Dengue: número de focos multiplica

Dengue: número de focos multiplica
Folha do Oeste - No cemitério, grande número de depósitos de água são identificados pelos agentes

Na região, mais de 90 focos já foram identificados apenas este ano

Alertar sobre a dengue nunca é demais. Prova disso é que mesmo com tanta divulgação sobre os cuidados com o mosquito, o número de focos se multiplica de maneira alarmante em todo o país. O fato também é identificado no Estado e região. Em 2011, foram registrados 679 focos em 61 municípios do estado de Santa Catarina.

Neste ano, o número de focos já é de 729, em 45 municípios. Na região, já foram identificados mais de 90 focos somente em 2012. Com base em dados da Dive (Diretoria de Vigilância Epidemiológica), deste total, três foram encontrados em Dionísio Cerqueira, 13 em São José do Cedro e 74 em São Miguel do Oeste. Se comparado com 2011, o número já é bastante preocupante, pois durante todo o ano passado SMOeste registrou 85 focos. De acordo com a coordenadora Regional do Programa de Controle da Dengue em Santa Catarina, Margot Staats Pires, se comparado ao número de habitantes, São Miguel é um dos municípios com maior número de focos do Estado, e a população precisa estar consciente deste fato e adotar medidas urgentes de prevenção.

Segundo Margot, neste momento, a situação de SJCedro também inspira cuidados e preocupação. Segundo ela, historicamente o município nunca chegou a este número de focos em apenas alguns meses. “Somente em abril, foram registrados nove focos, todos no centro. Isso significa que o mosquito está se domiciliando. As pessoas estão oferecendo condições para ele se instalar dentro de casa. Nas residências, ele encontra a água parada e o alimento, pois o mosquito fêmea se alimenta de sangue humano. Desta forma, dificilmente ele vai embora, proliferando cada vez mais. E é isso que está acontecendo”, explica a profissional. Para a coordenadora Regional, falta conscientização da população em eliminar todos os recipientes, que podem ser depósitos de água, até mesmo os mais pequenos, como latinhas ou tampinhas, principalmente em terrenos baldios. Neste período do ano, o alerta é voltado também para piscinas desativadas, que podem servir de local para proliferação. De acordo com ela, depois de instalado, a tendência é que ele se multiplique.

“Parece que as pessoas não estão percebendo que o perigo está próximo. Muitos, além de não cuidar do seu espaço, ainda não recebem bem o agente da dengue, e muitas vezes nem os recebem. O agente deve retornar a cada dois meses no imóvel, mas encontra muita resistência da comunidade para desenvolver esse trabalho frequente de vistoria. Isso prova que a população está descomprometida com a luta de combate à dengue. É preciso mais colaboração de cada pessoa”, declara Margot. A profissional aponta que quanto mais mosquitos houver na região, maior será a facilidade para se ter uma epidemia de dengue, caso alguém seja portador da doença. “Mais uma vez, pedimos que a população se preocupe com a doença e com o combate do mosquito, porque ele vai em busca de água em qualquer depósito existente”, enfatiza.

AÇÃO EMERGENCIAL

O registro de focos do mosquito transmissor da dengue motivou a Secretaria Municipal de Saúde de SJCedro a intensificar o trabalho de prevenção. Segundo o secretário Élcio Bisutti, os focos foram encontrados em armadilhas implantadas pelos agentes da dengue, mas também em residências, com moradores, e em terrenos baldios. Para ele, isso ocorreu porque algumas pessoas deixaram de se preocupar motivados em virtude do período de estiagem. “A prevenção precisa ser constante, até porque os ovos do mosquito podem ficar em torno de um ano parados, basta chover para os mosquitos se desenvolverem”, explica o secretário. A fim de conscientizar a população, os agentes comunitários de Saúde, profissionais da Vigilância Epidemiológica, agentes da dengue e fiscais sanitários estão realizando um mutirão na cidade. Os agentes de Saúde, em parceria com a comunidade, estão promovendo ações de limpeza de terrenos e residências. Também está sendo feito um trabalho de prevenção nas escolas.

DENGUE
De acordo com dados da Dive, a dengue é uma doença infecciosa, sendo considerada um dos principais problemas de saúde pública no mundo. O mosquito transmissor é o Aedes Aegypti, facilmente reconhecido pelo tamanho pequeno, pela cor geral marrom médio, apresentando faixas branco-prateada. A transmissão se dá pela picada do mosquito fêmea infectado pelo vírus, que se infecta picando pessoas doentes.
Este mosquito tem como criadouros preferenciais os mais variados recipientes de água: pneus sem uso, latas, garrafas, pratos com vasos, caixas d’água descobertas, piscinas sem uso, ralos desativados, calhas, lages, bromélias, ocos de árvores, entre outros. Os ovos são colocados em grupos (10 a 30 ovos por criadouro), são resistentes à  dessecação, podendo permanecer por mais de um ano. 

SINTOMAS
Os sintomas da dengue são: febre, dor de cabeça, dor no corpo e dor por trás dos olhos, podendo apresentar dor nas juntas e manchas vermelhas na pele. Qualquer pessoa pode contrair a doença, independente de sexo ou idade. A indicação é de que se a pessoa esteve nos últimos 15 dias em uma cidade com presença de Aedes Aegypti, ou com transmissão da dengue, e tiver os sintomas citados acima, procure imediatamente a unidade de saúde mais próxima. Evite o uso de medicamentos à base de ácido acetilsalicílico (AAS, Melhoral, Aspirina). A doença é confirmada através de um exame de sangue realizado gratuitamente pela rede básica de Saúde, pelo pedido do médico. 

COMO EVITAR A DENGUE? 

A única maneira de evitar a dengue é não deixar o mosquito nascer. Para isso: 

•  Evite que a água da chuva fique depositada e acumulada em recipientes como pneus, tampas de garrafas, latas e copos; 
•  Não acumule materiais descartáveis desnecessários e sem uso em terrenos baldios e pátios; 
•  Trate adequadamente a piscina com cloro. Se ela não estiver em uso, esvazie-a completamente sem deixar poças de água. Manter lagos e tanques limpos ou criar peixes que se alimentem de larvas; 
•  Lave com escova e sabão as vasilhas de água e comida de seus animais de estimação pelo menos uma vez por semana; 
•  Coloque areia nos pratinhos de plantas e remova duas vezes na semana a água acumulada em folhas de plantas. Em bromélias, utilizar jato forte de água na axila das folhas a cada dois dias; 
•  Mantenha as lixeiras tampadas, não acumule lixo/entulhos e guarde os pneus em lugar seco e coberto; 
•  Os locais mais prováveis para que a fêmea coloque os ovos são os que ficam à sombra e com água limpa.

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