Região terá laboratório de análise de leite

Anúncio sobre investimento no setor foi feito essa semana pelo reitor da Udesc

Com o objetivo de buscar alternativas e soluções para a análise de leite da região, considerada polo leiteiro, na tarde de segunda-feira, dia 21, a Associação Comercial e Industrial de Pinhalzinho reuniu lideranças para manifestação pública em prol da implantação do Laboratório da Análise de Leite nas dependências da Udesc, campus de Pinhalzinho. Atualmente, nenhum laboratório é certificado em Santa Catarina e a demanda de análises do setor leiteiro do Estado é enviada para os estados do Paraná e Rio Grande do Sul.

Durante o evento, o reitor da Udesc, Sebastião Iberes Lopes Melo, afirmou que a universidade construirá o laboratório de leite e também um setor específico para pesquisas, as usinas, onde serão pesquisadas as características do leite da região Oeste, além de novas possibilidades tecnológicas para aperfeiçoar a produção leiteira.
Além da apresentação dos projetos pelos representantes da Udesc, foi falado da necessidade de agilizar a compra dos equipamentos para as novas instalações.

Conforme o reitor, se a sociedade organizada e representantes políticos participarem de forma efetiva, o processo será muito mais ágil. De acordo com as explicações, entre as vantagens da instalação do laboratório de leite na região, estão: agilidade nas análises permitindo maior controle de qualidade, e deste modo agregando maior valor ao produto; credibilidade das análises pelo fato de este laboratório ser de uma universidade; importante ferramenta para os técnicos de cooperativas e produtores se ajustarem com eficiência à Normativa 51. Pode-se fazer ajustes na alimentação, no manejo e analisar o produto final - leite -, para saber se o objetivo foi alcançado, além do que os produtores recebem mais pela qualidade do leite.

Segundo o reitor, a estrutura física tem previsão para ser concluída em agosto de 2012 e atenderá aos alunos do curso de Engenharia de Alimentos da Udesc de Pinhalzinho. A Udesc dispõe dos recursos para as obras físicas, mas ainda busca recursos para a aquisição dos equipamentos dos laboratórios. De acordo com o coordenador do Curso de Engenharia de Alimentos, Gilmar de Almeida Gomes, a universidade investirá R$ 2 milhões na construção da obra, contudo, mais de R$ 2 milhões serão necessários somente para equipar o laboratório de leite. Segundo ele, este montante será fruto de parcerias e lutas parlamentares.

“A instalação deste laboratório será uma grande conquista para toda a região. O laboratório de análise terá como objetivo a prestação de serviço, para analisar o leite das indústrias e dos pequenos agricultores. Um segundo laboratório terá a finalidade de servir como espaço de pesquisa para os estudantes. Com estas instalações, a Udesc vai ganhar pois terá a interação com os produtores e empresas, e estes serão beneficiados por ter este espaço à disposição. Vai ser bom para todo mundo”, considera o coordenador.

Segundo o deputado estadual Dirceu Dresch, a luta agora é para equipar os laboratórios. Ele afirmou que levará essa demanda ao Fórum Parlamentar Catarinense para discutir emendas ao Orçamento da União. E também vai buscar recursos junto aos ministérios do Desenvolvimento Agrário, Ciência e Tecnologia, e Agricultura. Para Dresch, o investimento no laboratório é fundamental, uma vez que a região tornou-se um polo leiteiro, com uma das maiores concentrações de laticínios no Estado.

Hoje, com o fechamento do laboratório de análise de leite na Udesc de Concórdia, as agroindústrias e cooperativas precisam enviar as amostras para atestar a qualidade do leite a laboratórios do Rio Grande do Sul e do Paraná, o que aumenta os custos e a demora. De acordo com ele, só a unidade de laticínios da Aurora coleta cerca de 30 mil amostras de leite por mês. Para o deputado estadual, o laboratório é uma necessidade de toda a região.

“Por este motivo, viemos somar forças nesse processo para auxiliar naquilo que for possível. Ao tornar este laboratório realidade, iremos trazer uma importante ferramenta para auxiliar nossos produtores de leite nos avanços de qualidade e ajustes técnicos, inclusive da Normativa 51”, apontou o deputado.

COMPROMISSO CANCELADO

Ao abordar sobre a instalação de um laboratório de análise em Pinhalzinho, a equipe de reportagem encontrou nos arquivos publicados no jornal Folha do Oeste, um compromisso firmado em 2006 que foi esquecido. Em 14 de dezembro de 2006, o Governo do Estado, por intermédio da SDR (Secretaria do Desenvolvimento Regional) de São Miguel do Oeste, através da Cidasc, assinou o termo de compromisso com a Unoesc, campus de São Miguel do Oeste, para implantação do Laboratório de Análise de Leite. A assinatura aconteceu na vice-reitoria da universidade e contou com a presença do então secretário regional, Jorge Welter, do reitor da Unoesc, Aristides Simadon, do vice-reitor, Vitor D’Agostini e demais autoridades e representantes do setor produtivo.

O termo previa a implantação de um laboratório completo para análise de leite, visando atender à demanda de exames do produto das indústrias e produtores do setor leiteiro do extremo oeste, além de municípios do Paraná e Rio Grande do Sul. A princípio, o laboratório seria instalado na unidade do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial Santa Catarina) de São Miguel do Oeste.

Mas devido à política interna do Senai para realizar a prestação de serviços, não foi possível a instalação do laboratório. Depois disso, a Unoesc, que já era parceira na idealização do projeto, anunciou que cederia o espaço físico necessário para a implantação da unidade laboratorial. Ainda em agosto daquele ano, a proposta da Unoesc foi aceita pelo Comitê Gestor, formado pelo secretário regional, pelo vice-presidente da Fiesc, Astor Kist, representantes de empresas e produtores de leite e demais entidades ligadas ao setor produtivo.

Após a universidade ter encaminhado ofício se dispondo a implantar o laboratório, uma equipe técnica da Cidasc analisou os locais para a adequação e implantação da unidade e deu parecer técnico favorável. Porém, até novembro de 2011, nenhuma obra foi edificada com esta finalidade. O motivo segundo o vice-reitor, Vitor D’Agostini, é que a RBQL (Rede Brasileira de Controle da Qualidade do Leite) do Ministério da Agricultura não permitiu a criação do laboratório.

Segundo a justificativa encaminhadas em agosto de 2009 à universidade, o Ministério não estaria credenciando mais nenhum laboratório em Santa Catarina, pois na época, havia um em funcionamento no município de Concórdia. Conforme D’Agostini, até então havia a expectativa da construção do laboratório de análise em SMOeste, porém, este anúncio do Ministério a iniciativa foi abortada.

De acordo com vice-reitor, o acordo previa que a universidade fosse responsável pela edificação da obra, administração do trabalho e mais a aplicação de 20% dos equipamentos, o Governo do Estado investiria em 30% dos equipamentos, a Cidasc assinaria os laudos e as empresas da região seriam parceiras neste projeto. “Estava tudo certo, inclusive foram feitos até orçamentos das máquinas. Só precisariamos agora, depois de alguns anos, rever valores e parcerias.

Mas com o parecer do Ministério, vimos que não teriamos mais êxito e desistimos. O objetivo era resolver o problema da região, e isso vai acontecer agora em Pinhalzinho. Acredito que a partir dos resultados das análises podem ser desenvolvidos uma série de projetos para que a região tenha o melhor leite do país. Mas para isso não basta somente a análise, é preciso que se faça todo um trabalho de estudo em cima disso. São Miguel do Oeste não perde nada, pois Pinhalzinho atenderá a toda a região”, considera.

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