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Transporte público: potencial subestimado
Horários dos ônibus dificultam seu uso como alternativa aos carros particulares
No começo deste ano, um levantamento feito pelo Detran/SC mostrou que o número de automóveis está quase igualando o número de habitantes em São Miguel do Oeste. Em fevereiro, a frota atingiu a marca de 25.839 veículos emplacados, o que torna a proporção veículo/habitante do município uma das maiores em todo Estado. Por outro lado, o transporte coletivo urbano – uma alternativa em potencial aos carros particulares – é pouco viável na cidade e gera insatisfações devido aos horários incompatíveis com as necessidades dos usuários.
“O ônibus passa em todos os lugares que a gente precisa, mas o problema são os horários. Às vezes é a cada meia hora, às vezes a cada hora. Acredito que deveria passar com mais frequência”, afirma o estudante Mateus Roberto Fiorentin. A opinião é compartilhada por outra estudante, Mariluci Cavassani, que utiliza o transporte público de segunda a sexta-feira para ir e voltar da escola. “Acho o preço adequado para nós que pagamos meia passagem, e o transporte é de qualidade. Mas os horários dificultam, porque às vezes precisamos ficar esperando por muito tempo depois da aula”, completa.
A empresa que opera o transporte coletivo urbano em São Miguel do Oeste, a Extremo Oeste Tur, detém a concessão para explorar o serviço desde o início dos anos 1990. O preço da passagem é de R$ 2,00, mas estudantes têm 50% de desconto e idosos não pagam, conforme lei federal. Em toda a cidade, são 53 linhas que ligam os bairros uns aos outros e ao centro. Ainda assim, os pontos de parada com abrigo e bancos se limitam às principais vias da cidade e ao centro. “No ponto que fica perto da minha casa, no bairro Santa Rita, não tem o abrigo, só a placa. Com abrigo, só perto do trevo. Isso é ruim para quem mora longe da avenida”, relata a dona de casa Ana Sebben.
O vácuo das linhas intermunicipais
No transporte coletivo intermunicipal a situação também está aquém da ideal. São poucas as linhas e os horários de ônibus, o que obriga a população a investir em veículos particulares, vans fretadas ou depender de caronas. Para a funcionária pública Patrícia Staudt, moradora de São Miguel do Oeste, a saída encontrada para ir até o trabalho em Paraíso foi um sistema de revezamento de carona junto com três colegas de trabalho. Segundo Patrícia, o único horário de ônibus no sentido São Miguel do Oeste – Paraíso, logo pela manhã, é às 11h, mas o seu expediente de trabalho inicia às 8h. O preço da passagem, conforme ela, é de R$ 5,50 para um trajeto com pouco mais de 22 km, o que significaria um gasto de R$ 11,00 ao dia com transporte. Isso, na visão de Patrícia, também contribui para que o uso de um carro particular seja mais viável.
“Planejamento é urgente”
Neste cenário, realizar um planejamento geral do trânsito na cidade é mais do que urgente, defende o delegado regional Ricardo Newton Casagrande, do 13º RDP. “Tivemos um grande aumento na frota de veículos particulares no começo do ano e, com essas novas reduções de IPI, a tendência é aumentar ainda mais. E o que é pior: isso tem acontecido em um curto período de tempo. O transporte coletivo pode ser uma das saídas, mas acredito que não é a única”, declara.
“Hoje em dia, a cidade de São Miguel do Oeste não está estruturalmente preparada para acompanhar esse aumento da frota de veículos. Precisa haver muitos avanços, mas primeiro seria ideal realizar um estudo técnico e então avaliar quais mudanças precisam ser feitas”, diz Moacir Maschio, diretor do Departamento Municipal de Trânsito. Para ele, incentivar o uso do transporte público coletivo está entre as medidas que melhor ajudariam a desafogar o trânsito na cidade. “Sem dúvida, é importante fazer do ônibus um transporte mais rotineiro. Mas, antes de tudo, é preciso dar condições para isso, criando corredores exclusivos para ônibus, por exemplo”, ressalta o diretor.
Usuários reclamam dos horários no sistema de transporte público









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