SÃO MIGUEL DO OESTE

Lançado programa para acolher e inserir migrantes no mercado de trabalho

Lançado programa para acolher e inserir migrantes no mercado de trabalho
Filipe Scotti

 A Fiesc (Federação das Indústrias de Santa Catarina) e a prefeitura de São Miguel do Oeste, lançaram na sexta-feira, dia 24, em Florianópolis, um programa inédito no estado para acolher, qualificar e inserir migrantes no mercado de trabalho.

O Porta Aberta tem participação da Agência da ONU (Organização das Nações Unidas) para as Migrações (OIM). O programa propõe um ciclo simples: cidade acolhedora, empresa acolhedora, migrante integrado à comunidade e produtivo.

Ele prevê duas frentes: uma pública, para suporte social estruturado; e outra privada, voltada à preparação das empresas para receber e integrar os estrangeiros.



APOIO

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O Sesi/SC, braço social da Fiesc, apoiará tanto o poder público quanto as empresas, com ações em educação, saúde mental, telemedicina, formação de líderes e orientação sobre relações de trabalho.

O Senai/SC também participa da iniciativa com cursos de qualificação profissional voltados às demandas da indústria local.

“O desenvolvimento do nosso estado passa por integrar quem escolheu Santa Catarina para recomeçar. O Porta Aberta une pessoas e indústrias, gerando oportunidade para todos”, disse Gilberto Seleme, presidente da Fiesc.

OUTRAS CIDADES

Inicialmente, o programa será implantado em São Miguel do Oeste, um dos principais destinos de migrantes, especialmente venezuelanos. Mas tem potencial para ser expandido a outras regiões do estado.

“O Porta Aberta é uma ação que une poder público, iniciativa privada e entidades em torno de um mesmo propósito: transformar desafios em oportunidades e gerar impacto positivo para toda a comunidade”, disse Daniel Tenconi, superintendente do Sesi/SC.



CENÁRIO

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São Miguel do Oeste foi escolhida por concentrar um fluxo crescente de migrantes. Entre 2022 e 2025, o percentual de estrangeiros no município passou de 7,5% para 19,3%, o que evidencia a necessidade de ações estruturadas de acolhimento e permanência.

De 2020 a 2025, a população local cresceu 16,8%, chegando a 47,7 mil habitantes, enquanto o PIB per capita caiu 1,8%. O dado mostra que o aumento populacional, sem integração adequada, não resulta em desenvolvimento econômico proporcional.

No município, do total de trabalhadores na indústria, 19% são migrantes. Venezuela, Haiti e Argentina são os principais países de origem.



GANHOS

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Para os migrantes, o Porta Aberta traz autonomia e dignidade, promove a inclusão formal no trabalho, dá senso de pertencimento e contribui com a formação de um novo lar.

Para o município, reduz problemas sociais, otimiza recursos, cria coesão comunitária e fortalece serviços públicos.

Para empresas locais, diminui a rotatividade, forma trabalhadores qualificados e aumenta produtividade e engajamento.



NÚMEROS

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Relatório da Operação Acolhida mostra que entre abril de 2018 e janeiro de 2024, 27,2 mil venezuelanos foram interiorizados para Santa Catarina.

Levantamento da Secretaria de Estado de Assistência Social, Mulher e Família mostra que, em dezembro de 2023, o estado tinha 59,6 mil estrangeiros no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico).



PARTICIPAÇÃO NA INDÚSTRIA

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Levantamento feito pelo Observatório Fiesc mostra que, dos 977,5 mil trabalhadores da indústria catarinense, 53,7 mil (5,5%) são migrantes.



Setores que mais empregam

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Alimentos e Bebidas: 24,2 mil

Construção: 4,5 mil

Têxtil, Confecção, Couro e Calçados: 3,5 mil

Metalmecânica: 2,8 mil



Municípios com mais migrantes na indústria

Chapecó (17,8% do total)

Joinville (8,6% do total)

Guatambu (4,3% do total)

Concórdia (3,5% do total)

Blumenau (3,3% do total)



Principais países de origem

Venezuela (61,1%)

Haiti (30,3%)

Paraguai (1,6%).




Fonte Fiesc

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