União no combate às drogas

União no combate às drogas
Folha do Oeste

Audiência Pública reuniu autoridades e comunidade local na Câmara de Vereadores de SMOeste

Com o objetivo de discutir e apresentar soluções para o combate às drogas em São Miguel do Oeste, em especial ao crack, na última quinta-feira, dia 29, vereadores, autoridades e a sociedade estiveram reunidos em audiência pública na Câmara Municipal de Vereadores. O encontro, que lotou o salão nobre, foi um pedido de autoria dos vereadores Valnir Scharnoski, Genésio Colle, Claudete Fabiani, Airton Fávero e Flávio Ramos.

Como resultado da audiência, ficou claro entre os participantes que é preciso união de forças para combater o tráfico e o uso de drogas. Todos destacaram que é preciso aliar o tratamento médico com um sistema eficiente de educação e conscientização, somado ao apoio da sociedade, para eliminar o problema. 
A audiência pública iniciou com a palestra do Grupo RBS, representada pelo diretor executivo Alencar Tiepo, que apresentou palestra da campanha “Crack, Nem Pensar”. Durante a abertura, o diretor apresentou características da droga, informações sobre a ação do crack no organismo do usuário e formas de combate à droga. Para relatar como é a vida de um dependente químico, a RBS também levou ao plenário dois ex-usuários do crack, que fizeram seus depoimentos.
“Comecei a ingerir álcool ainda criança, quando meu pai me dava uma colher de caipirinha. Depois disso só piorou”, afirmou José Braz, que contou sua história de vida e emocionou os presentes. Hoje, em constante recuperação, Braz revela ser portador de uma doença incurável, progressiva e fatal. “Agora estou reconstruindo minha vida. Todo dia estou focado em minha doença. Acordo já colocando em minha cabeça que só por esse dia não vou usar drogas. E assim é todo dia”, declara. Porém, o ex-usuário revela que já usou drogas para viver e viveu para usar drogas. Conforme ele, quando usuário, seu primeiro pensamento do dia era como conseguir R$ 5 para comprar a droga. “No começo me sentia o super-homem, mas acabei me destruindo”, desabafou. 
Charles Padilha, também ex-usuário do crack, relatou uma experiência curta com a droga. “Foram cerca de seis meses. Percebi que não era eu que consumia a droga, mas sim ela que me consumia. Hoje, estou em tratamento intensivo até o fim da minha vida. E com apoio da minha família e de todas as pessoas à minha volta, vou continuar firme nessa luta”, salientou Padilha.
Após depoimento dos convidados, o médico Alexandre Spessatto e o cirurgião dentista Marcos Sabadin fizeram uma explanação acerca dos aspectos da saúde dos usuários. Spessato destacou que somente o apoio médico não basta. “É preciso o carinho da família, dos amigos, de todos. Somente com tratamento e afeto é que essas pessoas vão superar os problemas”, afirmou. Já Sabadin falou sobre as lesões bucais nos usuários da droga, por meio de slides com imagens das lesões que a droga causa. “O crack tem um efeito devastador no usuário. O consumo dessa droga tomou uma proporção inimaginável e está em todas as classes da sociedade. E isso a gente vê todos os dias no consultório”, alertou o profissional.
As representantes do Caps (Centro de Atenção Psicossocial), Rosangela Teixeira da Rosa, a psicóloga Maria de Fátima Herandorena Py e a médica psiquiatra Sabrina Perondi Casagrande apresentaram dados sobre a situação do consumo de drogas no município e o atendimento prestado pelo Caps. De acordo com as profissionais, o maior número de dependentes químicos atendidos no espaço referem-se a homens com idade entre 33 a 36 anos. Elas destacaram que a falta de uma estrutura maior e especializada no atendimento a usuários de drogas prejudica o atendimento, mas que, mesmo assim, o Caps faz esse tipo de atendimento.
O juiz Luiz Eduardo Freyesleben e o promotor André Teixeira Milioli abordaram aspectos jurídicos do consumo e tráfico de drogas. Ambos salientaram que é preciso, antes de agir punitivamente, agir preventivamente. Eles disseram que é necessário que a sociedade esteja unida em ações voltadas à educação e conscientização sobre o consumo de drogas. Em seguida, o delegado da Polícia Federal de Dionísio Cerqueira, Márcio Anater, e o delegado Regional de Polícia Civil, Rudinei Charão, falaram sobre a ação das duas polícias no combate ao tráfico de drogas.
O prefeito Nelson Foss da Silva também se pronunciou, dizendo que é preciso que o poder público e as entidades se unam para que o combate às drogas e o tratamento aos usuários tenham resultados efetivos. Em nome do Legislativo, o presidente Valnir Scharnoski salientou que a audiência pública foi apenas um primeiro passo da sociedade para uma ação maior no combate às drogas. Ele destacou que a Câmara de Vereadores assumiu sua responsabilidade em viabilizar o debate, mas que é necessário que toda a sociedade esteja engajada no trabalho de conscientização e educação.
 
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