Criador de 48 Automático revela que tem ainda duas invenções em mente

Há pouco mais de três anos, durante uma partida de 48, o agricultor Darci Dockhorn

Há pouco mais de três anos, durante uma partida de 48, o agricultor Darci Dockhorn, residente no distrito de Padre Réus, interior de São José do Cedro, e mais alguns amigos propuseram uma aposta no jogo - quem fizesse menos pontos deveria ficar a tarde toda atuando como armador. Talvez por infelicidade ou destino, Darci foi o que menos fez e como castigo teve que pagar a aposta, ficando armando as bochas no "cepo" para seus colegas. Durante esse tempo, o agricultor, que também tem um moinho de farinha de milho, pegou uma cerveja e sentou-se em uma cadeira, onde pensou em como criar uma máquina para armar as bochas automaticamente.

Desde então, ele começou o projeto para fabricar essa máquina e, segundo conta, curiosamente foram 48 dias trabalhando só nisso, fechado em um quarto e muitas vezes trocando a noite pelo dia. "Muitos amigos gozavam de mim, que eu nunca conseguiria inventar essa máquina. As únicas pessoas que me davam incentivo eram minha mãe e minha esposa", lembra.

Então como começou a fazer, a meta dele era terminar o invento. Darci disse que um amigo lhe prometeu pagar 10 caixas de cerveja se a idéia desse certo, outro teria prometido pagar um jogo completo de bochas e assim por diante, alguém fazia uma aposta. "Quando terminei a máquina, um dos meus amigos me pagou a cerveja e os demais não, mas como somos amigos, nem quis cobrar", ressaltou o inventor.

Quando o primeiro invento ficou pronto e instalado, Darci tratou de buscar um técnico da cidade de Chapecó para patentear a invenção. Depois de comprovado o funcionamento, começaram os pedidos de clubes e bares para instalar o 48 automático. Darci afirma que já vendeu cerca de 40 máquinas para cidades de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. Já houve pedidos de cinco máquinas para o estado de Mato Grosso, mas pela distância e os recursos de fazer cinco de uma vez só, ele não conseguiu atender o pedido.

Uma das coisas que o incomoda é a pirataria de seu invento. Darci comenta que existem máquinas copiadas de sua invenção, mas como a máquina de sua autoria é patenteada, a Justiça expediu mandados de busca e apreensão, onde três máquinas já foram tiradas de circulação. Nos dias atuais, o inventor disse que o tempo para a fabricação de uma máquina é de uma semana, bem inferior ao tempo levado para a fabricação da primeira, que levou 48 dias. "Com a pirataria, os pedidos de 48 automático diminuíram drasticamente. Já pensei em desistir disso, mas não parei porque tenho o registro valendo e devido ao sofrimento de criar a máquina, não devo abandonar tudo", explica.

Com 55 anos, Darci Dockhorn afirmou que uma necessidade seria ter um galpão pré-moldado para industrializar a produção. Ele salientou que não pensa em abandonar o interior e levar a distribuição para a cidade, porque está perto da família e amigos da comunidade do interior. Atualmente, ele trabalha num galpão de madeira, onde antigamente havia uma madeireira, de chão batido, sendo que, em dias de chuva principalmente, as condições de trabalho são precárias. "Já veio gente da Alemanha, Argentina, Paraguai e Uruguai, que demonstrou interesse em importar o meu invento, mas até agora nenhuma máquina foi exportada", destacou.

O agricultor disse ainda que tem duas invenções em sua mente e quer torná-las realidade. Uma seria um jogo para mulheres e a outra um veículo movido a vento. "Mais detalhes sobre isso não posso revelar", brincou Darci Dockhorn.

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