Um boletim de ocorrência registrado na tarde de ontem contra membros do Executivo da prefeitura de Bandeirante mobilizou um grande efetivo policial na sede da prefeitura. De acordo com o registro de autoria da funcionária pública Elaine Rieth, quando se preparava para deixar a prefeitura, próximo do meio-dia de ontem, no horário do almoço, foi acusada pela secretária de Administração, Cirlei Gobi, de estar portando ?algo? em sua bolsa, e a Polícia Militar foi acionada para fazer uma revista. Segundo os registros no Boletim de Ocorrência, Elaine disse que nada foi encontrado. Diante disso, Cirlei teria solicitado uma revista em seu corpo, em busca de um suposto aparelho de gravação. Após esse fato, foi deslocada uma policial militar feminina de São Miguel para a revista e, segundo a comunicante, nada foi encontrado.
O episódio ocasionou um ajuntamento de pessoas em grande número em frente à prefeitura de Bandeirante e vídeos gravados em celulares mostram Elaine Rieth sentada e mais três ou quatro pessoas da administração em pé à sua volta, dentre elas os secretários Cirlei Gobi, Éder Marcon e o prefeito Celso Biegelmeyer. Nos autos, a servidora de carreira disse que ficou impedida de sair da prefeitura e sentiu-se humilhada e constrangida.
O advogado de Elaine Rieth, que preferiu não ter o nome divulgado, afirmou que na verdade havia a suspeita de quebra de sigilo funcional e que ela estaria levando informações para a Câmara de Vereadores, não permitidas, através de algum equipamento eletrônico. ?A secretária Cirlei deu voz de detenção e mandou outra pessoa ficar vigiando Elaine. Quando cheguei à prefeitura, minha cliente estava trancada lá dentro e o sargento de Polícia Militar, Gobi, de São Miguel, que é cunhado de Cirlei, não permitiu minha presença. Vou tomar medidas porque fui expulso. A Polícia Civil foi acionada e o delegado Ricardo Casagrande foi até o local para apaziguar a situação. Na revista, não foi encontrado absolutamente nada?, informou.
Após isso, Elaine foi orientada pelo delegado Casagrande a se deslocar para a delegacia de polícia, que fica ao lado da prefeitura, para fazer o Boletim de Ocorrência. Também os demais envolvidos prestaram esclarecimento.
Após o ocorrido, Elaine pegou um atestado médico e, como teria ficado abalada, disse que não havia mais condições de voltar ao trabalho e que iria procurar atendimento especializado, em razão de problema de ordem emocional muito forte. O defensor da servidora disse que a Constituição permite ao cidadão dar voz de prisão para qualquer outro que cometer ilegalidade, mas, por outro lado, ele observa que houve abuso de poder excessivo por parte de Cirlei com relação à Elaine, em vista do constrangimento sofrido por esta última. ?Por ser uma cidade pequena, todos ficaram sabendo. É uma situação delicada. Foi uma forma totalmente arbitrária. A Polícia Civil fará uma investigação, e dependendo da situação, os autores podem ser enquadrados em algum crime. Essa história não acaba por aqui?, avisa.
Sobre o episódio, a assessoria jurídica da prefeitura de Bandeirante emitiu um comunicado ao Folha do Oeste, no final da tarde de ontem, relatando que existia suspeita de que documentos públicos do município estivessem em poder da servidora de forma indevida e em razão disso a Polícia Militar foi chamada. A nota diz,ainda,que foram encontrados e apreendidos dois objetos, e, dentre eles, um documento pertencente ao município.
ADVOGADO SUGERE ARMAÇÃO
Como o esposo de Elaine é policial militar e não é ligado ao partido que administra o município, o prefeito de Bandeirante não teria assinado o convênio para o repasse de verbas de combustível para a Polícia Militar, até que não fosse feita a sua transferência para outra cidade. ?É uma coincidência muito grande a mulher ser coagida desta forma. A Câmara de Vereadores, assim como todos, sabe da inimizade do prefeito e este policial, esposo da servidora. Ela passou por este constrangimento possivelmente por politicagem, tentando atingir o policial. É mais uma agravante para a situação. Tenho certeza que no final do túnel existe este motivo?, concluiu o advogado.
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