A empresa Dass Sport & Style deve produzir camisas esportivas da marca Fila e Umbro
Desde o começo deste ano, a empresa Dass Sport & Style iniciou uma sondagem em alguns municípios do Estado. O intuito, de acordo com o gerente industrial da unidade do município de Saudades, André Schwerz, seria estabelecer uma nova sede de costura e acabamento dos produtos comercializados pelo grupo. “Entramos em contato com os Sines (Sistema Nacional de Empregos) e associações comerciais dos municípios, para ver se, antes de qualquer coisa, teria mão de obra disponível, treinada ou não”, comenta. De acordo com o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), em 2009, no Estado, o setor têxtil foi o que registrou o maior crescimento, com 4,1%. Schwerz destaca que o processo de produção demanda uma grande quantidade de mão de obra e revela que em algumas localidades onde a empresa está instalada já há falta de mão de obra. Esse foi o principal motivo para que houvesse a ampliação da empresa através de nova unidade em outro município. “Essa é a razão principal. Não conseguir crescer e ampliar onde já estamos instalados em razão da falta de mão de obra”, explica.
O gerente industrial ressalta que vários municípios apresentaram mão de obra qualificada. No entanto, dentre os fatores que levaram o grupo Dass a optar por Campo Erê, Schwerz destaca que a localização e, principalmente, a quantidade de pessoas qualificadas disponíveis para suprir a mão de obra foram fatores determinantes. “Campo Erê se mostrou o melhor município no quesito localização. Temos alguns parceiros no Paraná e isso facilitaria nossa logística. Mas o ponto determinante foi a disponibilidade de mão de obra”, diz. A Administração Municipal de Campo Erê salienta que desde o ano passado vem oferecendo curso de costura industrial, gratuito, para a população. Duas turmas já concluíram a formação e 150 pessoas se inscreveram para as 35 vagas da terceira turma.
A empresa já tem local definido para iniciar as atividades. A data prevista para começar os trabalhos no município é dia 2 de agosto. “Na primeira etapa serão em torno de 100 pessoas empregadas”, diz Schwerz. A segunda etapa prevê a contratação de mais de 50 colaboradores, “ficaremos com uma estrutura de mais de 150 pessoas, assim que concluirmos a segunda etapa em Campo Erê”, revela. O Grupo Dass confecciona produtos para as marcas Tryon, Fila, Dilly e Umbro. Além de SC, a empresa também possui unidades em São Paulo, Rio Grande do Sul, Ceará e Bahia, atua também na Argentina e China, reunindo mais de 10 mil funcionários. Inicialmente, em Campo Erê serão produzidas camisas esportivas da marca Fila e Umbro.
IMPASSE
A não instalação da empresa Dass em SMOeste gerou alguns embaraços para a Administração Municipal. Na sessão da última quinta-feira, dia 22, o presidente da Câmara de Vereadores, Valnir Scharnoski, apresentou requerimento de informação, que será encaminhado ao prefeito Nelson Foss da Silva, cobrando explicações sobre o fato de a empresa não ter feito investimentos no município.
No requerimento, Scharnoski pede quais foram as exigências feitas pelo Grupo Dass para dispor de uma unidade no município. Ele lembrou, ainda, que a oferta de mão de obra foi um dos quesitos principais na decisão tomada pelo Grupo Dass. “A empresa se comprometia a trabalhar na qualificação dos profissionais. Se Campo Erê conseguiu mapear toda a situação do município, como que São Miguel não?”, questiona.
O secretário de Desenvolvimento Econômico de SMOeste, Carlos Grassi, argumenta que “em momento algum o município se omitiu ou se ocultou de receber o grupo Dass ou qualquer outro grupo em SMOeste”, e que dentro das possibilidades do município houve a “manifestação e interesse da administração em ter a Dass no município”. Grassi diz também que a mão de obra qualificada não é um problema específico de SMOeste. “No ano passado, claro que em uma escala que não consideramos o ideal, qualificamos com recursos públicos 45 costureiras”, ressalta. No entanto, boa parte dessas profissionais, segundo Grassi, foi absorvida pelo mercado de SMOeste.
Já para o gerente industrial da Dass “todos os municípios visitados mostraram interesse em receber a empresa”. Em SMOeste, o gerente industrial revela que o vice-presidente regional da Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina), no Extremo Oeste, Astor Kist, intermediou a conversação junto com o prefeito municipal. “Não foram falhas, nem falta de ações e iniciativas de outros municípios que determinaram a escolha da instalação da indústria em Campo Erê, e sim a demanda de mão de obra que foi determinante”, enfatiza.
Schwerz revela que futuramente não está descartada a possibilidade de a empresa expandir para outros municípios, no entanto tudo depende da questão mercadológica. “Para o momento, com a conclusão da primeira e segunda etapa em Campo Erê já serão supridas nossas necessidades”. No entanto, a demanda poderá aumentar. “As olimpíadas estão se mostrando um cenário promissor para nosso segmento. E estamos nos preparando para isso”, revela.
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