Usina Hidrelétrica Itapiranga gera polêmica

Usina Hidrelétrica Itapiranga gera polêmica
Divulgação

Aproximadamente 1,5 mil famílias serão afetadas pelo empreendimento

 Um projeto, que iniciou na década de 70, já gerou muita preocupação e promete ainda ser motivo de polêmica. Assim é a trajetória de implantação da Usina Hidrelétrica Itapiranga, que está prevista para ser instalada no Rio Uruguai, entre os municípios de Pinheirinho do Vale (Rio Grande do Sul) e Itapiranga (Santa Catarina). Com o objetivo de fiscalizar e exigir o cumprimento das normas ambientais, o Ministério Público Federal instaurou, no último mês, inquérito civil público na construção da Usina Hidrelétrica Itapiranga. De acordo com a procuradora da República em São Miguel do Oeste, Maria Rezende Capucci, o inquérito foi motivado por representações do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) e do prefeito do município de Mondaí, Lenoir da Rocha, uma das sete cidades que serão envolvidas pelo empreendimento.

O documento da prefeitura de Mondaí aponta que a obra da usina alagará uma área correspondente a 2.840 hectares, trazendo prejuízos a três municípios de Santa Catarina, Mondaí, Itapiranga e São João do Oeste, e a quatro do Rio Grande do Sul, Pinheirinho do Vale, Caiçara, Vicente Dutra e Vista Alegre. Além disso, conforme a representação, cerca de 1,5 mil famílias ribeirinhas já sofrem com a perspectiva de terem que sair de suas propriedades. Para a procuradora Maria Rezende, a implantação da usina causará um grande impacto ambiental com a inundação de florestas, a morte de animais e a possível modificação do clima da região.
Diante desta situação, o Ministério solicitou ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) e à Fatma (Fundação do Meio Ambiente de Santa Catarina) que informem se já foi protocolado pedido de concessão de licença ambiental para a construção da hidrelétrica. Caso o pedido tenha sido feito, deverão ser encaminhadas à Procuradoria da República cópias de toda a documentação correspondente.
 
Projeto da UHE Itapiranga prevê a geração de 725 MW, essa energia equivale a um consumo médio de dois milhões de lares
 
Segundo o prefeito de Itapiranga, Milton Simon, uma comissão interna foi criada na administração, para avaliar a situação e se preparar caso ocorra a instalação. Simon destaca que hidrelétricas estão sendo visitadas, para saber o que elas trazem de positivo e negativo à população e ao meio ambiente. “Temos algumas avaliações, mas ainda não vamos divulgar. Eu, Milton Simon, enquanto cidadão, sou contra a barragem, me criei nas barrancas do Rio Uruguai, e quero sempre ver o Rio Uruguai assim. Agora, enquanto cidadão público, tenho que buscar mais informação e avaliar melhor a situação”, afirma. 
De acordo com o secretário de Indústria, Comércio e Barragens de Itapiranga, Alberto Lengert, a movimentação econômica será positiva com a implantação da hidrelétrica. No entanto, Lengert salienta que, apenas na região que deve ser atingida no município, gira em torno de R$ 70 milhões o movimento econômico por ano. O secretário revela que parte das comunidades de Santa Fé Baixa, Dourado, Sede Capela e Chapéu será atingida pela barragem. “Tendo parte da comunidade atingida, ela toda se desestrutura. Em Dourado, a sede da comunidade vai ficar embaixo d’água. O governo sempre teve interesse em fazer essa usina pela questão financeira. Porém, está muito ausente nesse processo, não existe nenhuma garantia do governo sobre o que vai acontecer com essas famílias atingidas. Além disso, existe o sentimento das pessoas que viveram sempre neste local”, salienta. 
Com base no projeto, o secretário aponta que o prédio principal do Colégio Agrícola de Sede Capela também será inundado. “A empresa aponta que um novo edifício será construído em um outro local, mas nos perguntamos - e se não tiver mais alunos, de que adianta um prédio novo? A empresa responsável no momento diz uma coisa, mas a empresa que ganhar o leilão pode ser outra, e a dúvida é, será que as regras vão mudar?”, questiona. Lengert aponta que em 2007 foi realizada uma pesquisa de opinião pública sobre a implantação da UHE Itapiranga. Na época, 45% da população era a favor e 55% da população contrária a implantação. 
Para o secretário de Indústria, Comércio e Barragens, com a implantação da hidrelétrica, as mudanças na forma de vida da população local iniciam durante a execução da obra, pois Itapiranga terá que abrigar cerca de cinco mil operários que irão trabalhar na obra. “Tem que analisar se haverá serviço de saúde e educação de qualidade para todas essas pessoas. A nossa captação e qualidade da água vai ser a mesma? Todos ainda temos muitas dúvidas sobre os pontos positivos e negativos desta hidrelétrica”, considera Lengert. 
Conforme ele, o próximo passo das administrações dos municípios envolvidos na obra é desenvolver, em parceria com o MAB, encontros com as comunidades atingidas. Na oportunidade, serão expostos todos os pontos do processo. Já o próximo passo da empresa responsável é desenvolver um levantamento sobre os impactos socioambientais no local. No entanto, está havendo resistência do Movimento dos Atingidos em permitir que esta pesquisa seja efetuada. 
O andamento do projeto vive a seguinte realidade: já foi feito o inventário Hidroenergético – levantamento do potencial energético do rio. Ainda é necessário desenvolver estudos de campo (geologia, hidrometria e topografia), cadastro socioeconômico, estudos de impacto ambiental. Após o estudo será feito leilão de energia e início da construção da Usina Hidrelétrica. 
 
Características da UHE Itapiranga
 
O projeto da UHE Itapiranga prevê a geração de 725 MW com cinco unidades geradoras (turbinas). Essa energia equivale a um consumo médio de dois milhões de lares, ou seja, a usina irá atender uma população 32 vezes maior que toda a população somada dos municípios abrangidos pela UHE Itapiranga. É mais ou menos 1/5 de todo o consumo de energia em Santa Catarina. 
A altura da barragem será de 36 metros, e o comprimento da barragem mais o vertedouro terá 1,1 mil metros. A obra vai atingir uma área de reservatório de 6.080 hectares, sendo a área de calha do rio de 3.240 hectares e o total de áreas de terras inundadas será de 2.840 hectares. 
A UHE Itapiranga terá, basicamente, barragem, casa de força, vertedouro, tomada d’água e área de montagem. A barragem será a ponte entre os dois municípios. No total, serão investidos cerca de R$ 2 milhões, com 30% de recursos próprios dos acionistas. Do estudo de 1985, para o realizado em 2004 houve uma redução do nível da água em 19 metros do previsto originalmente, o que fez preservar locais de importância ambiental e econômica para a região, tais como a Fonte de Água Mineral de Iraí, o Balneário Águas do Prado e o Lajeado do Mel. Além disso, o novo projeto não atinge a terra indígena (TI Kaigang de Iraí). 
 
Energia hidrelétrica
 
No Brasil, as condições naturais privilegiadas acabaram incentivando a opção hidrelétrica, fonte de aproximadamente 75% da energia gerada no país. Rios com grande volume de água nascem em planaltos e criam condições propícias para a instalação de grandes usinas hidrelétricas, como Tucuruí e Itaipu, esta a segunda maior do mundo, com capacidade instalada de 12,6 mil MW. 
A energia gerada em um determinado estado pode abastecer qualquer local do Brasil. São mais de 90 hidrelétricas de grande porte no país. Isso significa que a energia gerada por Itapiranga pode ser usada no Brasil inteiro. O Brasil possui no total 1.706 usinas em operação, gerando aproximadamente 446 mil GWh/ano de energia. Para os próximos anos, haverá um acréscimo próximo de 114 mil GWh na capacidade de geração do país, pois existem 137 empreendimentos atualmente em construção e mais 476 outorgados. 
 
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