Hora de reconstruir e organizar o que sobrou

Hora de reconstruir e organizar o que sobrou
Folha do Oeste - No bairro Faxinal, em Campo Erê, os vizinhos ajudam uns aos outros na reforma dos telhados

Moradores de Campo e Erê e Cedro aproveitaram o feriado da última quinta-feira para reconstruir os estragos causados pelo temporal do final da semana passada

O ensolarado e gelado feriado de Corpus Christi foi de muito trabalho para os moradores de Campo Erê e São José do Cedro, municípios atingidos fortemente pelo temporal do último domingo, dia 3. Na quinta-feira, dia 7, a reportagem do Folha do Oeste acompanhou nos dois municípios os trabalhos de reconstrução e limpeza dos entulhos e destroços que ainda restavam.

Em Campo Erê, a merendeira da Escola Raul Pompeia, Vânia Terezinha Mendes de Andrade, que mora no bairro Industrial - um dos bairros da cidade mais atingido pelos fortes ventos - conta que praticamente todo o telhado foi arrancado pela força do vento de forma muito rápida. “Foi tudo muito ligeiro, tanto que acordamos dentro da água. Uma rajada de vento arrastou tudo. Não deu tempo nem pra se assustar, veio sem pedir licença”, relata ela, que lembra: “O vento foi forte mesmo, tinha meu uniforme de trabalho no varal e até agora não sei onde foi parar. Tive que avisar a chefe para mandar outro para que pudesse trabalhar”.

Na casa onde moram Vânia, o marido e três filhos, praticamente todos os móveis foram atingidos. “Agora tem que dar um jeito, comprar as coisas de novo e reformar”, relata a merendeira, que com ajuda dos filhos e do marido já havia puxado alguns móveis e todos os colchões para secar ao sol. A moradora ainda comenta que a ajuda dos Bombeiros e da Defesa Civil do município foram importantes. “Os vizinhos também estão ajudando uns aos outros. Tive até que pegar emprestado um colchão para meu filho poder dormir”, disse.

Até ontem, dia 8, ainda não havia dados oficiais quanto às perdas e ao número de residências atingidas em Campo Erê. As secretarias da Saúde e de Infraestrutura do município que foram designadas para acompanhar e registrar os prejuízos continuam contabilizando as perdas. De acordo com informações da assessoria da prefeitura municipal, Campo Erê têm decretado duas Situações de Emergência, uma devido aos ventos e à chuva de granizo do último dia 27 de maio e a outra em função do temporal do último domingo. A estimativa até o momento é de que os dois fenômenos climáticos que ocorreram no município tenham atingido mais de 160 moradias. Até praticamente o final desta semana, já havia sido distribuídas cerca de duas mil telhas. Nos próximos dias, ainda deve ocorrer a liberação de mais duas mil telhas aos moradores com casas atingidas.

“COMEÇAR DE NOVO”

Onde antes havia um barracão com 700 metros quadrados, restaram apenas ferros retorcidos e destroços de materiais de construção. Até anteontem, dia 7, o pecuarista e produtor de grãos Cleudovir dos Santos, que mora há 13 anos na linha Faxinal, interior de Campo Erê, conta que não se lembra de ter passado por uma situação assim antes. “Tínhamos quatro tratores agrícolas, uma unicorte, uma colheitadeira, 56 toneladas de adubos e mais 1.180 sacas de semente de soja dentro do barracão e praticamente tudo isso ficou comprometido”, diz o pecuarista, que calcula prejuízos próximos a R$ 1 milhão. “Só a minha caminhonete e a colheitadeira, que também foram atingidos que possuíam seguro, o restante não”.

Apesar do prejuízo, Cledovir se diz grato por ninguém ter ficado ferido. “Foi tudo para o chão em questão de minutos. Agora, a gente vai ter que erguer tudo de volta. Começar de novo. Tem que levantar a cabeça, mas graças a Deus ninguém se machucou”.

GALPÃO DEVASTADO

Um pouco mais adiante, na fazenda do pecuarista Valdir Baldin, pouca coisa ficou em pé. O pecuarista não sabe exatamente o valor do prejuízo, mas calcula que mais de 150 pinheiros, com cerca de 30 anos, foram devastados pelos ventos. “Ainda não contabilizamos tudo. Só de cerca eu imagino que teremos que repor uns 1.500 metros”.

O galpão com o maquinário agrícola do fazendeiro veio abaixo. Uma das poucas coisas que ficaram em pé foi a residência do caseiro da fazenda. “A casa ficou em pé, mas está comprometida. Já iniciamos a construção de uma nova residência porque esta não tem mais condições para o caseiro morar com a família”, argumenta.
 

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