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Projeto de Identificação de Bovinos completa dois anos
Normas burocráticas adotadas pela Secretaria de Estado da Agricultura de Santa Catarina quanto à emissão de GTA (Guia de Transporte de Animais) e registro através de brincos presos nas orelhas dos bovinos, popular “brincagem”, são criticadas pelos criadores por gerar transtornos aos agropecuaristas. O animal que se encontra dentro do Estado que não tiver o brinco é considerado clandestino e deve ser abatido, por força de lei.
De acordo com o tesoureiro da Associação de Bovinos do Extremo Oeste de Santa Catarina e criador de gado de corte em São Miguel do Oeste, Moacir Piroca, quando um animal é vendido, a Cidasc (Companhia de Integração e Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina) exige que tanto o comprador como o vendedor registrem o animal. Ocorre aí uma transferência de responsabilidade no que tange à sanidade animal. “Imagina um criador, que mora a 15, 20 quilômetros ou mais, ter que se deslocar até a Cidasc cada vez que vender uma cabeça de gado para emissão da documentação e depois retornar na propriedade para buscar os animais”, comenta o criador, sugerindo que a Cidasc tivesse plantão para facilitar o acesso.
Em audiência realizada através da comissão de Agricultura, da Assembleia Legislativa, o deputado estadual Sérgio Godinho sugeriu que essas normas sejam semelhantes às aplicadas ao setor do comércio e indústria, isto é, com a emissão de notas de transporte, pelo produtor, e prestação de contas mensal aos órgãos do Governo, elimina-se a burocracia que tanto tem causado transtornos aos agropecuaristas e comerciantes de gado. Outra boa alternativa, segundo Piroca, seria agilizar a emissão da GTA via internet; isso, de acordo com o criador, facilitaria muito para os agropecuaristas.
No entanto, a “brincagem”, segundo Moacir Piroca, tem suas vantagens. “O produtor pode organizar melhor o rebanho através do brinco e ter um controle melhor sobre a propriedade e sobre a criação”. Os animais são brincados com o intuito de melhorar o plantel para ter um diferencial, “mas até hoje o produtor não ganhou nada com isso”, diz o criador.
O coordenador de pecuária da Cidasc, Carlos Torres, em matéria anterior, esclareceu que a brincagem é importante para que a Cidasc mantenha o controle dos animais que existem dentro do Estado, pois o cadastro permite identificar onde o brinco se encontra, qual o proprietário pegou esse brinco e rastreia os animais no transporte dentro e fora do País, além de possibilitar o controle dos focos de possíveis doenças. “A brincagem também facilita a abertura de novos mercados, pois as exigências dos países compradores são cada vez maiores, e o produtor que apresentar qualidade e controle agregará valor, qualidade e segurança a carne”, frisa.
O produtor aponta ainda outras dificuldades na criação dos animais. “Não se consegue trazer genética nova de outros estados, pois em Santa Catarina não entram animais vivos”. Para o pecuarista, os produtores necessitam de reprodutores para melhorar as raças e inovar a genética. “Só se consegue por inseminação ou transferência de embrião, mas isso se torna bem mais caro. E aqui na região também não há pessoas capacitadas para fazer transferência de embriões, falta mão de obra especializada”, diz.
Produtores alegam infecção com a brincagem
Na região do Extremo Oeste, segundo o tesoureiro da Associação de Bovinos, alguns produtores já relataram que ocorreram alguns casos de infecções na orelha dos animais em função do brinco. “Se o brinco for aplicado em cima da nervura do animal pode sangrar e prejudicar, isso trará problemas para o animal, podendo infeccionar e causar um hematoma”, relata Piroca. Para isso, o criador ressalta que se deve tomar muito cuidado. O prazo para brincar o bezerro é de até 90 dias.
No sul do Estado, pecuaristas decidiram suspender a “brincagem” para identificar animais livres da febre aftosa sem vacinação até que seja marcada uma reunião com a Secretaria de Agricultura. Eles atribuem aos brincos as infecções que têm provocado perda de gado, tanto de corte quanto leiteiro, desde 2008.
O gerente regional da Cidasc de Criciúma, Wilmar Warmling, pediu cautela aos pecuaristas. E sugeriu que a “brincagem” seja realizada no gado com oito meses de vida, assim os riscos de infecções poderiam ser reduzidos.
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