Mulheres da região participam de curso de formação política
Aproximadamente 100 mulheres participaram do curso realizado pela da Escola do Legislativo
Aproximadamente 100 mulheres participaram nesta quinta-feira, dia 3, do curso de formação política para mulheres, realizado pela da Escola do Legislativo com a Comissão de Direitos e Garantias Fundamentais da Assembleia, a Ameosc (Associação dos Municípios do Extremo Oeste de Santa Catarina), o Sinte de São Miguel do Oeste, o Movimento de Mulheres Camponesas, o Movimento de Mulheres Trabalhadoras Urbanas e a Prefeitura de São Miguel do Oeste, no salão paroquial da Igreja de São Miguel Arcanjo, em São Miguel do Oeste.
A deputada Luciane Carminatti (PT), presidente da Comissão de Direitos e Garantias Fundamentais, de amparo à Família e à Mulher e proponente do curso, afirmou que o maior desafio das mulheres é conquistar direito a falar o que pensam. “O silêncio não nos ajuda”.
Segundo a parlamentar, a participação política não pode se resumir ao voto. “Se votei, tenho que acompanhar, fiscalizar, propor, caminhar junto”. Carminatti defendeu um debate integrado entre o campo e a cidade, para somar forças e alcançar mais vitórias e conquistas. “A luta das mulheres do campo e da cidade é uma só, contra a desigualdade, por isso temos que estar unidas”.
A parlamentar também lembrou o papel da Igreja na luta pela emancipação das mulheres, em especial de Dom José Gomes, bispo de Chapecó, já falecido. Carminatti criticou a inclusão no PPA 2012/15 de apenas uma ação voltada especificamente às mulheres, no caso a repressão especializada aos crimes contras as mulheres, crianças e idosos, com previsão de somente R$ 4 mil por ano, para atender cerca de 40 mil pessoas, ou seja, R$ 0,01 por cidadão.
Da mesma forma, a deputada criticou a previsão orçamentária para a área de assistência social, de 0,24% dos recursos. “Não tem dinheiro para as políticas sociais, mas têm 7% do orçamento no Fundosocial para os deputados fazerem política clientelista”.
O curso apresentou três painéis que abordaram formação política, autonomia e empoderamento das mulheres; violência contra mulheres; e políticas públicas para o setor. A advogada Joice Graciele Nielson, coordenadora de Planejamento e Projetos da prefeitura de Ijuí (RS), foi uma das palestrantes destacando o rompimento com o discurso da submissão e a capacitação das mulheres para o empoderamento, isto é, para a ocupação e exercício de cargos e funções públicas e privadas.
“Temos que passar a ver o mundo com os nossos olhos e não com o olhar masculino”. Segundo Joice, o exercício da política não se resume à militância partidária. “Política a gente faz no dia-a-dia, nas relações com as outras pessoas”.
Adriana Gagol, primeira dama de São Miguel do Oeste, parabenizou a iniciativa da Assembleia e da Escola do Legislativo.
Adriana reivindicou mais investimentos na formação política da mulher e afirmou que igualdade fixada na Constituição não é verdadeira, porque se fosse real não haveria necessidade de estipular cota de 30% nas eleições. “A maioria vai carregar pedras para apoiar os partidos.
Não é possível que tenhamos mais de 51% de mulheres na população do Brasil, quase 1/3 das famílias sustentadas por mulheres, mais de 30% ganhando menos nos mesmos cargos e mesmas funções. Alguma coisa tem que acontecer para mudar esse quadro e promover o empoderamento das mulheres”, ponderou Adriana.
Atualmente, a rede de atendimento à mulher em Santa Catarina dispõe de apenas 23 delegacias da mulher, sendo que no Oeste tem duas, uma em Chapecó e outra em São Miguel do Oeste; cinco casas abrigo; nove centros de referências; e 15 conselhos municipais de direitos.
Participam do curso cerca de 100 mulheres oriundas dos municípios do Extremo Oeste, além de vereadoras, lideranças comunitárias, representantes do Sinte, do Movimento de Mulheres Camponesas e do Movimento de Mulheres Trabalhadoras Urbanas.
O curso apresentou painéis que abordaram formação política, autonomia e empoderamento das mulheres
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