Uva: produtores preparam colheita

Uva: produtores preparam colheita
Folha do Oeste

Segundo levantamento feito pala Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), o Brasil possui em torno de 68 mil hectares de videiras, dos quais 50% são cultivados com uvas finas e comuns destinadas ao consumo ?in natura?.
Na linha Pratinha,a interior de Descanso, a família do agricultor Agenor Zilli trabalha há mais de 10 anos com a produção de uvas. Seis dos 32 hectares da propriedade são destinados às parreiras onde estão inseridas cerca de 20 variedades. A expectativa do vinicultor para essa safra é de produzir cerca de 80 toneladas de uva. ?Começamos a colher a uva Vênus, que é a mais precoce, no dia 15 de novembro, e até agora já colhemos uns 12 mil quilos dessa variedade e devemos colher, ao todo, só de Vênus, umas 20 toneladas; e incluindo todas as variedades, até o final de fevereiro esperamos uma produção de 80 toneladas?, diz Zilli.

UVA VÊNUS
As principais características da uva Vênus, encontrada na propriedade de Zilli, são a brotação, a floração e a maturação antecipadas. A precocidade de maturação da cultivar deve-se ao rápido desenvolvimento dos frutos. O cacho é de tamanho médio, sabor aframboezado, apresenta sementes com consistêcia macia, mais ou menos desenvolvida e não perceptível ao mastigar.
Com auxílio da Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural), Zilli se tornou um dos primeiros produtores a se dedicar ao cultivo da uva Vênus na região. ?A vantagem da variedade Vênus é que ela é muito precoce; nesse período, na região, não tem uva, então a aceitação do mercado é muito boa. Porém, não é uma uva que se vende muito bem se colocada junto com a uva Niágara, por exemplo?, comenta Zilli.
Segundo o agricultor, dois hectares da propriedade são exclusivos para a produção da variedade Vênus, que se estrutura muito bem no calor, necessitando de um curto período de frio para o desenvolvimento. A produção da Vênus em relação às outra variedades requer algumas especificidades. ?O cultivo muda em termos de fungicida e também precisa de um hormônio para engrossar o bago?, ressalta o agricultor.

EXPERIMENTO
Segundo o engenheiro agrônomo e extensionista da Epagri de Descanso, Lenoir José Loro, a propriedade de Zilli é uma, dentre outras, onde a Epagri vem realizando experimentos. ?Trabalhamos e fazemos experimentos de cultivares de uva aqui através de pesquisas desenvolvidas pela Epagri para saber qual melhor se adapta à região?.
Loro conta que na propriedade há um experimento novo e único, momentaneamente, sendo realizado na região: a cobertura da parreira com plástico. ?A função da utilização da cobertura plástica é evitar a exposição direta à chuva e umidade?, explica, enfatizando que essa alternativa técnica propicia a redução de tratamentos com produtos químicos. O agrônomo revela ainda que a ideia é fazer as parreiras produzirem frutos orgânicos futuramente. ?Também avaliamos alguns cultivares que são mais exigentes e precisam de maiores cuidados. Temos cultivares que estão sendo avaliados, os quais somente produzem na região com apoio do plástico?, comenta Loro.
Ao todo, são quase dois mil metros de parreira cobertos e uma série de cultivares sendo avaliados. O extensionista diz que cultivares que antes não produziam na região passaram a produzir bem com a proteção do plástico, e a redução de aplicação de produtos químicos, em função da técnica, foi de cerca de 20%.

VINHO DE
BANDEIRANTE
Nos altos da linha Flor da Serra, interior do município de Bandeirante, o vinho produzido pelo agricultor que sonha tornar o neto de sete anos enólogo - profissional que estuda todos os aspectos relativos ao vinho - é um dos destaques da região; pessoas provenientes do Paraná, Mato Grosso e até da Argentina e do Paraguai já vieram em busca do vinho produzido pelo agricultor Adair José Teixeira.
Por uma tradição familiar, Teixeira, cujo pai cultivava uvas, fala com propriedade quando o assunto são as videiras. Ele conta que lida com parreiras desde que se conhece por gente. ?A vida toda trabalhamos com uvas, o que nos torna experientes no assunto, produzimos sucos há três anos e vinho já há um longo tempo?.
Com dois dos 52 hectares da propriedade reservados à produção de uva, Teixeira revela que pretende implantar mais 1,4 hectares de um novo sistema de parreiras e para os próximos meses destinará quatro hectares da propriedade somente para produção de uvas.
Para valorizar ainda mais o vinho e o suco que produz, Teixeira destaca que os produtos são realizados exatamente dentro das normas sanitárias. ?Fizemos uma cantina, com apoio da prefeitura de Bandeirante, Epagri e Embrapa, dentro do padrão de produção e com alvará?.

VENDAS
O vinicultor conta que, na colheita da uva, vários clientes vão até a propriedade e ajudam a tirar a uva. ?Por serem na maioria descendentes de italianos e gostarem dessa atividade, eles vêm até aqui, colhem o que querem, pesam, pagam e levam. Também vendo muita uva moída, onde os compradores levam para casa e lá fazem o próprio vinho, isso é muito interessante. Por ter experiência na produção de vinho, também repasso dicas para eles produzirem?, diz.
No ano passado, Teixeira conta que foram entregues 30 mil quilos de uva somente na região. Para a próxima safra, a estimativa do agricultor é de que sejam produzidas 20 mil garrafinhas de suco e em torno de 10 mil litros de vinho.

EXPERIMENTO II
Na propriedade de Teixeira, a Epagri também está realizando um experimento com as parreiras, inédito na região. O extensionista da Epagri de Bandeirante, José Clóvis Moreira, conta que está sendo feito um parreiral específico para terrenos íngremes e morros. ?Essa parreira está sendo implantada em um morro onde foi escavado e plantado tudo em curva de nível em forma de degraus e as videiras serão trabalhadas em forma de ?meio Y?, aonde a parreira vai ?correr? só para uma direção, facilitando os tratos culturais?, explica.
A unidade demonstrativa, segundo Moreira, foi implantada em agosto. ?Estamos acompanhando desde os investimentos iniciais até os primeiros resultados e a produção deve começar em dois ou três anos?, revela.
Em aproximadamente quatro meses, a parreira adaptada ao terreno irregular já apresenta um desenvolvimento considerável das plantas, que já ultrapassam dois metros de altura.
?É um processo diferente do utilizado na região e dentro do que conhecemos é o primeiro. O morro para propriedade seria impróprio para outro cultivo, mas não para a fruticultura, no caso das uvas?, destaca Moreira.
Com os resultados dessa unidade, Teixeira acentua que pretende buscar ainda mais qualidade nos frutos. ?Buscamos uma uva mais natural, mais saudável para a produção de nossos sucos e vinhos?.

Ensino de nove anos gera polêmica Anterior

Ensino de nove anos gera polêmica

Agricultoras participam de curso artesanal com palha Próximo

Agricultoras participam de curso artesanal com palha

Deixe seu comentário