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Entrevista: O pai e profissional Marcos Piangers
O comunicador, jornalista e escritor, esteve no jornal Folha do Oeste para falar sobre projetos, palestras e também sobre o livro O Papai é Pop, com mais de 60 mil cópias vendidas
Unir criatividade com agilidade na executar de tarefas tem sido um desafio para os profissionais atuais.
Pensando nisso, e para incitar ainda mais a inspiração e organização de ideias, é que o Curso de Admnistração da Unoesc e o Núcleo do Jovem Empreendedor da Acismo, trouxeram para São Miguel do Oeste o comunicador, jornalista e escritor, Marcos Piangers, autor do livro O Papai é Pop. A palestra aconteceu na quinta-feira e reuniu um grande público no Clube Comercial. O comunicador também esteve no jornal Folha do Oeste e concedeu uma entrevista exclusiva. Confira!
O que te levou a escrever o livro?
O livro é inspirado na história das minhas filhas, pois sempre tentei ser um pai mais participativo. Pensamos em um nome que fosse lúdico, interessante, divertido. E eu sempre ficava pensando em algum tipo de gatilho para poder explicar o que era o livro para as pessoas. Viajamos em nomes como Ser pai é, Então vou ser pai, mas nada me chamou a atenção, então, surgiu O Papai é Pop, na batida da música O Papa é Pop, do Engenheiros do Hawaí.
Você relata no livro um pouco do dia a dia na vida das suas filhas. Como é essa convivência?
Ter filho é muito difícil. Quem diz que é fácil é porque não participa. É cansativo, trabalhoso, é um processo de aprendizado contínuo, você erra muito, vira a madrugada, troca muita fralda. É uma atividade difícil e por ser tão difícil é tão maravilhosa, bonita, apaixonante. Não lembro de ter ouvido as pessoas falarem, quando chegam ao final da vida, de terem se arrependido em não ter feito mais relatórios, mais reuniões, ou poder não terem jogado mais videogame. Pelo contrário, o arrependimento vem pelo fato de não ter passado mais tempo de qualidade com a família, com os filhos, de não ter dedicado e respeitado esses momentos. Então se a gente faz um caminho reverso e realmente pensa que pode ser o seu último dia, portanto deve-se fazer valer as coisas que são mais importantes.
Todo dia é um aprendizado?
Todo dia eu aprendo. Tenho a certeza que tive momentos em que eu errei, e muito e tenho a convicção que não cheguei a perfeição. Mas todo dia eu aprendo que eu posso melhorar um pouquinho. Outra coisa que procuro fazer, é estar presente de verdade. Estamos em um mundo louco, no qual a gente está no trabalho pensando na família e quando está com a família pensa no trabalho, você nunca está no lugar de verdade.
Você demonstra a todo instante essa preocupação em dar a melhor educação as suas filhas. Você se pergunta se está fazendo isso de maneira correta?
A minha mãe me criou sozinho, então eu sou o resultado de uma mulher que foi abandonada pelo homem e isso a gente vê sistematicamente acontecendo. O homem decide abandonar ou a mulher grávida, ou depois do filho crescido, ou se o filho for especial, ou abandonar no sentido de dizer que o trabalho é mais importante. A preocupação com a criação das meninas é constante e é minha responsabilidade como pai. Criar um filho me parece ser uma das coisas mais importantes para se fazer na vida. É uma espécie de obra-prima, uma construção de um ser humano melhor.
Na palestra que aconteceu na quinta-feira, você falou sobre criatividade. Como achar inspiração e executar tarefas ao mesmo tempo?
As crianças têm essa capacidade de olhar ao redor e se deslumbrar com uma flor, um pássaro, com algo que acontece ao redor delas é interessante porque isso se perde quando viramos adulto. As crianças são muito mais lúdicas, possuem uma visão de mundo diferente da nossa, quando a gente vira adulto a gente perde esse deslumbramento de olhar ao redor com a capacidade de aprender e vai basicamente pelo caminho mais fácil, que é criar alguns métodos para passar de ano, ir bem na prova, para depois arrumar um emprego, para depois não ser demitido. Acaba a nossa vida e a gente fez basicamente isso.
Ser criativo e ao mesmo tempo cumprir metas é um desafio muito grande?
Com certeza. Todos os estudos mostram que a gente não está motivado e nos sentimos motivados quando temos autonomia, quando achamos que somos donos do nosso tempo, da nossa vida, e não quando somos escravos da empresa. Quando temos domínio, a sensação que estamos aprendendo o tempo todo, quando estamos sendo inspirados pelo nosso chefe/empresa a sempre melhorar, ou seja, adquirir conhecimento do trabalho, me tornar um profissional cada vez melhor e por último, o propósito, sensação de que eu sozinho não consigo fazer a mesma coisa, paticipar de um plano maior, um propósito maior que eu mesmo. Esses são os três pilares (Autonomia, Domínio e Propósito) que motivam e tornam a pessoa mais criativa, mais leve, mais produtiva.
Você se sente desafiado em levar esse pensamento de participação na vida familiar? Houve uma inversão de valores?
Hoje, em 2016, a gente vive melhor do que qualquer rei da idade média. Temos uma vida muito confortável, temos um aparelho muito poderoso em nosso bolso e por isso a conexão é muito grande. Dizer que houve uma inversão de valores é tirar um pouco da perspectiva geral, a gente tem mais pessoas no mundo e mais conforto do que a gente já teve ao mesmo tempo que antigamente o pai tinha essa figura mais distante, se comprometia em apenas pagar contas e a mãe era responsável pelas demais tarefas. Acho que a gente teve uma evolução, saímos de uma época que a mulher era subjulgada por um homem que pagava as contas para um momento que a mulher encontra lugar no mercado de trabalho e encontra no homem apoio e auxílio para desenvolver e participar das atividades familiares. Vejo um crescimento na quantidade de homens que abraçam essa causa e que acreditam nisso, que acham que o homem pode, deve e quer participar da vida dos filhos porque é algo prazeroso. São assuntos que sempre permeiam discussões e que vale a pena insistir para melhorar a vida em sociedade.
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