Reflorestamento: lucro e proteção ao meio ambiente

Reflorestamento: lucro e proteção ao meio ambiente
Folha do Oeste

Em Barra Bonita, agricultores recebem incentivo para reflorestar e garantir uma renda extra na propriedade rural

O termo reflorestamento está ligado à atividade de replantar florestas, ou seja, que já existiram, mas que foram desmatadas por algum motivo. Portanto, não é o mais correto se falar em reflorestamento em uma área que nunca foi coberta por florestas, embora ocasionalmente o termo seja usado para designar também o plantio em qualquer área. Denomina-se “florestamento” a implantação de florestas em áreas não florestadas naturalmente. Os objetivos desta prática variam, podendo ser comerciais, onde há produção de produtos madeireiros e não-madeireiros, ou ambientais, com a recuperação de áreas degradadas e melhoria da qualidade da terra, por exemplo. Tem seu lado positivo, pois o solo nunca ficará sem nutrientes. Mas por outro lado, aquela região poderá ficar sem mata nativa. O reflorestamento é um ato de consciência ambiental que deve ser realizado com cautela, independente de ser para fins comerciais ou ambientais.
No município de Barra Bonita, a prefeitura articulou um projeto denominado Pró-Florestal e o objetivo, segundo o secretário de Agricultura e Meio Ambiente, Sadi Pandolfo, é incentivar os agricultores a reflorestar e possibilitar um ganho extra na propriedade. Implantado há quase quatro anos, o projeto já reflorestou aproximadamente 100 hectares em propriedades. “A prefeitura ajuda os produtores com 50% das mudas, do adubo e do veneno contra insetos”, diz Pandolfo. Os agricultores interessados podem reflorestar, por ano, até cinco hectares na propriedade. O programa respeita e segue as normas ambientais, ressalta o secretário. A prefeitura também auxilia no plantio e na preservação permanente de árvores nativas nas propriedades.
Um dos pequenos agricultores que decidiu aderir ao projeto é Antonio Favretto. Em sua propriedade na linha Araponga, interior de Barra Bonita, Favretto florestou uma área com mais de quatro hectares. “Pensei em reflorestar uma parte, pois é um bom investimento para o futuro. O retorno [dinheiro] não é de imediato, mas pensando futuramente vou ter um bom lucro”, diz. Na área onde hoje estão plantados eucaliptos, anteriormente Favretto possuía uma pequena criação de vaca de corte para carne, mas, segundo ele, não havia muitas vantagens no negócio. “Pensei em iniciar o reflorestamento e não estou arrependido. Isso é uma aposentadoria garantida para o futuro”. Afirma.
Favretto comenta que antes de iniciar o plantio do eucalipto para o reflorestamento é feito um rastreamento no espaço de terra onde serão plantadas as pequenas mudas que são criadas no município pelo técnico Genésio Trevisan, com supervisão e auxílio do criador Joares da Costa. Esse rastreamento deve ser iniciado em torno de 40 a 60 dias antes do plantio e é imprescindível, pois irá detectar a presença de formigas e outros insetos que podem danificar as mudas. Posteriormente, há todo um processo de adubação orgânica e química do solo, além da escavação dos buracos onde serão inseridas as mudas dos eucaliptos. O agricultor diz que, depois desse processo, deve-se manter um cuidado diário com as pequenas árvores, pois a incidência de formigas pode comprometer todo o trabalho. No entanto, para combater isso, os produtores fazem uso de venenos. “Tem que ficar pelo menos de um ano e meio a dois anos, cuidando diariamente, porque as formigas podem ocasionar uma perda de muda muito grande, gerando prejuízos”, enfatiza Favretto.
O reflorestamento é aconselhado em áreas em que o produtor não realiza mais o plantio ou pedaços de pastagens usados para criação de gado. De um modo geral, as áreas de terras que não estão sendo produtivas na propriedade. “Mas a pessoa tem que ter outra alternativa de renda para sobreviver, até que as árvores cresçam” ressalta Pandolfo. O crescimento para uma possível comercialização da madeira leva de cinco, de sete anos para mais. No caso de Favretto, ele tem uma outra área de terra onde planta outros produtos para consumo e também trabalha fazendo fretes. Com o auxílio da prefeitura municipal de Barra Bonita através do Pró-Florestal, a maior despesa dos produtores no reflorestamento, segundo o agricultor, é a mão de obra serviçal, além de cuidar das árvores quando novas. Para iniciar o plantio, Favretto teve de contratar aproximadamente cinco pessoas para auxiliá-lo. Depois, por mais de um ano contou com o auxílio de um empregado que ajudava na manutenção dos eucaliptos. Condições climáticas também podem comprometer o crescimento dos eucaliptos reflorestados. A época mais apropriada para iniciar o plantio, de acordo com Favretto, é o início da primavera, entre agosto e setembro, onde a incidência solar não é tão intensa. “Em épocas quentes não dá para plantar. O calor mata muitas mudas e no início, para poder se desenvolver o eucalipto, precisa de umidade”. Plantar durante o inverno também não é muito aconselhado em virtude das geadas, que podem danificar as mudas. A seca também é um fator que pode vir a comprometer o plantio. “Nessa área passei por um período de seca que tive que regar muda por muda para não perder as árvores que murcham e morrem com a falta de água”.

 

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