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Comércio de SMOeste precisará se reinventar
Se reinventar é a saída nesse momento de crise. De acordo com Ivandro Spengler, presidente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) dessa forma várias empresas estão se adaptando ao cenário atual, fazendo tele entregas e vendendo por meio de redes sociais. "As coisas mudaram, e a gente vai ter que se adaptar, para conseguir sair dessa situação evitando ao máximo os danos e os prejuízos", diz Spengler.
Sonia Rita Do Pilar, costureira há cerca de 10 anos, tem um ateliê próprio faz seis meses e conta que sua renda com costura é um dos seus principais sustentos. A princípio ela trabalhava com outros acessórios como artigos para bebês, e percebeu que parou de vender esse tipo de produto, (devida a crise comercial) ao mesmo tempo em que começou a procura por artigos de proteção, como máscaras de tecido. No começo ela estava produzindo para uso pessoal e de familiares, mas depois com a grande procura, ela começou a produzir em maior escala. Sônia conta que segue as determinações do Ministério da Saúde e que tem vendido bem, principalmente nas duas últimas semanas.
Outra empresa que teve que se adaptar em razão da crise pandêmica que atinge o cenário nacional foi a D'Lamb. Conforme o proprietário Irto Lamb, desde próximo ao dia 15 de março já percebeu que estava fechando o mercado para a sua produção, que é a confecção esportiva. O processo de adaptações se iniciou ao procurar as agroindústrias, para fazer a máscara em malha e depois se expandiu para a saúde e os outros setores da sociedade. Outro fator que o fez mudar o direcionamento da produção foi o fato dos campeonatos esportivos terem sido suspensos, e como esse é o principal ramo da empresa, esta se viu em busca de novas demandas. O empresário diz que eles também se reinventaram, buscando outros tipos de tecido por exemplo, adaptando o tipo da máscara, e adaptando também a produção para que atenda aos critérios da saúde, para o uso de médicos e outros servidores.
Para a Saúde, além de máscaras também foram desenvolvidos os aventais cirúrgicos descartáveis de TNT. Há diversos protocolos que são usados para a produção, advindos do Ministério da Saúde ou das diretrizes municipais. Lamb conta que uma das maiores dificuldades é conseguir a matéria prima no mercado para desenvolver esses produtos que são padronizados para área da saúde, em razão da grande busca desse material, cujo preço aumentou entre 300% e 500%. A empresa trabalha há 27 anos no ramo de confecções e que esse tipo de situação só foi presenciada no ano de 2002, ano em que aconteceu uma crise econômica na América do Sul. Nessa época o quadro de funcionários da empresa diminui de 20 pessoas para oito. Ele comenta que às vezes essas crises acabam deixando as empresas mais fortes, com acertos de funcionários, de equipamentos e dívidas. E depois, quando há a retomada da economia, as empresas conseguem crescer.
Esse também é o caso de Fátima Pereira, que mora há apenas dois meses em Descanso. Ela é costureira e conta que morava em Veranópolis, que fica perto de Bento Gonçalves no Rio Grande do Sul. Pela primeira vez, em São Miguel do Oeste ela relata que tira o sustento trabalhando com a sogra, fazendo reformas de roupas e outros serviços gerais de costura. Fátima diz que agora viu a necessidade de mudar o foco da produção. Como elas duas receberam inúmeros pedidos para fazer máscaras para fábricas e frigoríficos estão dedicadas nesse serviço. As encomendas aumentaram muito e então, ela conta, teve que contratar uma ajudante. "Faz dois dias que a gente está sem dormir, trabalhando direto", afirma.Elas fazem mais exemplares de máscaras caseiras para vender mais barato (R$ 2,00), com o intuito de ajudar quem precisa e tem poucos recursos para investir nesse ítem de proteção individual que se tornou obrigatório.
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