Benefícios econômicos do Sicredi para associados crescem 22% |
Entrega de recursos não pode esbarrar na burocracia
Conforme a Defesa Civil, dispensa de licitação é justamente para agilizar o processo
Um mês se passou desde a maior tragédia da história do município de Guaraciaba, porém a situação das famílias atingidas é praticamente a mesma e a maior reclamação está na falta de recursos disponibilizados para a reabilitação das casas. Conforme o prefeito Ademir Zimmermann, a utilização dos mais de R$ 6 milhões disponibilizados pela Defesa Civil Nacional para a Defesa Civil Estadual depende das tomadas de preços que está sendo concluída. De acordo com o prefeito, é pedido um orçamento e aquele que apresentar o menor valor fornece os materiais que são pagos diretamente pela Defesa Civil Estadual. Nesta semana, o município já encaminhou orçamentos para a Defesa Civil e aguarda apreciação e liberação. Segundo o coordenador estadual da Defesa Civil, major Márcio Luiz Alves, esse processo é adotado justamente para desburocratizar a entrega de matérias às famílias atingidas, porém um mês é pouco para reconstruir tudo o que foi perdido. "O município recebeu um valor bem considerável e não temos tido reclamações. O Governo federal já liberou recursos e nós viabilizamos os recursos que já estão na conta; agora, para gastar é preciso cumprir a Lei, onde é preciso fazer essa tomada de preços. Mas eu não conheço ninguém que construiu uma casa em um mês. Esse é um processo naturalmente demorado, ainda mais quando envolve poder público, onde deve haver transparência", enfatiza. Sobre a decretação nacional do Estado de Calamidade Pública e da Situação de Emergência, o major destacou que todo o processo está sendo realizado para que a Defesa Civil Nacional aceite o decreto. "Publicar o decreto é fácil e rápido, mas é preciso preencher uma burocracia normal para mandar para Brasília, por que lá eles não aceitam como está. Então, estamos fazendo toda essa documentação, que deve ser encaminhado para Brasília assim que houver essa conclusão, porque não adianta mandar errado e eles mandarem de volta. É preferível que demore um pouco mais aqui", ressalta. O major também salientou que deve estar na região nas próximas semanas para acompanhar a situação de Guaraciaba e apoiar no que for preciso. SEGUROS Os valores repassados pelas seguradoras depois da tragédia também é uma das principais reclamações da população atingida. Algumas famílias enfatizaram que possuíam imóveis de R$ 90 mil e receberam apenas R$ 10 mil do seguro, mas, conforme o presidente do Sicoob, Edemar Fronquetti, esse procedimento é correto, já que a maioria dos seguros não representa 100% do valor do imóvel para casos de vendaval. Fronquetti explica que no momento da contratação para os casos de vendaval, a maioria das pessoas faz o seguro apenas para até 10 ou 15% do valor do imóvel. "Em casos de vendaval, o que se perde normalmente é o telhado e a gente nunca imaginou que ia derrubar uma casa. Normalmente, com um vendaval ou granizo o estrago é somente no telhado e por isso o seguro menor. Em casos de incêndio, o valor é de 100% e essa?@ prática é?@normal, principalmente pela redução de valor no pagamento do seguro. Independe da perda total do imóvel. O que vale é o evento que aconteceu, que no caso foi caracterizado como vendaval, já que ninguém tem seguro contra tornado e então ninguém receberia nada", enfatiza. O Sicoob é mediador de diversas seguradoras que atendem na região e, segundo o presidente, na maioria dos casos o seguro foi pago já na semana seguinte ao temporal. Pelo menos 120 seguros foram pagos pelas seguradoras conveniadas ao Sicoob em Guaraciaba, Barra Bonita, Anchieta, São José do Cedro e Dionísio Cerqueira, onde apenas seis ainda não foram pagos por se tratar de seguros não somente de residências, mas também de galpões e outras dependências das propriedades. "Uma das seguradas chegou à região poucos dias após o temporal e trabalhou direto para fazer os levantamentos e liberar tudo já na semana seguinte", ressalta Fronquetti. A Cooperativa trabalha com mais de dez seguradoras, justamente para atender toda a demanda, já que algumas não trabalham no meio rural e outras não fazem seguros de casas de madeira, por exemplo. ATENDIMENTO PSICOLÓGICO Nesta semana, também chegou ao município de Guaraciaba uma equipe de psicólogos da Unochapecó (Universidade Comunitária Regional de Chapecó) para auxiliar no trabalho de atendimento às famílias atingidas pelo tornado do dia 7 de setembro. Para a equipe do Cras (Centro de Referência da Assistência Social), que coordena este trabalho, é muito importante a ajuda, pois a demanda é bem maior do que a capacidade de atendimento que o município possui. Segundo a?@psicóloga do Cras, Ceris Lago, esse é um trabalho que precisa ser contínuo, pois não basta apenas identificar o problema, é preciso fazer um acompanhamento periódico. Nesse sentido ela pede aos psicólogos interessados em prestar trabalho voluntário, que primeiramente procurem o Cras para saber como está o andamento do trabalho e o que já foi ou pode ser feito. Para Ceris, é necessário que o atendimento seja organizado para não acontecer de uma mesma família receber vários profissionais em um mesmo dia e ter atendimento fragmentado, visto que,?@ao invés de ajudar, acaba prejudicando todo o processo. RETIRADA DE MADEIRA O prefeito de Guaraciaba, Ademir Zimmermann, recebeu em seu gabinete na segunda-feira, dia 5, representantes da Fatma e da Polícia Ambiental para esclarecer dúvidas quanto ao aproveitamento das árvores nativas derrubadas pelo tornado. Também participaram representantes dos municípios de Anchieta, São José do Cedro, Guarujá do Sul e Dionísio Cerqueira, que também apresentaram madeira caída após o temporal. Ainda acompanharam os esclarecimentos dos órgãos ambientais, o secretário da SDR de São Miguel do Oeste, João Carlos Grando, engenheiros agrônomos e técnicos que estão trabalhando na cubagem da madeira para retirada. Conforme o gerente regional da Fatma de São Miguel do Oeste, Deoclécio Zanatta, os proprietários poderão aproveitar toda a madeira nativa derrubada pelo vento. No entanto, até 20 metros cúbicos não é necessário projeto e não tem custo para o proprietário, devendo apenas passar na Secretaria de Agricultura para preencher um requerimento para o transporte da madeira e?@agendar com um técnico a cubagem da mesma. Essa madeira deve ser aproveitada na propriedade, não devendo ser comercializada. O proprietário também poderá retirar acima dos 20 m³ de madeira nativa e?@ comercializar, mas precisa fazer um projeto para requerer a licença, apresentando uma série de documentos exigidos pelos órgãos ambientais. Essas informações podem ser obtidas junto à Secretaria de Agricultura. Quem teve reflorestamentos atingidos pelo vento pode retirar a madeira e não precisa de requerimento, no entanto precisa observar se não está em uma área de preservação permanente. Segundo o engenheiro agrônomo da prefeitura, Leonir Dilly, até o momento 150 requerimentos já foram assinados na Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, solicitando a cubagem de madeira. Mas, conforme Dilly, há muitos proprietários que ainda não fizeram a solicitação por estarem envolvidos com a reabilitação da moradia, mas ele acredita que é uma demanda que em breve irá aumentar. ?@A Fatma deu um prazo de 90 dias para que essa madeira seja aproveitada. Para atender todas as solicitações dentro deste período, a Secretaria de Agricultura está buscando auxilio de técnicos da Epagri, das Secretarias de Agricultura dos municípios da região, dos facilitadores do Microbacias, da Fatma e Polícia Ambiental. Conforme Dilly, cerca de 50 propriedades possuem mais de 20 m³ de madeira para cubar e isso exige bastante tempo. EVENTOS A Comissão Municipal da Defesa Civil de Guaraciaba esteve reunida no último domingo, dia 4, juntamente com vereadores, lideranças e representantes de entidades para discutir novos encaminhamentos acerca do Estado de Calamidade Pública em que o município se encontra. Durante a reunião, o prefeito Ademir Zimmermann sugeriu a elaboração de um documento para ser entregue à comunidade de Guaraciaba, reforçando e lembrando que o município não está na normalidade e por isso eventos festivos de caráter promocional e que visam lucros devem ser evitados. Nos 90 dias de vigência, o Decreto de Calamidade Pública, espera-se o mínimo de compreensão da comunidade, pois a realização de tais eventos acabam desestimulando o aspecto solidário das pessoas. "Espera-se essa atitude solidária das comunidades e entidades que não foram atingidas, principalmente em respeito àquelas pessoas que tiveram grandes perdas, inclusive de vidas humanas. Uma sugestão é que possam estar se organizando em mutirão e irem para alguma comunidade auxiliar as famílias", ressalta. O prefeito esclareceu que está pressionando a Defesa Civil Nacional para que esta reconheça e publique com urgência o Decreto de Estado de Calamidade Pública para que a Caixa Econômica Federal possa liberar o FGTS. Com esse reconhecimento todos os munícipes poderão acessar o FGTS e isso irá incrementar a economia local. Na reunião de domingo, foi definido por consenso de todos que parte do recurso dos R$ 6 milhões seja aplicado na reabilitação dos espaços comunitários. Segundo o prefeito, durante as reuniões realizadas nas principais comunidades atingidas, as famílias deixaram claro que gostariam de ter os espaços comunitários reabilitados com o propósito de a comunidade voltar a se reunir e permanecer unida. Com base neste anseio da comunidade, a comissão, reunida na tarde do domingo, decidiu auxiliar com materiais de construção, no entanto os critérios serão definidos nos próximos dias. Quanto aos materiais de construção para reabilitação das casas, a Administração Municipal já encaminhou os orçamentos para a Defesa Civil Estadual, para análise e dispensa de licitação. Ainda foram formadas duas comissões que estarão analisando casos excepcionais no que se refere a aplicação de recursos, tanto na reabilitação de moradias quanto de espaços comunitários.
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