UTI na região: necessidade comprovada
Em SMOeste, unidade deve ser inaugurada no dia 6 de junho com a presença do governador
Entre os diversos problemas que a população brasileira enfrenta na área da Saúde, um deles está na falta de leitos nas UTIs (Unidade de Terapia Intensiva). O espaço é destinado ao acolhimento de pacientes em estado grave com chances de sobrevida, que requerem monitoramento constante (24 horas) e cuidados muito mais complexos que o de outros pacientes. Na região, após várias ocorrências de óbitos durante transporte de pacientes para centros maiores em busca de atendimento, as dificuldades devem ser amenizadas com a inauguração da UTI do Hospital Regional Terezinha Gaio Basso. O evento, que ficará marcado na história do setor da Saúde regional, será realizado no dia 6 de junho (data ainda a ser confirmada), com a presença de autoridades estaduais e do governador Raimundo Colombo.
Com equipamentos de última geração, a UTI de SMOeste conta com 10 leitos, sendo dois de isolamento. A informação é do diretor Assistencial, Ivanês Zwirtes. De acordo com ele, a equipe de profissionais que atuará na unidade está toda formada e o espaço também todo equipado, faltando somente o balcão de enfermagem, que deve chegar na metade da próxima semana. Segundo o diretor, os profissionais apenas aguardam a inauguração para iniciar o atendimento neste espaço. “Desde que iniciamos o atendimento no Hospital Regional, em janeiro deste ano, observamos a necessidade urgente de uma UTI. Acompanhamos o encaminhamento de vários pacientes em estado grave para outros municípios. E muitas vezes, as cidades mais próximas, como Chapecó ou Concórdia, não possuíam vagas em UTIs, então tínhamos que mandar os pacientes para Lages, Xanxerê, ou outros municípios mais distantes, desde que equipados com UTI. É possível observar nos rostos dos familiares o desespero de estar conduzindo um paciente grave para um local tão longe, onde eles não têm tanto acesso. Às vezes, a família não tem tanto poder aquisitivo para acompanhar o paciente”, explica Zwirtes.
Conforme o diretor assistencial, a instalação da UTI é extremamente gratificante para toda a equipe hospitar e população regional. “Vamos conseguir tratar o pessoal de SMOeste, que é nosso intuito, aqui na nossa UTI, sem precisar conduzir para outras localidades. Sabemos também que, devido aos vários acidentes graves que acontecem na região, a UTI vai ser ocupada em sua totalidade rapidamente, porém não temos outra alternativa, nossa estrutura é padrão e não há como ampliar”, destaca Ivânes Zwirtes.
Centro Cirúrgico e equipamento
Em junho, também terá início o atendimento no Centro Cirúrgico do hospital. O espaço possui seis salas cirúrgicas, das quais três já estão em funcionamento, sendo utilizadas para cirurgias de pequeno porte. As outras três salas serão utilizadas para cirurgias de alta complexidade. A informação é do diretor Geral do Hospital, Valmor Busnello, que apontou esta situação na última semana, durante visita do secretário Regional de São Miguel do Oeste, Wilson Trevisan, e do diretor Geral da SDR, Vilson Bratkowski, ao Hospital Regional Terezinha Gaia Basso.
De acordo com Busnello, o Centro Cirúrgico entra em funcionamento no próximo mês, mas nem todas as cirurgias poderão ser realizadas, pois estão sem previsão de entrega do arco cirúrgico móvel, um equipamento importado utilizado em procedimentos específicos. O secretário Regional sugeriu que a máquina seja alugada temporariamente para solucionar o problema da demora na entrega do equipamento. Trevisan mencionou ainda a importância das cirurgias eletivas pelo SUS que devem ser realizadas assim que o Centro Cirúrgico entrar em funcionamento.
Com o objetivo de contribuir para o pleno atendimento do Hospital Regional, na última semana, a Unoesc - campus de São Miguel do Oeste - cedeu ao Hospital Regional Terezinha Gaio Basso um aparelho analisador de gases sanguíneos e eletrólitos, para diagnóstico. O equipamento cedido gratuitamente por tempo indeterminado é de propriedade da universidade e foi adquirido por meio de um convênio com o Governo Federal e o Ministério da Saúde.
“É um equipamento que o hospital não tinha, por isso que ele vai ser muito útil, e nós aqui ultimamente não estávamos usando. É um equipamento que, como tem uns reagentes, para ser compensador precisa ter bastante demanda, senão o reagente perde seu efeito”, salientou o diretor de Gestão, Planejamento e Finanças do campus, professor Abílio Auri Simon. O diretor Geral do hospital, Valmor Busnello, disse que o equipamento contribuirá para o atendimento dos pacientes. “É um equipamento de grande importância, pois dá o diagnóstico da situação do paciente, acusando se houve melhoras ou não. Esse aparelho será muito utilizado na UTI”, destacou.
UTI do Hospital Regional do Oeste passa por ampliação
Atualmente, o refúgio da região no setor de UTI tem sido o HRO - Hospital Regional do Oeste, localizado em Chapecó. A estrutura da Unidade de Terapia Intensiva, que possui 10 leitos, mais um de reserva técnica, conta com equipe médica, enfermagem e logística. De acordo com informações da Assessoria de Imprensa, a taxa de ocupação da UTI Geral do HRO está em 92,19%. Porém, a unidade enfrenta a dificuldade de contratação de mais um médico intensivista, com chamadas nos principais centros do país, como Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba e São Paulo, cuja mão de obra especializada é escassa no mercado de trabalho.
Segundo dados da Assessoria, pacientes oriundos de 120 municípios catarinenses já foram atendidos na UTI do HRO. Somente em 2010, foram registrados 1.106 internamentos na UTI Geral. O local já passou por ampliação de área física, com devidos investimentos em obra civil e respectivos equipamentos em completa instalação para seis novos leitos de UTI Geral os quais estão em processo de credenciamento para entrar em operação, possivelmente dia 8 de junho de 2011.
UTI equipada, mas fechada
Concluída há dois, a UTI do Hospital São José, de Maravilha, está inativa por falta de recursos. A informação é da diretora Executiva Neiva Rossa Schafer. De acordo com ela, a Unidade de Terapia Intensiva está pronta e toda equipada, porém necessita de apoio financeiro do Governo do Estado, para que possa entrar em funcionamento, pois o hospital não tem como absorver todos os gastos com a UTI. “Precisamos de um investimento de R$ 160 mil/mês. O pedido de recursos já foi feito para os governos estadual e municipal. Estamos há dois anos nesta batalha por recursos financeiros, para colocá-la em funcionamento”, aponta. Neiva explica que para a construção do espaço, o hospital contou com a colaboração dos governos federal e estadual, além de recursos próprios. Segundo a diretora, na época foram investidos mais de R$ 2 milhões. “Este valor foi aplicado na readequação do centro cirúrgico, na central de materiais, no centro obstétrico e na readequação da UTI, que possui 10 leitos. O espaço foi concluído, mas não foi inaugurado”, lamenta.
Ainda segundo ela, até o momento, a diretoria do Hospital São José, de Maravilha, não recebeu nenhuma previsão de auxílio. Neiva cita que o secretário de Saúde, Dalmo de Oliveira, e representantes do Governo do Estado ficaram de fazer uma visita na UTI do hospital, para resolver a situação. “Era para ter sido na segunda quinzena de abril ou primeira quinzena de maio, mas até agora, nada. Estamos com a estrutura prontinha, mas dependemos da boa vontade do governo. Ela está montada e fechada. Para nós, é muito preocupante, porque temos uma estrutura pronta, o hospital precisa, a região precisa, e sente uma grande necessidade e angústia de conseguir um leito na UTI. Sentimo-nos impotentes frente a esta situação. Isso não tem sentido, ela foi construída para funcionar. Estamos aguardando a Secretaria de Saúde do Estado se manifestar, sabemos que está na Constituição. É um direito do cidadão e um dever do Estado. Esperamos que o governo se sensibilize e coloque toda esta estrutura para funcionar, pois a região precisa”, garante a diretora Executiva do Hospital São José.
Oferta de leitos no SUS
Na última semana, o Ministério da Saúde autorizou o investimento anual de R$ 96,4 milhões para a habilitação de 629 novos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) no país e na reclassificação de outros 101, que passam a receber maior volume de recursos do Governo Federal. Os investimentos beneficiam 53 municípios de 15 estados (Goiás, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Espírito Santo, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Pará, Rio Grande do Norte, Piauí, Minas Gerais, Santa Catarina, Alagoas e Rio de Janeiro), contemplando 68 hospitais. Porém, deste total, apenas o Hospital Nereu Ramos, de Florianópolis, foi beneficiado em Santa Catarina.
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