Extremo Oeste define prioridades regionais durante plenária da Facisc com participação da Acismo |
Agricultores reivindicam medidas para sobrevivência na atividade
Revisão das políticas de incentivo, do modelo de produção, da anistia ou suspensão de dívidas constam entre as reivindicações apresentadas
Agricultores, líderes sindicais e representantes de diversos municípios do oeste catarinense, inclusive de algumas cidades pertencentes ao Meio-Oeste, como Catanduvas, participaram da audiência pública realizada no CTG Mate Amargo, durante a manhã do último sábado, dia 16.
Proposto pelo deputado Plínio de Castro (PP), o encontro promovido pela Comissão de Agricultura e Política Rural da Assembleia Legislativa teve como objetivo tratar sobre as perdas sofridas em função das estiagens e sobre garantias para que os agricultores possam se manter na atividade. “Quando volta a chuva morre o assunto, mas a conta para pagar fica no bolso de cada agricultor”, afirmou.
Ele entende que o setor, afligido pela falta de chuva em oito dos últimos 12 anos, precisa se fazer insurgir para que medidas como as adotadas pelo Governo Federal a fim de socorrer o setor automobilístico também possam ser decretadas para incentivar o setor agrícola. “Nós vivemos em cidades pequenas e o comércio sente esse reflexo também”, expôs ao se referir à baixa na renda dos agricultores e, por conseguinte, no movimento econômico dos municípios.
Segundo o deputado, as informações levantadas durante a audiência irão compor uma proposta unificada de reivindicações, que deverá ser levada ao Planalto Central.
DEPUTADOS
Participaram, ainda, da audiência presidida pelo deputado Mauro de Nadal (PMDB), o deputado Maurício Eskudlark (PSD) e o deputado Daniel Tozzo (PSDB).
Eskudlark lembrou a destinação de R$ 60 milhões, financiados pelo Governo do Estado junto ao BNDS (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), para o combate aos efeitos da estiagem.
Tozzo disse que não deve haver partidos políticos na hora de discutir esses assuntos. Ressaltou que a região oeste de Santa Catarina foi construída pela força de trabalho, em especial de quem trabalha no setor agrícola, e que somente depois é que veio o investimento do governo. Ele compreende que para não haver falta de alimento, está na hora de devolver a renda para o campo.
LÍDERES SINDICAIS
O presidente da Fetaesc (Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Santa Catarina), Walter Dresch, assinalou que mais de 32 mil propriedades agrícolas do Estado estão com a sucessão ameaçada porque os filhos não pretendem continuar trabalhando na atividade. Ele propôs que não fossem mais pagas as dívidas enquanto não forem adotadas medidas de valorização aos agricultores.
Já o coordenador da Fetraf-Sul (Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul), Alexandre Bergamin, salientou que o problema vivenciado pela agricultura catarinense surge a partir da dependência do modelo tecnológico de produção, que tem alto custo. Por isso, além da anistia das dívidas, ele apresentou a necessidade de alternativas de produção e o melhoramento do seguro agrícola.
Bergamin adiantou que, nos dias 26, 27 e 28 deste mês, data prevista para o anúncio do novo Plano Safra, os agricultores devem fazer uma nova mobilização no sul do país. “Está ocorrendo um autoendividamento. O Governo Federal não percebe como está a situação, porque quando analisa os relatórios dos bancos vê que as contas estão pagas, mas o que acontece é que pra pagar o agricultor vende vaca, um pedaço de terra. Ele fica com o problema, mas honra os compromissos que têm e queremos que o governo faça o mesmo”, desafiou.
O superintendente da Faesc (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina), Gilmar Zanluchi, reforçou a necessidade de investimentos no setor e reiterou que somente haverá sucessão na agricultura quando o pai conseguir mostrar para o filho que é possível ter lucro.
DESABAFO
Os agricultores pediram anistia ou alongamento no prazo para o pagamento das dívidas ou ainda um desconto no total dos débitos. Muitos lembraram que as dívidas vêm se acumulando há anos e a estiagem mais recente apenas agravou a situação.
Segundo o agricultor e presidente da Câmara de Vereadores de Guarujá do Sul, Carlos Possatto, seria importante ter capital de giro para manter as propriedades. “Às vezes nós temos que ser mentirosos. A gente não pega financiamento pra comprar vaca, temos que ir ao banco mentir para conseguir pagar as contas”, argumentou.
A agricultora Sandra Bergamin, de Cordilheira Alta, chamou a atenção para o excesso de exigências para a concessão do seguro rural e para os altos custos de produção. “É um modelo que precisa ser rediscutido, de tal forma que a renda produzida fique na propriedade. Ninguém trabalha de graça”, afirmou.
Ela frisou a necessidade de revisar a assistência prestada pela Epagri e Cidasc aos agricultores e, ainda, de implantar políticas estruturantes, e não somente paliativas no campo para evitar que daqui um ano o mesmo assunto venha a ser debatido.
Para a agricultora de São José do Cedro, Lucimar Roman, deve haver crédito subsidiado para quem produz alimento. Já o agricultor assentado do mesmo município, Algeu Fagundes, reclamou do esquecimento dos governantes para com o setor. “Quem administra o país não come, porque se comesse iria lembrar de quem produz o alimento”, exclamou.
Audiência Pública foi proposta pelo deputado Plínio de Castro
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