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Edição 1275 (publicada em 14/01/08)- Descartada epidemia de
Pessoas que irão viajar para zonas de risco devem tomar a vacina pelo menos 10 dias antes
Está descartada a possibilidade de epidemia de febre amarela no Brasil. É o que afirmou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, em coletiva à imprensa, na quarta-feira, dia 09, em Brasília. \"A situação está sob controle, não há risco de epidemia\", garantiu o ministro, que também anunciou a liberação, pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), de dois milhões de doses da vacina contra a doença.
Temporão afirmou que o Ministério da Saúde tem capacidade de atender todas as demandas quanto ao fornecimento de vacinas. Destacou que a vigilância é eficaz e está em alerta nos Estados para qualquer situação de risco.
O ministro ressaltou que as pessoas que pretendem se deslocar para áreas de risco de febre amarela devem tomar a vacina 10 dias antes da viagem. Esse é o tempo necessário para que o organismo humano adquira anticorpos para se defender do vírus amarílico. A vacina é eficaz, dura 10 anos e está disponível em todos os postos de saúde.
No Brasil, as áreas de risco para a doença são: as regiões Norte e Centro-Oeste, Maranhão e Minas Gerais, além do sul do Piauí, oeste e sul da Bahia, norte do Espírito Santo, noroeste de São Paulo e o oeste dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Nessas regiões, a vacinação é feita de forma rotineira.
De acordo com Temporão, as pessoas que foram vacinadas de 1999 para cá não precisam de nova dose da vacina neste momento. \"É desnecessário se vacinar se a carteira de vacinação estiver em dia\", afirmou. Ele também tranqüilizou quanto à vacinação de crianças. \"Essa vacina integra o calendário infantil. Portanto, as crianças estão imunes\".
A DOENÇA
O risco de febre amarela em áreas urbanas também está descartado. Segundo o secretário de Vigilância em Saúde, Gerson Penna, desde 1942 não há registro de febre amarela em zonas urbanas no Brasil. Todos os casos registrados atualmente são de pessoas que contraíram a doença ao entrar nas matas.
De acordo com dados apontados em Brasília, entre 1996 e 2007 foram registrados 349 casos de febre amarela silvestre, com 161 óbitos. Ano passado houve a notificação de seis casos da doença no País, sendo dois no estado do Amazonas, dois em Goiás, um em Roraima e outro no Pará. Das pessoas que contraíram a doença, cinco morreram.
Desde o início das epizootias foram vacinadas aproximadamente 520 mil pessoas no Estado de Goiás e 320 mil pessoas no Distrito Federal. Para isso, o Programa Nacional de Imunizações já disponibilizou 2.267.500 doses da vacina para ambos os Estados em dezembro passado e nos primeiros dias de janeiro.
A febre amarela é uma doença infecciosa, causada pelo vírus amarílico, que ataca o fígado e outros órgãos, podendo levar à morte. A transmissão ocorre, principalmente, em regiões de matas. No passado, também havia a ocorrência da febre amarela urbana, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo da dengue.
Nas matas, a febre amarela ocorre em macacos e os principais transmissores são os mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, que picam preferencialmente esses primatas. Esses mosquitos vivem também nas vegetações à beira dos rios e picam o homem quando ele entra na mata. Caso o indivíduo não esteja vacinado, ele corre o risco de contrair a doença.
A maior incidência da doença acontece nos meses de janeiro a abril, período das chuvas. Nessa época há um aumento da quantidade do mosquito transmissor e, por coincidir com a época de férias, muitos ecoturistas não vacinados se deslocam para regiões de risco. As atividades agrícolas realizadas no período também podem levar a um número maior de pessoas às áreas com risco de transmissão.
A VACINA
No Brasil a vacina é gratuita e sua proteção dura 10 anos. A vacina contra a febre amarela dá uma proteção individual, ou seja, protege apenas as pessoas que recebem o imunizante. Por isso é preciso que todos os que não tenham sido vacinados procurem uma Unidade de Saúde para receber a vacina.
De acordo com o Ministério da Saúde, a vacina contra a febre amarela é contra-indicada para crianças com menos de 6 meses de idade, pessoas com imunodepressão transitória ou permanente, induzida por doenças (neoplasias, AIDS e infecção pelo HIV com comprometimento da imunidade), gestantes em qualquer fase, reações anafiláticas relacionadas a ovo de galinha e seus derivados ou a outras substâncias presentes na composição da vacina.
Nos casos de doenças agudas febris moderadas ou graves recomenda-se adiar a vacinação até a resolução do quadro com o intuito de não se atribuir à vacina as manifestações da doença. Indivíduos soropositivos para HIV, em regiões de médio e alto risco para febre amarela, devem ter sua vacinação avaliada levando-se em conta sua contagem de CD4 e carga viral.
Por ser uma área de transição da febre amarela, na região Extremo Oeste as vacinas estão disponíveis em todas as unidades de saúde.
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