Presos acusados de sonegação de impostos na

Ex-prefeito de Campo Erê, Darci Furtado, é acusado de ser o chefe da quadrilha, que envolvia empresários e produtores

Já são 11 as pessoas presas por envolvimento na sonegação de impostos provenientes do comércio de fumo em folha no Paraná e em Santa Catarina. A \"Operação Fumo\" foi desencadeada no domingo, dia 20, por policiais civis do Nurce (Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos), com o apoio da Denarc (Divisão Estadual de Narcóticos) de Maringá, Cascavel, Pato Branco e Foz do Iguaçu, e de policiais do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) de Santa Catarina. Outras seis pessoas ainda não foram presas e estre ela está o ex-prefeito de Campo Êre, Darci Furtado, acusado de ser o chefe da quadrilha, que abria diversas empresas em nomes de ?laranjas? para compra e venda de fumo sem pagamento de impostos, principalmente do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).

Além das prisões, os policiais cumpriram 29 mandados de busca e apreensão nos estados do Paraná e Santa Catarina, onde foram confiscados diversos carros e caminhões, talões de cheques, documentos de empresas, dinheiro, computadores e diversos blocos de notas das empresas.

Segundo o delegado-operacional do Nurce, Alexandre Bonzatto, a quadrilha é acusada de causar um prejuízo estimado em R$ 50 milhões aos cofres públicos do Paraná desde 2002, quando começou a praticar as atividades fraudulentas naquele estado. \"Para sonegar os impostos, a quadrilha, liderada por Darci Furtado, abria diversas empresas e firmas individuais, em nome de ?laranjas?, geralmente desprovidos de bens materiais. Essas pessoas vinham de diversos lugares e eram, na maioria, técnicos em contabilidade, profissionais e pessoas do meio rural que tinham conhecimento do cultivo e comércio de fumo, que conscientemente passavam a atuar em acordo na atividade ilegal da quadrilha\", informou o delegado à Agência Nacional de Notícias do Paraná.

O delegado destacou ainda que Darci Furtado, líder da quadrilha, está foragido. \"Não conseguimos prender Furtado durante a operação, mas os advogados do acusado deverão apresentá-lo à polícia nos próximos dias\", enfatizou.

Segundo a polícia, as empresas eram abertas sempre no início de cada ano em nome de \"laranjas\" e eram fechadas em maio, período que se encerrava a safra de fumo na região. Após o período de safra de fumo, as empresas encerravam suas atividades e os supostos sócios desapareciam, sem terem recolhido aos cofres do Paraná os valores de ICMS incidentes nas operações comerciais efetuadas. Depois de algum tempo, os ?laranjas? apareciam em outras empresas, seja trabalhando ou constituindo empresas do ramo do comércio de fumo, sempre a serviço de Darci Furtado.

A polícia informou, ainda, que as empresas eram abertas em Santa Catarina e as folhas de fumo eram compradas no Paraná, sem nota fiscal. \"Após comprarem as folhas de fumo no Paraná, eles repassavam a mercadoria até as fábricas produtoras de fumo, localizadas principalmente no Rio Grande do Sul. Por ano, a quadrilha deixou de pagar R$ 12 milhões em ICMS aos cofres públicos a cada safra\", destacou Bonzatto.

O delegado destacou ainda que a quadrilha atuava nas cidades de União da Vitória, São Mateus do Sul, Rio Azul, Irati, Rebouças e Piên, no Paraná, e ainda em Porto União, Maravilha e Sombrio, em Santa Catarina, por serem grandes produtores e fornecedores de fumo. \"Devido ao grande prejuízo causado pela quadrilha aos cofres públicos, a Justiça decretou o seqüestro de todos os bens de todos os envolvidos com a atividade criminosa\", finalizou o delegado.

Bonzatto informou que as investigações iniciaram em outubro de 2006, quando a \"Operação Integridade\" foi realizada por policiais da 4ª Subdivisão Policial de União da Vitória/PR e do Nurce, e acabou com a prisão de auditores fiscais da 4ª Delegacia da Receita do Estado do Paraná de União da Vitória, que recebiam propina para facilitar a sonegação de ICMS. \"Um dos auditores fiscais preso durante a ?Operação Integridade? entregou à polícia um dossiê contendo algumas das empresas envolvidas no esquema de sonegação de impostos do comércio de fumo. A partir daí passamos a investigar este caso e, depois de todas as provas colhidas, os mandados de prisão temporária foram solicitados e expedidos pela Justiça\", informou o delegado.

PRESOS

Entre os presos estão um irmão, um filho e um genro de Darci Furtado, além de vários comerciantes e agricultores que eram ?laranjas?. Além de Darci Furtado, a Polícia procura mais um foragido de Campo Êre e outros quatro de Maravilha.

Já estão presos em União da Vitória:

- Romeu Rodrigues de Paula, de 47 anos, residente em Barracão/PR, acusado de manter o controle fiscal de todas as empresas da quadrilha e cuidar de pagamentos de valores. Segundo a polícia, era o homem forte da quadrilha. Preso em Barracão.

- Celso Selias Vaz, de 39 anos, sócio de Darci Furtado nos negócios de fumo. De 2002 a 2005 foi sócio de uma empresa de folhas de fumo, com sede em Barracão. Atualmente cuidava dos negócios nas cidades de Sombrio e Abelardo Luz. Foi preso em Sombrio/SC.

- Ademir Friske Menegassi, de 34 anos, irmão de Darci Furtado. Sócio de uma das empresas de Darci Furtado, em Maravilha, cidade onde foi preso.

- Lindomar Reges Furtado, de 28 anos, filho de Darci Furtado, tem em seu nome uma empresa em Rio Azul/PR, que foi cancelada pelo Fisco por falta de pagamento, mas que funcionou intensamente e não declarou sua movimentação. De acordo com o policial, possui patrimônio considerável, mas sua declaração de renda não tem qualquer expressão. Ele foi preso em Canoinhas/SC.

- João Dirceu Furtado, de 51 anos, também irmão de Darci Furtado e sócio de uma empresa de Darci em General Carneiro/PR, por onde era movimentado o dinheiro da quadrilha. João também foi preso em Maravilha.

- Cláudio Luiz Ledur, foi contratado por Romeu Rodrigues de Paula, contador-chefe da quadrilha, para tratar do registro das empresas do grupo nas repartições públicas e fazer a contabilidade. Ele foi preso também no domingo, em São Mateus do Sul/PR.

- Márcio Antônio Guarda, de 31 anos, foi preso em União da Vitória como ?laranja?. Ele também já foi sócio de algumas empresas de Darci Furtado e atualmente administrava o comércio de fumo em outra empresa da quadrilha.

- Leandro da Rosa, de 29 anos, também era ?laranja? e foi sócio de uma empresa de Darci Furtado, com matriz em Barracão e filial em Rio Azul/PR. Atualmente administrava o comércio de fumo de uma outra empresa da quadrilha, em Sombrio, onde foi preso.

- Clóvis Ortiz, também ?laranja?, abriu uma firma individual que era administrada por Zanir Jacob Centa. Atualmente exerce a função de gerente de uma empresa de propriedade de Darci Furtado, em General Carneiro/PR. Ortiz foi preso em Faxinal dos Guedes.

- Silvonei Cordeiro, de 35 anos, outro ?laranja, que abriu uma firma individual em Irati/PR e em Rebouças/PR a mando de Darci Furtado. Ele foi preso em Guarapuava/PR.

- Luis Carlos Gomes de Oliveira, de 32 anos, também era ?laranja?, já que abriu uma firma individual a mando de Darci Furtado, com matriz em São Mateus do Sul/PR e filial em Rio Azul/PR, onde foi preso.

A operação contou com a participação de 80 policiais paranaenses e 30 catarinenses.

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