Alesc debate proteção e bem-estar animal em São Miguel do Oeste |
Alesc debate proteção e bem-estar animal em São Miguel do Oeste
São Miguel do Oeste recebeu, na noite de sexta-feira, dia 8, a terceira audiência pública de um ciclo de sete encontros previstos para 2026 com o objetivo de debater demandas e apresentar sugestões voltadas à causa animal.
Promovida pela Comissão de Proteção, Defesa e Bem-Estar Animal da Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina), a iniciativa vai percorrer diferentes regiões do estado para traçar um panorama da realidade local relacionada à proteção animal.
Realizado na Câmara de Vereadores do município, o evento, proposto pelo deputado Marcius Machado (PL), reuniu autoridades, representantes de entidades protetoras, ativistas e membros da comunidade.
Entre os principais temas discutidos estiveram o combate aos maus-tratos, o incentivo à adoção responsável, o controle populacional de cães e gatos e o fortalecimento das organizações que atuam na área.
Durante a audiência, o deputado ressaltou que as informações levantadas nos encontros têm como objetivo identificar as principais necessidades da causa animal, permitindo a construção de soluções conjuntas e a elaboração de projetos de lei mais eficientes e alinhados à realidade atual.
Segundo ele, ações como a castração e a conscientização das crianças sobre o respeito e os cuidados com os animais são fundamentais, além da criação de legislações específicas voltadas à proteção animal.
O parlamentar também informou que todas as propostas e discussões apresentadas nas audiências serão levadas ao 4º Fórum Catarinense de Proteção e Bem-Estar Animal, programado para o dia 10 de junho, na Alesc, em Florianópolis.
Para o deputado, a realização de um censo da população animal em Santa Catarina é uma das principais demandas da causa.
Entidades defendem maior integração entre comunidade e poder público
Representando a ONG Amigo Bicho de São Miguel do Oeste, Rodrigo Ferreira destacou que a falta de conscientização da população ainda é um dos principais desafios da causa animal.
Atuando há quase duas décadas no município e na região Extremo Oeste em defesa do bem-estar animal, ele afirmou que, ao longo dos anos, a entidade enfrentou dificuldades para conquistar o apoio da comunidade.
“Hoje contamos com apoio do poder público, mas ainda precisamos conscientizar mais a população. Também falta maior integração entre a comunidade, os órgãos de proteção animal e o poder público. Precisamos fortalecer essa interação entre todas as entidades envolvidas”, afirmou.
Protetoras relatam dificuldades em atendimentos de emergência
A presidente da ONG Amigos da Daisy, Diana Daisy Brooklyn, relatou as dificuldades enfrentadas pelas protetoras no atendimento de animais em situação de emergência.
Segundo ela, a entidade atua principalmente em comunidades carentes de São Miguel do Oeste e da região, acolhendo animais abandonados, vítimas de agressões, atropelamentos, doenças virais e falta de alimentação adequada.
Ela explicou que, na maioria das vezes, o atendimento precisa ser imediato, mas as protetoras enfrentam limitações financeiras e estruturais. “As pessoas procuram as protetoras quando o problema já aconteceu, mas nós não temos recursos ilimitados. Não contamos com veículos de emergência, clínicas próprias ou veterinários gratuitos. Todo atendimento gera custos”, destacou.
Diana também ressaltou que, além do resgate e tratamento, outro desafio é encontrar lares adotivos para os animais recuperados. “Enquanto um animal está sendo atendido, outro já precisa de ajuda. Os municípios crescem, a urbanização aumenta e ainda não conseguimos fechar esse ciclo da forma rápida que deveria acontecer”, comentou.
Apesar das dificuldades, ela afirmou acreditar em uma mudança de consciência nas próximas gerações.
Projeto busca mais visibilidade e atendimento para animais com necessidades especiais
Representante do projeto Patinhas Especiais, a protetora Eliane Giehl destacou a importância da audiência no interior do estado, especialmente diante do aumento no número de animais abandonados e da dificuldade em encontrar famílias adotivas.
Segundo ela, muitas vezes o número de animais rejeitados e abandonados cresce em ritmo maior do que a capacidade de acolhimento e adoção das entidades e protetores.
Ela explicou que seu trabalho possui uma característica diferente da maioria das ONGs da região, pois é voltado exclusivamente ao atendimento de animais com necessidades especiais, muitos deles vítimas de maus-tratos.
“Os animais que vivem comigo chegam dessas situações de abandono e violência e permanecem comigo até o fim da vida. O objetivo é garantir qualidade de vida e bem-estar dentro das limitações de cada um”, relatou.
A protetora também ressaltou que, em muitos casos, esse tipo de trabalho ainda enfrenta falta de reconhecimento.
“Muitas pessoas enxergam esses animais apenas pelo sofrimento, mas eu vejo como uma oportunidade de proporcionar uma vida digna e cheia de cuidados para eles”, afirmou.
Agência AL
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