Governo do Estado entrega equipamentos agrícolas em evento no Oeste |
?Essa rodovia está praticamente intransitável?, denuncia motorista
Embora os antenados já tivessem certeza que não, ainda havia uma esperança de que mais trechos da rodovia federal, que atravessa o estado de Santa Catarina e promete uma ligação bioceânica pela Argentina, estivessem contemplados no PIL (Plano de Investimentos em Logística), anunciado nessa semana pela presidente Dilma Rousseff (PT).
Projetado para promover a retomada do crescimento da economia, como a própria presidente diz, o programa deve viabilizar a injeção de R$ 198,4 bilhões no processo de modernização da infraestrutura de transportes do país. O extremo oeste catarinense, entretanto, só poderá ver parte desse investimento se percorrer, pelo menos, cerca de duzentos quilômetros até chegar a Chapecó. É que no leilão previsto para este ano só consta o trecho da BR-282, entre a cidade e Irani.
Mas, é justamente de lá para cá que a situação piora. Falta sinalização. Faltam faixas adicionais. Só o que não falta são buracos, e logo adiante veículos parados para troca de pneu ou a espera de um socorro mecânico. “Essa rodovia está praticamente intransitável. Há tanto buraco, mas tanto buraco que quem tem hora marcada para chegar a Chapecó tem que sair com antecedência, manter distância do veículo da frente e prestar muita atenção por que ao desviar corre o risco de invadir a pista contrária e provocar um acidente. Não é que os buracos sejam tão largos, mas eles profundos e aí, quando um veículo cai num deles vai pneu, vai suspensão e o estrago é grande”, conta indignada a empresária de São Miguel do Oeste, Juciane Agostini.
Para o vice-presidente Regional da Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina), Astor Kist, essas condições colocam o extremo oeste numa situação de concorrência desleal em relação ao restante do mercado. “Nós já estamos em desvantagem pela distância e ainda temos que lidar com os custos da manutenção dos veículos e o risco de perder cargas e colaboradores nesse trecho”, desabafa.
O presidente do Conselho das Entidades em São Miguel do Oeste, Vilmar de Souza, também reclama mais atenção à região. “Fomos esquecidos mais uma vez. Não há investimento para melhorar o fluxo nem a segurança da rodovia. Só que não podemos ficar parados. Temos que nos mobilizar e fazer cobranças mais fortes”, conclama. “A nossa única arma é reivindicar”, considera.
UMA SUCESSÃO DE PROBLEMAS
O tráfego intenso, combinado com o excesso de cargas, é apontado pelo engenheiro civil Ricardo Saporiti como o principal vilão no processo de deterioração do pavimento. “O mato está ‘comendo’ o posto de pesagem em Maravilha e a sociedade não fiscaliza, não cobra uma solução efetiva”, enfatiza. “Temos de ser mais incisivos”, sugere ao se referir ao posto, que está fechado desde o ano passado por conta de um impasse judicial. O MPF (Ministério Público Federal) entende que a operacionalização deve ser feita por servidores do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e não por terceirizados, mas o órgão alega que não recursos humanos suficientes para isso.
Por outro lado, o engenheiro pondera que, mesmo com a retomada da fiscalização no posto de pesagem, continuarão sendo necessárias constantes obras de conservação na rodovia. “Isso não é exclusividade do Brasil. É assim em todo o mundo”, assinala. “Há um estudo que diz que para cada U$S 1 que deixa de ser aplicado em manutenção são gastos U$S 2,5 para restaurar e é isso que está acontecendo com a BR-282”, pontua o engenheiro.
O Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) até fez um planejamento para evitar que isso acontecesse, contudo uma série de problemas em contratos de prestação de serviços deixou a rodovia à mercê do desgaste há cerca de dois anos. “A região teve a infelicidade de chegar a essa condição de precariedade em função de contratos mal-sucedidos feitos pelo Dnit. As empresas contratadas nos últimos anos pouco ou nada fizeram para a conservação do trecho entre São Miguel do Oeste e Ponte Serrada. Primeiro foi a Rodocom, depois a Mafrensi e mais recentemente o Consórcio Continental, que tinha R$ 112 milhões para fazer os serviços. Todas fracassaram e a estrada está um caos”, aponta o vice-presidente Regional da Fiesc, Astor Kist.
O caso foi parar no MPF (Ministério Público Federal) e por consequência o órgão rescindiu os contratos. Agora, após um novo processo licitatório, é a LCM Construtora que deve executar os serviços. Os trabalhos foram orçados em torno de R$ 55 milhões para trechos das BR-282, 158, 480 e 163. Na sexta-feira, dia 12, já começou uma operação tapa-buraco na BR-282, em Pinhalzinho.
Todavia, na opinião do vice-presidente Regional da Fiesc é preciso mais que a retomada das obras de manutenção. “Existem empresas que não deveriam nem sonhar em se habilitar para prestar esse tipo de serviço porque não têm condições de executar as obras. E, isso não tem acontecido só com o Dnit. Acontece no Governo Federal, no estado e nos municípios também, e os culpados são exatamente os órgãos públicos que não emitem um atestado de inidoneidade dessas empresas”, reclama, ao pontuar que essa seria uma forma de eliminar os apadrinhados políticos e as empresas mal-intencionadas das concorrências públicas.
SAIBA O QUE É!
Quando uma empresa não termina uma obra, executa serviços de má qualidade, forja documentos comprobatórios e o contratante deve preencher um documento atestando a inidoneidade da contratada. Assim, da próxima vez que esta tentar participar de um processo licitatório será possível saber seu histórico, evitar a participação na licitação e os impasses no futuro.
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