PCH Salto das Flores em fase final de construção
Empreendimento têm previsão de gerar energia ainda em agosto
Na tarde da última quarta-feira, diretores da PCH (Pequena Central Hidrelétrica) Salto das Flores organizaram praticamente uma expedição com os veículos de imprensa de São Miguel do Oeste para detalhar o andamento da obra junto ao Rio das Flores, na comunidade de linha Entre Rios. O percurso começou por onde iniciará a formação do lago, logo abaixo do local de captação de água da Casan de Paraíso, em linha Castelo Branco e seguiu. O segundo ponto de parada foi a tomada d’água, com um túnel de 1,4 km. De acordo com José Carlos Zandavalli Fiorini “Juca”, o desnível até as turbinas é de 110 metros. “O volume de água e o desnível fazem o potencial do rio”, disse.
No mesmo local, está sendo construído um mirante, que servirá como uma central de controle da Polícia Ambiental, prestando-se também para excursão de estudos das escolas, para ponto de orientações e também para confraternizações. Em seguida, os profissionais foram até a barragem, que tem 20 metros de altura. Para se ter uma ideia, além de concreto e ferro, a barragem é composta por argila e pedra. De 10 em 10 cm, ela foi toda compactada por rolos compressores. O alagamento total da usina será de 6 km e a área inundada equivalente a 100 campos de futebol, para uma geração de 6,7 MW. O montante de recursos investidos por três empresas e mais dois sócios será de R$ 45 milhões. Cerca de 300 operários já atuaram nas várias frentes de trabalho. Hoje, são cerca de 150 pessoas. Depois, foram apresentados e explicados os sistemas no conduto intermediário, mais um túnel de 670 metros, o shaft de 23 m x 8 m, que serve como uma chaminé de água, o duto forçado, a casa de máquinas, composta por dois geradores, duas turbinas e um transformador, além das linhas de transmissão de energia. A fé também está presente no canteiro de obras. Numa gruta, foi colocada a imagem de Nossa Senhora Aparecida. “É uma obra muito perigosa, com equipamentos pesados, uso de explosivo e em meio a muitas rochas. Felizmente, tivemos apenas dois acidentes e nenhum fatal”, afirmou Juca.
HISTÓRICO DA OBRA
Nos anos 60, aproveitando os incentivos do Governo Federal aos municípios, diversas prefeituras da região criaram o CIME (Consórcio Intermunicipal de Eletricidade), para construir pequenas centrais hidrelétricas e assim gerar energia para que os municípios pudessem usufruir. Começou então uma série de pesquisas na bacia hidrográfica regional e o Rio das Flores foi um dos mapeados. O rio nasce próximo ao Paraná e passa pelos municípios de Guarujá do Sul, São José do Cedro, Princesa, Paraíso, Bandeirante, Belmonte e Santa Helena, desaguando no Rio Peperi, na divisa com a Argentina. Estudos da época apontaram potencialidade para construir as PCHs nos então distritos de Paraíso e Bandeirante, pertencentes a São Miguel do Oeste. Em Bandeirante, o potencial da obra na época seria de 2,9 MW e a obra acabou sendo descartada, pois em Paraíso o potencial seria de 6,7 MW.
Ainda em 1960, começaram os trabalhos para construção do projeto PCH Salto das Flores e foram dados os primeiros passos, com abertura de caminhos na mata virgem e início dos estudos topográficos e técnicos. No local onde atualmente é a barragem, foi construída uma vila com 40 casas, um pequeno hotel para abrigar os funcionários, uma carpintaria, uma oficina mecânica, um abastecimento de água potável e um gerador de energia. Ali ficaram estabelecidas cerca de 200 pessoas, entre operários, técnicos e famílias, para iniciar a escavação, que seguiu até 1964. Durante quatro anos foram perfurados um total de 270 metros de um total de 1.400 metros.
Em 1965, com a posse do governo militar, todos os projetos de PCHs no Brasil foram analisados e reavaliados e como este estava em atraso, seu andamento foi cancelado. Desentendimentos políticos também influenciaram na decisão de parar a obra. Na época, isso causou uma grande frustração, pois todos acreditavam que em breve teriam o fornecimento de energia, que existia somente através de geradores e motores a combustível.
No começo dos anos 2000, a obra foi retomada, tendo à frente os empresários José Fiorini, Amadeu Bertuol e os irmãos Ricardo, Rogério e Roberto Barazzetti. Após se readequar a todas as exigências, a obra reiniciou em agosto de 2009 e a previsão para início da geração de energia é para agosto de 2011. Para tanto, os empresários buscaram parcerias e se associaram à empresa gaúcha SBS Engenharia, além de celebrar um contrato com a Eletrobrás, para a geração de energia pelo prazo de 20 anos, sendo esta integrada ao sistema da Celesc.
Conforme Juca, os maiores benefícios desta obra estão na geração de energia, de receitas especialmente para o município de Paraíso, além da exploração da potencialidade turística que surgirá no local, com o complexo formado pelo lago represado, pelo complexo da barragem e também pelos saltos no Rio das Flores, que ficam intocados, entre a barragem e a casa de força.
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