SÃO MIGUEL DO OESTE

Câmara aprova projeto que denomina estrada rural em homenagem a Mário Ecker

Câmara aprova projeto que denomina estrada rural em homenagem a Mário Ecker
Tiarajú Goldschmidt/Câmara de Vereadores

A Câmara de Vereadores aprovou nesta quinta-feira, dia 16, o Projeto de Lei Substitutivo ao PL nº 12/2026, de autoria do vereador Vivi De Carli (Podemos), que denomina de “Estrada Mário Ecker” a estrada SMO nº 154 do mapa municipal de estradas rurais, que compreende o trecho que inicia na BR-282, na comunidade da Linha Canela Gaúcha, até o entroncamento com a estrada rural SMO nº 226 do mapa, localizada na Linha Lajeado Direito. O texto foi aprovado em segundo turno e segue para sanção do prefeito.



Confira o histórico do homenageado:

Mário Ecker nasceu em 17 de agosto de 1922, na Linha Várzea Grande, em Gramado, no Rio Grande do Sul. Filho de Clemente Ecker e Ursulina Ecker, ambos naturais daquele estado, cresceu em uma família numerosa, com treze irmãos. Sua infância e juventude foram vividas em um período de transformações na região de Gramado, marcado pelo desenvolvimento da agricultura colonial e pela expansão impulsionada pela chegada da ferrovia.

Na Linha Várzea Grande, onde residia, conheceu Leopoldina Ottilia Von Dentz, com quem se casou em 12 de fevereiro de 1942, no município de Gramado. O casal construiu uma vida pautada no trabalho e na dedicação à família, enfrentando, anos depois, os desafios da migração para o Oeste catarinense.

Em abril de 1944, movidos pelo espírito pioneiro e pela busca de novas terras para cultivar, Mário e Leopoldina – juntamente com outras quatro famílias, entre elas integrantes da família Von Dentz – deixaram o Rio Grande do Sul rumo ao Extremo Oeste de Santa Catarina. A travessia foi realizada por balsa, em Mondaí (SC), então na divisa com o município gaúcho de Iraí. A partir dali, seguiram viagem em caminhão adaptado às condições precárias da época, levando cerca de uma semana para concluir o trajeto. As chamadas “estradas” eram, na verdade, picadas estreitas e lamacentas, abertas em meio à mata fechada.

Ao chegarem à então Vila Oeste – atual São Miguel do Oeste – fixaram-se no interior, no povoado conhecido como Canela Furada, posteriormente denominado Linha Canela Gaúcha, em referência à origem de seus fundadores. Inicialmente, permaneceram acampados por cerca de um mês nas dependências do casarão de Alfonso Von Dentz, que havia migrado para a região no ano anterior.

Posteriormente, Mário estabeleceu-se em área próxima à atual sede da comunidade de Linha Canela Gaúcha. Viveu, em um primeiro momento, em rancho provisório, até concluir a construção de seu casarão de madeira, que permanece preservado como símbolo da história da família. Nesse local, ele e Leopoldina constituíram família e criaram seus nove filhos: Nelson (em memória), Celita (em memória), Ivo, Ivanor, Ilso, Ilse, Iraci (em memória), Isidoro e Roque Ecker, consolidando as raízes da família no Extremo-Oeste catarinense.

Agricultor por vocação, Mário Ecker teve papel relevante no desenvolvimento da comunidade local. Cultivava milho, soja e feijão e destacou-se na vitivinicultura, mantendo parreirais e produzindo vinhos. Demonstrando fé e espírito comunitário, manteve por muitos anos a tradição de doar vinho de sua produção para o rito de consagração nas missas celebradas pelo Padre Aurélio. Em sua propriedade, também mantinha um alambique para a produção artesanal de cachaça.

Mesmo após a aposentadoria e a viuvez, permaneceu como figura respeitada na comunidade até o fim da vida, preservando o legado de trabalho iniciado com a chegada às terras catarinenses.

Mário Ecker faleceu em 27 de julho de 2007, aos 84 anos, em sua residência na Linha Canela Gaúcha, deixando um legado de pioneirismo, dedicação e contribuição à história da colonização do Extremo Oeste de Santa Catarina.



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