Incertezas rondam a fumicultura

Incertezas rondam a fumicultura
Folha do Oeste

Redução na área plantada e número de agricultores envolvidos nesta safra passará dos 30%

Pelo atual quadro de desânimo de muitos agricultores, previsões dão conta de que haverá uma diminuição nas áreas plantadas da fumicultura, em razão dos problemas enfrentados na última safra, sobretudo na comercialização do produto. A temporada 2010/2011 foi marcada pela estiagem no momento do plantio e durante o desenvolvimento inicial das lavouras em algumas regiões produtoras. Já na fase final da colheita, as chuvas foram excessivas, o que resultou no comprometimento da qualidade e no peso do produto.
De acordo com a Afubra (Associação dos Fumicultores do Brasil), na safra 2010/2011 existiam no Brasil 223.830 produtores de fumo, sendo 83% na região Sul (42% gaúchos; 25% catarinenses e 16% paranaenses). A atividade envolve cerca de 2,5 milhões de pessoas, divididos entre as fábricas (agroquímicos, materiais de construção, máquinas e implementos), transportadores, postos de distribuição, usina de processamento, exportadores, fábricas de cigarros, varejistas e os próprios fumicultores.
Dentro da mesorregião Oeste, a microrregião de São Miguel do Oeste é a segunda maior produtora, perdendo apenas para Chapecó e ficando à frente das microrregiões de Joaçaba, Xanxerê e Concórdia. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, com abrangência nos municípios de São Miguel, Paraíso, Barra Bonita e Bandeirante, Joel de Moura, é notável a queda que a fumicultura vem tendo ano por ano, tanto na área plantada como em número de agricultores que estão deixando de plantar. Para o sindicalista, este dado é preocupante, porque aqueles que saem da fumicultura estão migrando para a produção de leite e temos certeza de que logo aparecerão problemas na questão do leite. “Outra questão que causa preocupação neste quadro é que os agricultores levaram muitos anos para montar a estrutura da produção de fumo, com altos investimentos em galpões e maquinários. Isso vai se deteriorar na propriedade”, explica.
De acordo com o sindicalista, a economia também sentirá os reflexos, pois é uma atividade que dá retorno em impostos aos municípios e assim o agricultor terá menos renda para gastar no comércio. “Isso não envolve somente a agricultura, mas sim toda uma cadeia comercial da nossa região”, argumenta.
Moura lembrou que, no próximo dia 6, a Anvisa fará uma nova audiência pública no Rio de Janeiro, para debater uma portaria que proibirá o uso de adicionais no cigarro, que seriam os sabores menta e chocolate. “Alguns agricultores estarão acompanhando estas discussões. Se isto acontecer, estará decretado o fim do fumo Burley em nossa região. Outra problemática é a questão da compra pelas empresas fumageiras, que rebaixaram bastante as classes na última safra. Três anos atrás, os agricultores chegaram a ganhar até R$ 105,00 a arroba e neste ano o preço variou entre R$ 40,00 e R$ 60,00. Em alguns casos raros, o pessoal ganhou até R$ 85,00”, observou.
Conforme Moura, ainda é cedo para avaliar a safra, porque o fumo foi plantado há pouco. “Talvez esta safra possa chegar a quase a mesma quantidade de quilos em relação ao ano passado, porque na safra passada a média de produção foi baixa devido ao excesso de chuva e com isso se perde muito em peso. Mas a área plantada e o número de agricultores que desistiram passam de 30%”, estima.
Existe um fio de esperança de que o preço desta safra que será comercializada em 2012 possa melhorar. Segundo Moura, os tornados que atingiram os Estados Unidos castigaram exatamente a maior região produtora de fumo daquele país e isso pode refletir num melhor preço aqui, pois o mercado é internacional. “Se a safra deles realmente foi afetada, certamente o preço terá aumento. Independente disso, o nosso agricultor deve ter o máximo de cuidado com as lavouras, buscando uma boa produção e assim obter uma renda melhor”, finaliza.

 

ARRISCANDO PELA ÚLTIMA VEZ

 

 

 

 

O agricultor Joceli Civardi, de linha Limeira, interior de Paraíso, é um exemplo dos milhares de produtores que estão temerosos com os preços da próxima safra de fumo. Ele lembrou que na safra de 2010 plantou 20 mil pés e nesta que está iniciando plantará 12 mil pés. Ele recorda com saudade da safra de 2009, onde chegou a ganhar R$ 95,00 a arroba (15kg). "Na safra do ano passado, o melhor preço que consegui foi R$ 55,00 a arroba. Insumos como adubo, ureia, salitre e veneno não tiveram redução de preço, somente o fumo. Conheço agricultores que chegaram a ganhar até R$ 7,50 a arroba na última safra", lamentou.

Civardi comentou que vai arriscar somente mais este ano, na expectativa de que o preço melhore. "Torço para que o preço tenha um bom aumento, pois pior do que está não pode ficar. Se a situação não melhorar, essa será a última safra que irei plantar. Não temos muita terra e caso o fumo fique nessa situação, o jeito será melhorar nosso plantel e ficar somente com a produção de leite", comentou.

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