Prefeitura aguarda licença da Fatma para obras no Rio Guamerim
Enquanto as obras não saem do papel, moradores do bairro São Luiz sofrem com os constantes alagamentos
Por 20 anos, moradores do bairro São Luiz, em São Miguel do Oeste, aguardam por uma solução dos diversos problemas na Rua John Kennedy, nas proximidades do Caic. Uma vala, a céu aberto, conduz a água de toda a rua até o Rio Guamerim. Quando chove muito, a água dessa vala sobe e alaga as ruas. Até então, a prefeitura alegava que não era possível realizar obras no local, pois a referida vala passa por um terreno particular. No início deste ano, depois que a água invadiu residências próximas, os proprietários do terreno doaram o trecho destinado à tubulação. Segundo os proprietários, são cerca de dois mil m². Desde então, as obras de tubulação dependem da prefeitura.
Conforme o diretor do Departamento de Organização Comunitária da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, Adriano Peruzzo, as obras na Rua John Kennedy dependem de uma licença ambiental da Fatma para desassoreamento do leito do Rio Guamerim, onde deságua a tal vala. Segundo ele, o proprietário do terreno cedeu a área, toda a documentação já está em dia e a máquina que fará os trabalhos já foi licitada. “Estamos aguardando a liberação da Fatma para executarmos a obra. A contratação da máquina já foi licitada e deve estar à disposição dentro de 10, 15 dias, porém não temos certeza quanto aos prazos da Fatma. Queremos solucionar o problema desses moradores. O restante da documentação está correto, só dependemos dessa liberação e sem isso não podemos mexer em nada”, explica.
Peruzzo explica que as obras na John Kennedy dependem das obras em toda a extensão do Guamerim, desde a linha Santa Catarina até o bairro Salete. “Vamos abrir e afundar todo o leito do rio para então canalizarmos essa vala da John Kennedy que deságua no Guamerim e depois pensarmos na construção de calçamento nesse local. É uma situação que vem de vários anos, a rua não tem tubulação e com qualquer chuva não há escoamento e alaga. É preciso fazer a canalização de todas essas águas, que vêm de outras ruas de calçamento e acumula nesse local, que é mais baixo. É nosso interesse querer resolver isso, mas é preciso consciência da população também, é muito lixo, muita sujeira que vai acumulando e trancando o leito do rio. Já licitamos 900 horas/máquina, a um custo de cerca de R$ 40 mil, para dragagem e limpeza do rio, mas esperamos solucionar 99% desses problemas em toda a extensão do Guamerim”, enfatiza.
Na Gerência Regional da Fatma, a informação é de que o projeto para desassoreamento do Rio Guamerim está em analise, porém não há previsão de conclusão dos trabalhos e liberação das obras.
População à mercê do clima
Ivone Cantú reside em frente ao terreno onde a vala está aberta e afirma que sempre que chove muito, a água sobe e alaga a rua. “Na minha casa, não entra porque construímos o muro, mas a água já chegou no portão. Os meus vizinhos sofrem, a água entra nas casas e, mesmo quando chove menos, alaga a rua e ninguém consegue sair. Isso é uma vergonha para São Miguel do Oeste. O vizinho doou o terreno e ainda assim a prefeitura não arruma isso”, manifesta.
A moradora conta que vive no bairro São Luiz há 17 anos e desde que se mudou para o local espera pelas obras de calçamento, sendo que todos os moradores estão dispostos a pagar, mesmo sabendo que muitos recebem as obras a fundo perdido. “Não tem tubulação, a água acumula na rua. É muito barro e estragou todo o gramado, vamos ter que colocar brita”, lamenta Ivone.
Cristiane Tuni, que reside há 11 anos no local, teve em dezembro de 2010 a casa alagada. Em fevereiro, a água voltou a subir e ficou a poucos centímetros de invadir a residência. Como as obras na rua não saem, Cristiane resolveu amenizar o problema construindo um muro, mas, segundo ela, a água ainda sobe e alaga a rua. “Eles falaram que em 60 dias iam resolver o problema, se passaram mais de cinco meses e nada, nenhuma resposta. Já ligamos na prefeitura, fomos na garagem e nada. Eles dizem que o problema é com o dono do terreno, mas é preciso realizar essas obras, com a colocação dos tubos. Agora, a água nem escoa mais pela vala, está tudo trancado. Fizeram obras em outra rua na parte de cima e agora a água vem do outro lado também. A água desce por todos os lados e a solução seria, além de canalizar a vala, colocar a tubulação em toda a rua, afora o calçamento, mas acho que isso nunca vai sair. São 11 anos morando aqui, e para não alagar a minha casa tive que comprar tubos e colocar na entrada, além de agora construir o muro”, desabafa a moradora.
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