Exportações prometem alavancar suinocultura em 2010

Expectativa é que suinocultores terão um ano de recuperação de renda e revitalização da atividade

Os bons momentos da suinocultura brasileira nas décadas de 80 e 90, em que a renda era suficiente para manter as despesas da família na propriedade rural, com o passar dos anos aos poucos vão ficando apenas na memória dos produtores, que hoje lamentam o atual contexto em que o mercado se encontra. Nos últimos anos, a crise nesse setor vem se estendendo e embora os preços tendam a se equilibrar, conforme produtores, ainda estão muito longe do que é necessário para cobrir os custos investidos e trazer lucros para o agricultor.

Em 2009, a "maré baixa" da suinocultura alcançou seu nível máximo com uma situação que acabou se tornando insustentável, levando muitos produtores a abandonar o setor, e, junto com ele, todo o capital investido em estruturas.

De acordo com a Faesc (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina), a queda nas exportações, que serve de parâmetro para regularizar o mercado interno, respingou diretamente no pequeno produtor. Segundo o vice-presidente da federação, Enori Barbieri, em uma pesquisa realizada com relação ao mercado de 2009, a Faesc concluiu que, em volume, as exportações foram surpreendentes: cresceram de 539 mil (2008) para 600 mil toneladas (2009). As divisas obtidas com as vendas no exterior, entretanto, caíram 35% em razão da queda de preços no mercado internacional e 30% em razão da política cambial. "As indústrias e os criadores pagaram para exportar e muitos produtores tiveram, infelizmente, que abandonar a suinocultura", avalia.

Porém, depois de muito tempo amargando pesados prejuízos, os suinocultores terão, em 2010, um ano de recuperação de renda e revitalização da atividade. Pelo menos é o que prometem as pesquisas com base no comportamento do consumo em 2009 e na abertura de novos mercados em 2010. A produção nacional de carne suína atingiu, em 2009, mais de 3,140 milhões de toneladas de carne suína. E para 2010 a previsão é de que deve crescer de 2% a 3%. Santa Catarina, que continua sendo o maior produtor nacional de suínos, atingiu 750 mil toneladas ao ano, 25% do que o país produz. "Talvez 2009 tenha nos ensinado uma lição: manter a cadeia equilibrada entre oferta e demanda, o que não ocorreu neste ano, é a melhor solução", destaca.

A previsão da Faesc (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina) é de que o mercado mundial será expandido em mais 60 mil toneladas. "Isso se deve a três movimentos que afetarão e beneficiarão imediatamente a cadeia produtiva da suinocultura brasileira: a Rússia, que enfrenta um surto da temível peste suína africana, ampliará a cota em 20 mil toneladas; o Vietnam, que anunciará a abertura de seu mercado para 20 mil toneladas de carne brasileira e, da mesma forma, Filipinas comprará 20 mil toneladas em 2010", antecipa Barbieri.

Além disso, ele ressalta que o mercado mundial viverá dias de mais tranquilidade porque os países que mais sofreram com a crise econômica internacional estarão superando essas dificuldades e retomando os níveis normais de consumo. Além disso, o Brasil manterá a expectativa de entrar nos mercados da China e dos EUA no próximo ano. "Não se trata de puro otimismo. Em 2010 teremos nova demanda internacional e um ajuste interno, o que se refletirá nos preços internos", enfatiza o vice-presidente.

O presidente da ACCS (Associação Catarinense de Criadores de Suínos), Wolmir de Souza, também acredita que em 2010 teremos um desempenho melhor que 2009, principalmente nos embarques para o exterior. "Percebemos nitidamente que o mercado está com ofertas bem ajustadas, tanto no campo quanto na indústria. Esperamos que no final de fevereiro e março tenhamos sinais positivos do mercado, com melhoria nas exportações. Por isso é importante que o produtor mantenha seu plantel ativo, para que possa ter animais para comercialização", orienta. Souza lembra que o setor aguarda o retorno da Comissão Europeia, que esteve visitando as plantações brasileiras para aumentar a cota brasileira no mercado europeu. "É importante este posicionamento para o Brasil, mesmo que a União Europeia não aumente as importações. Essa avaliação referenda e nos habilita a entrar em novos mercados", conclui.

Em 2009, a participação do principal cliente, a Rússia, nas exportações brasileiras caiu de 65% para 44%, enquanto a de Hong Kong subiu de 10% para 20%, nos últimos cinco anos. Em 2009, os principais destinos das vendas do Brasil foram: Rússia, 266,52 mil toneladas; Hong Kong, 122,13 mil toneladas; Ucrânia, 57,29 mil toneladas; Angola, 30,39 mil toneladas; e Argentina, 28,57 mil toneladas.

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