Edição 1277 (publicada em 21/01/08)- Equipe do Dnit vistoria obras na região

Comitiva verificou os trabalhos no trecho de São Miguel a Paraíso e conheceu os problemas do asfalto recuperado

As obras em andamento nas BRs 163 e 282 foram vistoriadas na sexta-feira, dia 18, por uma equipe do Dnit (Departamento Nacional de Infra-Estrutura e Transportes) e lideranças políticas. Os problemas em alguns trechos recuperados nas rodovias 163 e 282 foram avaliados pelo grupo, e o diretor nacional do Dnit, Hideraldo Caron, garantiu que as melhorias serão feitas provavelmente entre os meses de fevereiro e março. O superintendente estadual do Dnit, João José dos Santos, também teve conhecimento dos pontos críticos da BR-282, onde a empreiteira Rodocon fez a restauração. Um dos locais que apresenta falha em grande escala e já está até cedendo em função do tráfego pesado é a serra do Rio das Antas, onde vários acidentes foram registrados nos últimos meses.

A vistoria do Dnit também é resultado de reclamações feitas por prefeitos que integram a Ameosc (Associação dos Municípios do Extremo Oeste) e a Amerios (Associação dos Municípios do Entre Rios), os quais encaminharam documentos expondo a preocupação sobre o estado da rodovia e pedindo uma vistoria urgente no trecho.

O diretor nacional do Dnit relembrou o compromisso com a infra-estrutura das rodovias no Extremo Oeste e enfatizou que estão sendo aplicados na região em torno de R$ 90 milhões por parte do Governo federal. Desses, R$ 70 milhões são destinados à pavimentação de São Miguel do Oeste até Paraíso, na divisa com a Argentina, obra que a equipe do Dnit também visitou. \"Essa obra é recente, mas considerando os trabalhos já realizados há grande possibilidade de a entregarmos pavimentada até o final deste ano\", acrescentou.

Outro ponto enfatizado por Caron é que o trabalho de recuperação das BRs 158 (divisa com Rio Grande do Sul), da 282 e da 163 não foram concluídos. \"Continuamos executando os reparos e os locais que apresentaram problemas já foram verificados pela equipe do Dnit e as providências estão sendo tomadas. Eu diria que somando todos os pontos onde o asfalto apresenta comportamento inadequado, provavelmente dá menos de 10% do total de 170 km existentes de Chapecó até Dionísio Cerqueira\", avalia ele.

Segundo Caron, problema acontece em qualquer obra e nesta alguma coisa \"saiu mal\", contudo o interessante agora é saber qual providência será tomada para resolver o dano. \"Nós já retiramos amostras em todos os locais. Esse material está sendo analisado em laboratório, porque não adianta retirarmos o asfalto e refazê-lo com o mesmo material. Provavelmente, ainda neste mês teremos o resultado dessas análises para então fazermos a modificação da massa asfaltica, e com isso entregarmos definitivamente a obra\", observa.

\"Não vamos receber uma obra mal executada\"

Essa foi uma das afirmações do diretor nacional do Dnit, em São José do Cedro, no último sábado. Ele comentou ainda que em vários trechos da 163 e 282 não foi aplicada a camada final de asfalto, a qual será colocada ainda neste ano, considerando que o contrato com a Rodocon se encerra em outubro. Caron enfatizou: \"quero dizer, para a tranqüilidade de todos, que nós não vamos receber uma obra mal executada e com comportamento da massa asfáltica fora daquilo que nós contratamos, quando da assinatura do contrato. Portanto, faremos o serviço até o final. Não adianta refazer rapidamente e correr o risco de ter o mesmo problema. Alías, temos tido dificuldades em várias estradas e estamos analisando com a Petrobras o que está acontecendo com o asfalto que ela está fornecendo. É possível que haja algum comprometimento na qualidade deste material\".

Sobre a resolução desse problema, o diretor nacional do Dnit espera que entre fevereiro e março o serviço esteja sendo refeito nesses trechos mais críticos.

Custos: Caron garantiu que esses serviços que precisam ser refeitos não terão ônus para o Governo federal, já que o mesmo serviço não será pago duas vezes.

MELHORAR A

CAPACIDADE

Outra informação dada pelo Dnit, durante a visita ao Extremo Oeste, é que está em fase de julgamento a licitação do projeto de adequação da capacidade operacional da BR-163, ampliando a plataforma, fazendo terceiras faixas e melhorando a entrada em todos os municípios ao longo da rodovia. Segundo Caron, em março deve estar finalizado o processo licitatório e no decorrer deste ano o projeto será elaborado. \"Nossa expectativa é de que no início de 2009 possamos licitar a obra, pois o volume de carga exige uma rodovia com desempenho operacional melhor\", complementa.

Motoristas enfrentam diariamente os transtornos na pista

Sair sem pressa para chegar, fazer manobras perigosas, dobrar a atenção a cada quilômetro são algumas das ações tomadas diariamente por centenas de motoristas que trafegam nas rodovias 163 e 282 no Extremo Oeste. O motorista de caminhão Cezar Antônio Brunetto, de São Miguel do Oeste, trabalha em toda a região e no Estado também. Ele diz que o asfalto das BRs na região é de péssima qualidade e o ponto mais crítico é na Serra, próximo ao Rio das Antas.

Além da condição do asfalto, segundo ele, a falta de sinalização em alguns pontos causa insegurança e prejudica muito o trabalho do motorista. \"Os chamados olhos de gato deveriam ser colocados na pista, melhorando bastante, e principalmente para quem dirige durante à noite\", cita. Em outros locais, Brunetto, defende a implantação da terceira pista.

Em dias de chuva, o problema na pista se acentua, pois não há escoamento da água. \"Quando chove temos que triplicar a atenção, qualquer deslize coloca em risco a vida, tanto minha como de outros que estão no trecho. Viajo em outras rodovias, também no Estado, e nenhuma delas tem tantos problemas como as da nossa região. Uma solução deveria ser tomada o quanto antes\", constata ele.

Para o motorista de ônibus, Evaldir Inácio Muhl, que há 10 anos trabalha na empresa Unesul, o asfalto também se encontra em péssimas condições: \"em dias de chuva fica muito escorregadio, principalmente em um dos pontos mais críticos, na Serra das Antas. É preciso ir devagar, reduzindo a marcha, porque o freio acaba deslizando. Também há muitos buracos na pista, mesmo no asfalto restaurado. É difícil viajar com tranqüilidade em locais assim\".

Na opinião do motorista, o trecho em condições mais precárias está entre as cidades de São Miguel do Oeste e Maravilha. \"Viajo em outras rodovias, como as do Paraná, e observo muita diferença na conservação, na sinalização e nas condições do asfalto. Nem dá para comparar\", complementa Muhl. A situação, conforme ele, também tem sido responsável pela maioria dos acidentes que tem ocorrido na região.

SOLUÇÃO BREVE

O deputado Padre Pedro, líder do PT na Assembléia Legislativa, acompanhou a vistoria e destacou: \"esperamos uma solução breve para esse problema que preocupa as prefeituras e os moradores da região\". O vereador de São Miguel do Oeste, Adair Bernardi (PT), cobrou a recuperação imediata dos defeitos apresentados nas obras de recapeamento. \"Obtivemos a garantia que a empreiteira responsável vai refazer todos os trechos que apresentam problemas, sem custos adicionais\", salienta. \"Também reivindicamos melhorias no trevo de acesso à Cooperoeste/Terra Viva que, segundo o Dnit, serão executadas em 2009\", finaliza.

Durante a visita no trecho de São Miguel do Oeste a Paraíso, o prefeito de São Miguel, João Valar (PMDB), entregou ao diretor nacional do Dnit um projeto com um novo traçado do trevo de acesso que ficaria na extensão da avenida Willy Barth, no bairro São Sebastião, sentido Associação do Besc, num trecho de aproximadamente 1km. O novo trevo facilitaria o deslocamento da BR-163, que segue para o Paraná, bem como da BR-282, que dá acesso à Argentina.

O prefeito de Paraíso, Ênio Reckziegel (PPS), acompanhou a equipe do Dnit e reforçou o pedido para construção de passadouro de gado em alguns pontos do novo asfalto. Reckziegel ressaltou que muitos agricultores trabalham com pecuária, tendo áreas com pastagens nos dois lados da estrada. Isso também oferece mais segurança para quem transita pelo local. Conforme o diretor do Dnit, essas alterações já estão sendo analisadas e poderão ser implantadas no projeto.

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