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Matemática: como ela é e como deveria ser
O palestrante paulista Antônio José Lopes (Bigode) mostrou que, além de muito conhecimento, também possui disposição e bom humor. Nem mesmo o cancelamento do vôo devido ao mau tempo no Estado, e as baixas temperaturas de SMOeste, fizeram com que Bigode, com mais de 30 anos dedicados aos estudos da matemática, desistisse de promover sua palestra de número 500.
Nesta edição, o tema do encontro foi abordado por Antonio José Lopes, estudioso da matemática, professor-pesquisador do Centro de Educação Matemática, graduado pelo Instituto de Matemática e Estatística da USP, mestre e doutorando em Didática da Matemática pela Universidade Autônoma de Barcelona, na Espanha. Presta consultoria didático-pedagógica a dezenas de instituições privadas e públicas, como escolas, fundações e institutos de pesquisa. Bigode atua ainda na TV Escola e dezenas de Secretarias Estaduais como São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul e Secretarias Municipais de Educação como São Paulo, Curitiba e Vitória, dentre outras. Além disso, atua discutindo e agindo sobre temas relacionados à Educação Matemática, além de ser educador, pesquisador, autor e jornalista.
Conforme o educador, a matemática é um instrumento importante para o exercício da cidadania e o objetivo é que o aluno pense matematicamente, não somente durante as provas de matemática. Porém, para que isso ocorra, o professor deve deixar de lado o ensino tradicional. Hoje, o método de decorar conteúdo ainda é muito utilizado nas escolas e isso acontece na matemática também. No entanto, tudo que é decorado tem risco de ser esquecido e as informações curriculares não podem ser inúteis ou esquecidas”, aponta o profissional, que revela que o educador deve eliminar os mistérios da matemática.
Para que o aluno comece a pensar matematicamente, o educador deve trabalhar o assunto de forma cultural, criativa, de maneira investigativa e histórica. A informação é do estudioso, que considera que a matemática apenas implica estabelecer relações. “Ela não precisa ser difícil e o professor deve conquistar aliados a pensar matematicamente. É preciso educar o olhar do aluno para a matemática, por meio das relações. Relacionar os cálculos com o dia a dia, com a realidade local e do próprio aluno, ou até mesmo com a história, métodos esse que facilitam o entendimento. Se a maneira de ensinar é atrativa e interessante, a aprendizagem acontece e permanece na vida dos estudantes. A matemática não é difícil, nem de aprender, nem de ensinar, porém o processo precisa ser diferenciado”, declara o educador.
Durante a manhã fria de quarta-feira, Bigode orientou o grupo, superior a 380 pessoas, que os professores devem repassar mais problemas do que exercícios em sala de aula. Para ele, a melhor maneira de pensar é se colocar frente aos problemas, pois é desta forma que acontece o estabelecimento de relações para encontrar a solução. “Formular problemas, buscar e explorar estratégias são maneiras de trabalhar a matemática. O jornal é uma fonte rica para trabalhar temas transversais e consequentemente trabalhar essa disciplina. O jornal promove a aprendizagem se o professor souber utilizar. Ele é móvel, versátil, com design adequado e lúdico. Todo o seu conteúdo pode ser trabalhado matematicamente pelo educador. “Hoje, a mídia impacta e atinge os indivíduos de qualquer idade e a todo momento. O indivíduo tem que saber decodificar isso, tem que saber traduzir isso em reflexões que contribuam para que ele avalie situações e tome decisões. Posso pensar matematicamente em cima de uma tabela de futebol, ou mesmo a partir da folha de classificados. Meu desejo é que, se o aluno está no cinema lendo um jornal, observando um panfleto de supermercado ou acompanhando uma notícia na televisão, ele tenha a capacidade de não só compreender o que está tocando a ele, mas que possa pensar, formular problema, avaliar e tomar decisões”, destaca.
Após um intervalo para almoço, o pesquisador retornou ao auditório e propôs ao grupo de professores, atividades para desenvolver o pensamento crítico. Em pequenos grupos, os educadores passaram a discutir e responder problematizações. “Minha principal expectativa é de que a palestra continue depois, na cabeça de quem foi assistir. Desejo que vocês façam com que os alunos sintam que a matemática não é chata”, enfatizou aos participantes.
Após o encerramento das orientações e declarações de Antonio José Lopes (Bigode), a gerente do jornal Márcia Daniel, em parceria com a coordenadora estadual do Programa, Elza Guerra Gobbi, realizou o sorteio de diversos exemplares dos livros: No papel, 25 anos de Comunicação e a História da Imprensa Escrita em Santa Catarina. A distribuição aconteceu com base em cálculos propostos pelo educador.
Na avaliação do evento, o presidente da Adjori/SC lamentou apenas que alguns municípios, especialmente SMOeste, não liberaram os professores para participar da discussão, inibindo desta forma o processo de aprendizagem do professor, que precisa estar sempre atento às novidades e em busca de novos saberes. Por outro lado, Gobbi ressalta que os prefeitos e secretários que entendem esta proposta já aderiram e proporcionam o acesso a muito mais do que uma simples leitura, mas a todas as suas ações no município. E tem os estudantes e professores como parceiros para discutir os problemas de sua comunidade. Tem cidadãos aptos a fazer a sua parte e cuidar melhor de sua cidade, a ser criativos e projetar positivamente seu município.
Em avaliação dos participantes, o tema proposto pelo jornal Folha do Oeste foi bem aceito e bem explorado pelo palestrante, porém os educadores ressaltaram como ponto negativo a falta de silêncio de alguns participantes, que julgam de forma severa os ruídos em sala de aula. “Acredito que o evento agradou a grande maioria de profissionais presentes, pois o palestrante soube envolver e desmistificar o tema, demonstrando que há matemática em toda a parte; além disso Bigode transmitiu novos procedimentos didáticos aos professores” avalia a coordenadora local do Programa Jornal, Educação e Cultura – Folha do Oeste na Escola, Paula Pomatti. Ela interpreta que o professor Bigode, com sua simplicidade e simpatia, repassou ao público uma frase que diz ter como base na profissão de professor. “Olhe para o filho dos outros como se fosse o seu, transmitindo muito amor e respeito à educação”, lembra.
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