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Especial colono e motorista: duas profissões e uma finalidade
Colono e motorista unidos pela atividade avícola da região. Santa Catarina é líder em exportação de frango e vice-líder em produtividade
Transporte
O dia de um motorista de caminhão começa, muitas vezes, antes do dia clarear. O ex-agricultor, agora caminhoneiro, Roque Afonso Kaspary, de 41 anos, que mora em Iporã do Oeste e trabalha como motorista há 15 anos, é uma prova disso. Ele conta que do preparo do chimarrão até o momento de dar a partida no caminhão o relógio já bateu 4h da madrugada. E que, até chegar em São Miguel do Oeste para carregar ração para aves, são mais 60 minutos de trecho, aproximadamente.
De acordo com Kaspary, trabalhar como motorista no transporte de ração exige responsabilidade de quem dirige. “É preciso cuidado, tem que ter experiência. Volta e meia a gente passa por algum aperto, porque a gente anda nas estradas do interior”, comenta. “Em dia de chuva é complicado. Às vezes, a estrada é estreita e dificulta a passagem quando vem outro veículo”, reforça.
Na opinião de Kaspary, um dos principais problemas encontrados por motoristas que utilizam as vias do interior são as más condições de algumas estradas. “Eu tenho um caminhão com ‘eixo louco’, então tem que cuidar na hora da dar marcha a ré”, ressalta. Ele explica que o caminhão de “eixo louco” é um modelo de veículo que possui um eixo articulado entre o eixo dianteiro e os traseiros. E que tem por finalidade auxiliar nas curvas e virar de acordo com o primeiro eixo. Segundo o caminhoneiro, durante a marcha a ré o motorista precisa estar atento e suspender o “eixo louco” para facilitar a manobra. Para ele, estes aspectos são detalhes importantes que podem evitar ou causar acidentes.
A avaliação de Kaspary sobre as estradas do interior é vista da mesma forma pelo caminhoneiro de São Miguel do Oeste, Paulo Fusieger, de 52 anos. Fusieger, que transporta ração há sete anos, também comenta que algumas estradas oferecem riscos de acidentes. Contudo, observa outro perigo e alerta para a carga horária de trabalho. “Tem que cuidar um pouco do horário de trabalho, que muitas vezes é estendido. Existem motoristas que saem de madrugada e chegam à noite em casa”, explica. De acordo com os caminhoneiros, há vezes em que fazem quatro entregas no mesmo dia.
Criação
Entre o transporte da ração aos aviários e o transporte dos ovos para as incubadoras, existe o papel do criador de matrizes de aves. Os criadores são os responsáveis por efetuar os trabalhos criteriosamente inspecionados pelas empresas que compram os ovos. Destes ovos nascem os frangos que chegam à mesa dos consumidores de diversos lugares do mundo.
Na comunidade de linha Bela Vista, interior de São Miguel do Oeste, a Granja de Matrizes de Aves Santa Terezinha fornece, no pico da produção, aproximadamente 30 mil ovos por mês. São cerca de quatro mil galos e 26 mil galinhas divididas em três aviários com 200 metros de comprimento, em média. Conforme uma das proprietárias, Tisânia Casagranda Bernardi, a granja começou com apenas um aviário no ano de 2003, e o caminho para chegar onde está foi longo.
As raízes
Filha de agricultores, Tisânia teve uma vida difícil no campo e na cidade. “Lembro que cortava pasto para as vacas e era tudo levado em cestos. Hoje é diferente, existem os maquinários que ajudam nas pastagens”, diz. “Na época não havia lucro algum, a produção era para o sustento da família. Meu pai criava porcos, que era a principal atividade que tínhamos. A lavoura era basicamente de milho, feijão, arroz e soja. As dificuldades eram grandes, até que meu pai conseguiu adquirir máquinas e trator. Foi quando as coisas melhoraram um pouco”, lembra.
Vida urbana
Ao sair do campo para morar na cidade, Tisânia trabalhou como costureira por dois anos e depois como secretária administrativa de uma academia, no centro de São Miguel do Oeste. Ela conta que trabalhar como costureira foi uma experiência diferente. No entanto, não se identificava com a profissão. “Não era isso que eu queria”, afirma. Já na academia, Tisânia confessa que gostava da atividade, porém era difícil se sustentar com o que ganhava. “Não era uma atividade rentável”, explica.
Atividade própria
Casada com Hermes Casemiro Bernardi, que na época trabalhava em uma loja de roupas masculinas em São Miguel do Oeste, Tisânia decidiu que deveriam iniciar uma atividade própria, algo que garantisse o sustento familiar e que pudesse agregar maior movimentação econômica. Ela comenta que certo dia tomaram conhecimento de uma proposta para a construção de granjas de produção de ovos para criação de pintainhos. “Achamos bem interessante e fomos procurar um sócio”, comenta.
Conforme ela, encontrar um sócio foi difícil, e até pensaram em desistir do negócio. Conta que foram persistentes e não abandonaram o sonho. “Inesperadamente, durante um almoço, recebemos a ligação de uma das pessoas com quem havíamos conversado. Então, essa pessoa disse: ‘como é mesmo aquela história de aviário?’, lembra. Tisânia comenta que naquele momento estava feita a parceria.
A construção
Foi no ano de 2003 que o projeto de construir a granja entrou em prática. “Em 43 dias construímos o primeiro aviário. Foi uma construção muito rápida!”, exclama. “Houve dias que chegou a ter mais de 50 trabalhadores, pois havia prazo para a entrega da obra”, esclarece. “Então conseguimos. Montamos a primeira granja e foi muito bom”, conclui.
Dificuldades
Tisânia conta que na época iniciaram as atividades com apenas quatro funcionários e que hoje possuem 14. Segundo ela, as principais dificuldades são referentes à mão de obra qualificada. “Existe uma grande rotatividade de pessoas nas granjas. É difícil firmar um funcionário. São poucas as pessoas que se adaptam às formas de trabalho de uma granja”, argumenta. Na opinião da empresária, a mão de obra qualificada reflete em uma rentabilidade maior.
Distribuição
Os 30 mil ovos produzidos nos períodos de pico – que são os períodos em que a galinha possui uma maior fertilidade – correspondem às expectativas dos proprietários. “Produzimos ovos que vão para uma incubadora no município de Itapiranga”. Segundo Tisânia, os pintainhos nascem dos ovos, e depois voltam para as granjas de corte da empresa que abate os frangos.
O trabalho
De acordo com Tisânia, o trabalho passa por um processo de produção. “Primeiro o galo fecunda a galinha. Depois disso são necessárias cerca de 26 horas até a galinha botar o ovo. Então o ovo é recolhido do ninho e armazenado em uma sala climatizada a uma temperatura entre 18º e 22ºC para que não inicie o processo de desenvolvimento do embrião. Somente após esta etapa os ovos são enviados às incubadoras, em Itapiranga. Lá, permanecem incubados a uma temperatura entre 36 e 38ºC por mais 21 dias até nascerem. Antes disso, no 19º dia, os pintainhos são vacinados ainda dentro do ovo”, explica.
Qualidade
De acordo com Hermes e Tisânia, todo este trabalho precisa ser cuidadosamente desenvolvido para que o frango possa ser abatido com qualidade para o consumo humano. “Trabalhamos com o mercado internacional. Então as exigências são muito grandes. A maior parte dos frangos é exportado”, comentam. Segundo eles, esse trabalho criterioso inicia no transporte da ração e só termina no processo de abatimento do animal.
Planos
Os planos dos empresários em expandir os negócios está focado na parte interna dos aviários. “Não queremos construir mais aviários, assim está bom”, comenta. “O que queremos futuramente é adquirir ninhos automáticos, que são esteiras que transportam os ovos dentro do aviário, finaliza.
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