Uma luta diária...
Direções de hospitais que operam pelo SUS não recebem recursos suficientes para cumprir com as atividades e buscam alternativas para manter o funcionamento
Mais recursos. Essa seria a solução para a maior parte dos problemas enfrentados por hospitais do extremo oeste, e provavelmente de outras regiões. As reclamações sobre a pequena fatia de recursos destinada pela União e pelo Estado, são unânimes entre os profissionais que atuam no setor de Saúde e na administração hospitalar.
A dispensa de cada vez mais atribuições ao município e, por outro lado, cada vez menos recursos para o desempenho dessas funções, tem travado uma batalha em que alguns dos protagonistas são os diretores de hospitais.
São José do Cedro
No momento em que passa por uma reforma e ampliação, a Associação Beneficente Hospitalar de Cedro, que atende São José do Cedro e Princesa, também se preocupa com os procedimentos a serem adotados para manter a entidade em funcionamento.
A estrutura já recebeu adequações no acesso, na lavanderia e no centro cirúrgico, que puderam ser feitas com recursos do hospital. Agora, a readequação do centro cirúrgico, a construção do Pronto Atendimento e a construção da nova ala em substituição à parte que ainda era de madeira, consumirão recursos na ordem de quase R$ 2 milhões, vindos dos governos federal, estadual e dos municípios.
De acordo com o administrador Romeo Holderbaum, os recursos dos governos são fundamentais para a execução das obras, uma vez que a entidade recebe do SUS somente os recursos necessários, e às vezes ainda insuficientes para a manutenção das atividades. “Quando a unidade ficar pronta, devem ser reivindicados novos recursos para equipar o hospital”, destaca.
O administrador destaca que com 36 leitos, após a reforma, a direção deverá rediscutir a forma de atuação, com possibilidade de investimento no atendimento de alguma especialidade, além da clínica geral. Isso deve ser feito levando em consideração a necessidade de equilíbrio financeiro e a continuidade do atendimento pelo SUS.
Tunápolis
O hospital do município, que atende também os moradores de Santa Helena, já trabalha nesse sistema de conciliação do atendimento clínico geral com a psiquiatria desde 2005.
Conforme o presidente Alcione Hofer, essa foi uma das saídas encontradas para aumentar os rendimentos e manter as contas em dia. “Os hospitais de outras cidades também deveriam especializar uma parte dos atendimentos”, ressalta.
Dos 36 leitos do hospital de Tunápolis, uma ala de 12 é destinada ao tratamento da saúde mental. “A ala da psiquiatria, que trata pessoas com dependência química, de álcool e outros problemas psíquicos, está sempre lotada e há até filas de espera, porque atendemos toda a região”, explica.
Segundo ele, mesmo que os leitos estejam geralmente todos ocupados, a verba repassada pelo SUS é insuficiente. “O que ajuda a manter a característica de hospital filantrópico da comunidade são os atendimento feitos por meio de outros convênios, o repasse mensal de R$ 7 mil da prefeitura de Tunápolis e o anual de R$ 20 mil da prefeitura de Santa Helena”, frisa.
Além disso, a realização de cirurgias eletiva de hérnia, a busca de convênios junto aos governos, subvenções sociais e a doação de mercadorias apreendidas pela Receita Federal para a realização de bazar de vendas é que ajudam a equilibrar arrecadação e despesas no final de cada mês.
Hofer exemplifica que, para fazer o sistema de tratamento de esgoto, foi preciso angariar R$ 41.145,40 por meio de subvenção social. Para a ampliação do centro cirúrgico, é esperada a assinatura de um convênio com o Estado, uma vez que os recursos próprios são insuficientes para a manutenção das atividades e não possibilitam investimentos.
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