Piscicultura em São Miguel do Oeste tem prejuízo de cerca de R$ 325 mil
Estiagem fez com que a produção de carne de peixe diminuísse em mais de 80 toneladas no município
A intensa estiagem que perdura no extremo oeste catarinense continua amargando prejuízos no campo. Em São Miguel do Oeste, o setor da aquicultura também contabiliza grandes perdas devido à seca. De acordo com o veterinário da Epagri e também presidente da Associação Municipal de Piscicultores, Benício Erbes, os prejuízos no município já são superiores a 40%. “Se perdeu e se deixou de produzir em torno de 82 toneladas de peixe”, quantidade que resulta em um prejuízo estimado em aproximadamente R$ 325 mil. “Se a estiagem não recuar, esse valor ainda pode aumentar”, destaca.
PSICULTOR
Desde 1996, o agricultor da linha Sete de Setembro, Atelmo Wolfart, trabalha com a piscicultura. Considerado um dos maiores produtores de São Miguel do Oeste, ele conta que em média chega a produzir anualmente de 60 a 70 mil quilos de carne de peixe em dez açudes da propriedade, que tem 9,6 hectares. Contudo, neste início de ano, o agricultor já calcula perdas de cerca de 50% devido à estiagem. “Neste ano, nossa produção deve ficar entre 25 e 30 mil quilos de carne de peixe. Era para termos ‘povoado’ em novembro [de 2011] os viveiros, mas até agora não conseguimos porque ainda não choveu”, relata Wolfart.
ALIMENTAÇÃO
Dos dez açudes dispostos para criação de peixes das espécies tilápia e carpa, o agricultor comenta que atualmente está trabalhando com apenas dois. Não bastasse a falta de chuva que prejudica o “povoamento” dos viveiros, o extensionista da Epagri destaca que, com a estiagem, o produtor também é obrigado a diminuir a alimentação dos peixes. Em média, na propriedade de Wolfart os peixes eram alimentados de cinco a seis vezes ao dia. Com a seca, não é possível tratar os cardumes mais de uma vez ao dia. Benício explica que essa diminuição na alimentação dos peixes se dá em função da oxigenação da água. “Devido a alguns viveiros secarem, é comum o produtor concentrar a maioria da produção em um ou dois açudes. Com isso, os restos de comida e as fezes dos animais ao se decomporem diminuem o oxigênio da água. Como os peixes também precisam de oxigênio, pode ocorrer uma mortandade”.
Durante o decorrer desta semana, choveu na propriedade do piscicultor em torno de 80 milímetros, contudo essa quantidade pluviométrica, de acordo com ele, não foi o suficiente para amenizar os problemas da estiagem. Wolfart calcula que o ideal seria uma chuva de pelo menos 120 milímetros em até dois dias. “Se chover bem nos próximos dias, dá para voltar a alojar os alevinos, mas somente para o ano que vem, porque para esse ano já era”, lamenta.
SEMANA SANTA
Há pouco mais de 40 dias para a Semana Santa, Benício destaca que as ofertas de carne de peixe podem apresentar pequena redução, mas os reflexos maiores da estiagem na piscicultura serão sentidos mais intensamente depois de setembro, pela impossibilidade de repovoar os viveiros e também pelo desenvolvimento dos peixes abaixo do esperado pelos produtores. “Para a Semana Santa, o peixe poderá estar um pouco menor que nos anos anteriores. Isso porque a produção dos peixes, que estavam na fase de engorda, acabou ficando ‘estacionada’, em razão da redução da alimentação”.
Wolfart, ao lado dos netos, em um dos açudes que está praticamente seco na propriedade
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