse período que a Paróquia entrou em contato com corretores do município para saber por quanto poderia ser vendido o imóvel, terreno este que comporta somente a casa na Rua Marcílio Dias, ao lado da Prefeitura Municipal, e não toda esquina que também pertence à igreja. Na época foram realizadas três avaliações e uma delas, no valor de R$ 400 mil, foi registrada em cartório.
Para ver se todas as comunidades concordavam com a venda, a Paróquia expôs o assunto na reunião anual para prestação de contas, realizada em dezembro. \"Nesse dia ficou definida a venda e se alguém soubesse de um possível comprador o valor aproximado era de R$ 400 mil. Ninguém se interresou de momento e somente no começo de maio deste ano um possível comprador apareceu. Foi quando pedimos uma nova avaliação, que apontou um reajuste para R$ 480 mil e nós pedimos R$ 500 mil. Na época o AEPEC aceitou e fizemos a negociação. Imediatamente, eles pagaram à vista. Nesta época houve um atraso no repasse da escritura, já que o terreno teve que ser desmembrado. Enquanto esse processo era realizado, nós já pensávamos em adquirir um novo terreno para a construção da nova Casa Paroquial. Depois que escolhemos o terreno, no bairro Agostini, fomos atrás do projeto, que foi realizado pelo arquiteto Luiz Gustavo Spazzini que o realizou com desconto, já que se tratava de uma obra para a igreja. Devido aos trâmites legais de aprovação do projeto na prefeitura, pudemos fazer as tomadas de preço somente em julho. Foi nesta época que a igreja repassou a escritura da casa para o comprador\", explica.
Esse repasse da escritura foi realizado na prefeitura no dia 8 de julho. No documento de transmissão onerosa de bens consta o nome dos vendedores e compradores, e o valor declarado na venda - R$ 500 mil. Transcorridos exatos 20 dias, no dia 28 de julho, consta na prefeitura o documento de uma segunda venda, realizada pela AEPAC para a Crehnor, no valor de R$ 1,050 milhões. E neste ponto está a maior dúvida. O padre Domingos informou que em momento algum a Crehnor procurou a Paróquia ou manifestou interrese na compra do terreno. Conforme ele, A AEPAC afirmou que tinha um gasto aproximado de R$ 3 mil em aluguéis e que iria utilizar o imóvel para instalar seus escritórios. As avaliações apontaram menos de R$ 500 mil. Procurados pelo Folha do Oeste, tanto os representantes da AEPAC quanto o presidente da Crehnor não foram encontrados, já que segundo informações de seus representantes ambos estariam viajando e somente eles poderiam responder sobre o assunto.
Na cidade também existiam especulações de que o Ministério Público estaria investigando o caso, mas até a tarde de ontem nenhuma das promotorias da comarca de São Miguel do Oeste, assim como a Secretaria do Fórum e o Ministério Público Federal não haviam recebido nenhuma informações ou denúncia sobre o caso.
Também não se sabe o que a Crehnor pretende fazer com o imóvel, que conforme contrato assinado entre a Paróquia e a AEPAC, na época da primeira venda, só estará vago no início de 2008, já que o prazo para a Construtora Astor Kist, que realiza a obra da nova Casa Paroquial, tem até dezembro de 2008 para entregar tudo pronto. Além do valor pago pelo terreno, a Paróquia já deu para a construtora R$ 330 mil, totalizando R$ 490 mil no empreendimento. \"Dessa forma pode-ser perceber que não houve lucro nenhum para igreja, a não ser que tenhamos uma casa maior e nova com praticamente o mesmo valor\", destaca o padre Domingos.
O padre também enfatizou que teve conhecimento sobre a segunda venda na semana passada e que na última segunda-feira procurou os antigos compradores, que estavam viajando e ainda nada falaram sobre assunto. De acordo com ele, a venda já havia sido feita e a igreja não teve nenhum envolvimento com essa segunda transação. Depois da transação, uma circular foi encaminhada a todas as 76 comunidades pertencentes à Paróquia São Miguel Arcanjo relatando com detalhes as informações da venda.
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