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A sensibilidade em criar obras de arte
Talento e persistência. É assim que defino o artista plástico Neuri Jorge Reolon, de 43 anos, natural de São José do Cedro. Com uma enorme habilidade e olhar crítico, utiliza materiais que iriam para o lixo e os transforma em verdadeiras obras de arte.
Conforme o artista, aos 12 anos já produzia algumas peças.
"Eu não tinha conhecimento das ferramentas, então eu pegava uma faca escondido da minha mãe e tirava a ponta e com uma lima eu afiava. Eu segurava como se segura uma régua, e martelava, vivia com as mãos inchadas e os dedos machucados. Depois de muito tempo, eu guardei a faca, não abandonei, porque foi parte de um processo que me mostrou esse universo da escultura. Eu gosto de teatro, desenho, pintura, mas a minha paixão é a escultura", conta o artista.
De acordo com ele, no início da carreira outros artistas o inspiraram.
"Busquei referências como Picasso e Modigliani para ver como desenhavam, formas e linhas que eram utilizadas. Hoje já busco uma identidade, a natureza me inspira muito. Gosto de criar, de contar histórias. Todas as obras são exclusivas", explica.
O arte-educador, arte terapeuta e artista plástico, comenta que utiliza materiais que, na maioria das vezes, seriam descartados.
"Por onde eu vou observo os materiais se podem ser utilizados em meus trabalhos. Já aconteceu de ir viajar e passear e voltar com materiais que se transformaram em esculturas", relembra.
O artista tem obras espalhadas por toda Santa Catarina, além de Curitiba, Belo Horizonte e também no exterior.
O artista comenta que quando enxerga os materiais, já consegue imaginar as peças prontas, as ideias vão surgindo.
"A sensibilidade conta muito nessas horas, gosto de contar histórias, de criar, isso que é bacana"
Quem deseja tem um trabalho do artista em casa, pode entrar em contato e encomendar a peça, já que todos os trabalhos são exclusivos. Os itens mais pedidos são as figuras sacras e estilizadas.
"Minhas obras, principalmente as esculturas, possuem características únicas. São horas de trabalho para que a peça fique perfeita, com uma riqueza de detalhes muito grande", salienta.
Apesar da economia nacional passar por instabilidades, Neuri comenta que consegue 'viver de arte'.
"Não foi fácil. Mas sempre insisti, aperfeiçoei, inovei, criei. Sempre busquei novidades, por isso expandiu, porque não fico em um só elemento, se eu não consigo trabalhar na madeira, me dedico à pintura, desenho", detalha o artista.
Quando perguntado sobre qual o sentimento que permeia o trabalho, Neuri é enfático. "Sensibilidade. É saber aproveitar como fonte de inspiração. Hoje tá todo mundo sem tempo, em uma velocidade muito grande em adquirir coisas que se perde o real sentido da vida", alerta.
Neuri comenta que quando descobriu o caminho que gostaria de seguir, não tinha ideia do universo da arte, da música, da pintura, da dança. "Pediam como eu iria viver de arte (risos). Foi difícil, mas eu encarei. Aquele friozinho na barriga me fez continuar. Isso me impulsionou e me apaixonei. Eu amo o que eu faço. Não tem como explicar, porque amar de verdade é muito poderoso", fala ao deixar transparecer a voz trêmula de emoção.
RECONHECIMENTO
"Quando paro para pensar, volto no tempo. Porque é todo um processo de estudo, de conhecer a técnica. Acredito que essa experiência entre obra de arte, artista e cliente, há uma troca. É muito gratificante saber que as pessoas encontram felicidade e alegria no meu trabalho", declara.
Ele observa que ao realizar os trabalhos, principalmente as caricaturas, onde as pessoas participam, contam histórias, contagiam as demais com a alegria. Além disso, o artista expõe a satisfação em ver o resultado do trabalho e como isso faz os clientes felizes.
" Então isso é gratidão, ver a realização do cliente do cliente em receber a peça. Posso dizer que sou imensamente feliz e realizado no meu trabalho"
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