Governo do Estado entrega equipamentos agrícolas em evento no Oeste |
O impacto do clima na produção agrícola
Existe uma ampla relação entre clima e agricultura. Isso acontece porque as práticas agrícolas são extremamente dependentes das variações atmosféricas, o que quer dizer que alguns fatores, como a quantidade de chuvas, a temperatura e outros elementos, interferem na produção das lavouras.
Sendo assim, algumas espécies de vegetais são mais propícias de serem cultivadas em regiões que apresentam os tipos climáticos mais adequados para a sua manutenção. Apesar disso, a sociedade vem desenvolvendo técnicas para diminuir esses efeitos, como a criação de espécies híbridas e a construção de espaços artificiais que permitam o plantio de vegetais em localidades atípicas.
Portanto, a influência do clima na agricultura é um tema importante, de forma que conhecer as particularidades de cada espécie e também as condições geográficas do ambiente para o bom desempenho do setor agrário na economia.
A extensionista rural da Epagri, Simone Bianchini, explica que, em geral, os agricultores e Epagri estão satisfeitos. "A previsão era de muita escassez de chuvas, e isso já resultou em certa preocupação na cultura do milho. No entanto, no mês de dezembro e janeiro, houve altas temperaturas e umidade, o que resultou em uma boa produtividade", comenta a extensionista.
Simone comenta que a dificuldade do momento é com a colheita do milho para a produção da silagem, uma vez que há momento certo para realizar a colheita para essa finalidade.
A colheita do fumo também registrou algumas perdas referentes ao excesso de umidade. "Hoje, os agricultores estão na fase de classificação. A umidade facilita o processo de classificação e embalo desse produto", explica.
De acordo com o agricultor Neuto Dallavecchia, da linha Caxias, interior do município de São Miguel do Oeste, a umidade atrapalha um pouco a colheita.
"O chão está muito úmido, a planta começa a pegar doenças, pragas. Não temos muitas alternativas, então vamos fazendo, mesmo com as condições adversas do clima", destaca o agricultor.
Há vários eventos climáticos extremos associados ao aumento de temperatura global que podem afetar o setor agrícola.
As altas temperaturas diárias são responsáveis pela queda da produção agrícola, uma vez que interferem nas fases do ciclo fenológico das culturas e no desenvolvimento de órgãos vitais das plantas.
O aumento da frequência de chuvas e tempestades fortes pode causar problemas para a mecanização agrícola devido à inundação das áreas cultivadas. A pulverização com defensivos contra pragas e doenças será dificultada devido a ventos fortes ou chuva intensa.
É fundamental que a sociedade, de forma geral, incluindo as cooperativas, incorpore à gestão de riscos decorrentes das mudanças climáticas em seus processos de planejamento. Parte disto está associada à identificação da vulnerabilidade atual aos impactos de eventos climáticos.
SAFRA DEVE SER MENOR EM 2018
Santa Catarina espera uma safra de milho 16% menor este ano. As estimativas iniciais do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa) são de que o estado tenha uma redução na área plantada e também na produtividade do grão, resultando em uma colheita de aproximadamente 2,7 milhões de toneladas na safra 2017/18. Os números foram divulgados no Boletim Agropecuário deste mês.
Os produtores catarinenses devem destinar 332 mil hectares para o plantio de milho, uma área 12,36% menor do que na safra 2016/17. Essa tendência é observada também em nível nacional e segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil terá uma safra de milho 17,3% menor este ano.
A colheita menor tem impacto direto no setor produtivo de carnes em Santa Catarina. Como maior produtor nacional de suínos e segundo maior produtor de aves, o estado consome em média seis milhões de toneladas de milho todos os anos. De acordo com o secretário da Agricultura e da Pesca, Moacir Sopelsa, o estado começa já começa pensar em rotas alternativas para que o milho chegue com um preço mais competitivo em Santa Catarina. "Queremos aproximar o Paraguai e o mercado catarinense, através da região Oeste. Trazendo milho do Paraguai nós conseguimos um preço melhor do que aquele vindo do Centro Oeste, de onde nós normalmente compramos", ressalta.
Entre os motivos que levaram os agricultores catarinenses a abandonarem o cultivo de milho grão estão os altos custos de produção e o preço abaixo do esperado na última safra, fatores que tornaram a soja mais atrativa. Além disso, muitos produtores estão investindo na produção de milho silagem.
Região Oeste
Nos municípios do Vale Uruguai a colheita de milho grão já começou, porém com alguns problemas de produtividade devido à presença de pragas. Já a colheita do milho silagem avança rapidamente. Já em torno de Chapecó, Xanxerê e Concórdia as lavouras estão em fase de maturação com expectativa de uma safra normal. Na região de Joaçaba, Campos Novos, Curitibanos e Caçador, as lavouras foram afetadas pela estiagem em dezembro do último ano e devem ter uma produtividade até 10% menor.
Já na região de Campos de Lages, Região Norte e Alto Vale do Itajaí, as lavouras estão com bom desenvolvimento e deverão apresentar bom potencial produtivo.
Mais sobre:









Deixe seu comentário